A semana de 10 a 14 de julho foi marcada pela divulgação de relevantes dados de inflação, que recalibraram as apostas para os juros.
Nos EUA, o índice de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) vieram melhor do que o esperado. Com isso, o mercado vislumbra, agora apenas mais uma alta de 25 pontos-base nos juros americanos, que depois devem estacionar entre 5,25% e 5,50% até 2024 pelo menos.
No Brasil, o IPCA apresentou deflação, mas o núcleo decepcionou. Com isso, a expectativa é de que o Copom reduza juros em apenas 25 pontos-base na reunião de política monetária de agosto. Antes, parte do mercado acreditava em um possível corte de 50 pontos-base.
Por aqui também teve muita repercussão de reforma tributária, que foi aprovada na última semana na Câmara. Apesar dos rumores, ela não será “fatiada” no Senado para acelerar a aprovação. O texto, na íntegra, deverá ser votado até final de outubro. Se alterada, volta à Câmara novamente.
Confira o que mais foi destaque no resumo da semana.
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Resumo da semana no Brasil
IPCA aponta deflação
O IPCA de junho recuou 0,08%, mas, apesar da deflação, ainda apresenta pressão sobre os números do núcleo do indicador, que não considera os itens mais voláteis, como alimentação e combustíveis.
“Os serviços parecem estar acelerando novamente e o índice de núcleo ficou acima do esperado”, aponta o economista João Paulo Rabe, da EQI Asset.
Com isso, o mercado espera uma queda de 25 pontos-base da Selic em agosto e não mais de 50 pontos-base.

Serviços avançam
A Pesquisa Mensal de Serviços, do IBGE, apontou alta de 0,9% em maio, revertendo parte da queda de 1,6% registrada no mês anterior. No acumulado do ano, houve expansão de 4,8%, enquanto em 12 meses o avanço foi de 6,4%.
Vendas no varejo recuam
As vendas no varejo recuaram 1% na passagem de abril para maio, apontou o IBGE nesta manhã (14). No acumulado do ano, a alta é de 1,3%. Em 12 meses, de 0,8%. Na comparação anual, o comércio recuou 1% frente a maio de 2022, marcando a primeira taxa negativa após nove meses de altas.
Ficou para depois do recesso parlamentar…
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, afirmaram que a aprovação do projeto do Carf deve acontecer no próximo mês. Lembrando que a Câmara aprovou projeto de lei que altera as regras da última instância de julgamento de questões tributárias, devolvendo ao Governo o poder de voto de desempate, o que tende a aumentar a arrecadação.
Já a reforma tributária deve ser votada até o fim de outubro. A opção de “fatiamento” da proposta para acelerar a tramitação foi negada por Pacheco.
Para depois do recesso parlamentar ficou também a nova votação do arcabouço fiscal na Câmara, após alterações no Senado.
Galípolo no BC
Gabriel Galípolo e Ailton Aquino tomaram posse, nesta quarta, das diretorias do Banco Central, de Política Monetária e Fiscalização, respectivamente.
Galípolo é apontado como provável substituto de Roberto Campos Neto na presidência do BC. O mandato de Campos Neto acaba no ano que vem.
Resumo da semana no exterior
Dados de inflação nos EUA
A inflação ao produtor (PPI) dos EUA veio abaixo do esperado (0,1% ante projeção de 0,2%). Na comparação anual, a alta foi de 0,1%, ante expectativa de 0,4%.
E reforçou os bons números da inflação ao consumidor (CPI): 0,2% em junho, abaixo das projeções de 0,3%.
Com isso, sobem as apostas de que o Federal Reserve (Fed), banco central americano, promova apenas mais uma alta de juros até o fim do ano, na reunião marcada para daqui a duas semanas.
Dados ruins na China
A balança comercial chinesa apontou um superávit de US$ 70,62 bilhões em junho, ante estimativa de US$ 74 bilhões.
As exportações tiveram queda anualizada de 12,4% em junho, pior que a previsão (de recuo de 9,2%) e maior do que a queda de 7,5% de maio. As importações caíram 6,8%, ante projeção de queda de 4% e leitura anterior de recuo de 4,5%.
Mais altas de juros na zona do euro
O Banco Central Europeu (BCE) a ata de sua última decisão de política monetária, quando optou por elevar a taxa de juros em 0,25 ponto. A taxa de refinanciamento passou de 3,75% para 4%; enquanto a taxa de empréstimos foi de 4% a 4,25%; e a taxa de depósito foi de 3,25% para 3,50%. No comunicado, o BCE afirma que antevê mais uma alta na próxima reunião.