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Eleições presidenciais 2022: possibilidades políticas e investimentos. Confira a análise

Eleições presidenciais 2022: possibilidades políticas e investimentos. Confira a análise

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

21 Set 2022 às 10:42 · Última atualização: 04 Out 2022 · 9 min leitura

Redação EuQueroInvestir

21 Set 2022 às 10:42 · 9 min leitura
Última atualização: 04 Out 2022

foto Bolsonaro e Lula

As eleições estão chegando e nunca ficou tão evidente a diferença de plano de governo entre os dois principais candidatos à presidência. 

Para ajudar o investidor a tomar as melhores decisões de investimentos, os especialistas da EQI fizeram um estudo minucioso nas propostas desses candidatos. 

O resultado da análise foi apresentado durante o EQI Talks “Eleições 2022: possibilidades políticas e o impacto nos investimentos”, comandado por Denys Wiese, economista e head de renda fixa; Valter Manfro, head de operações estruturadas e Roberto Chagas, gestor de renda variável da EQI Asset. 

Jair Bolsonaro ou Luís Inácio Lula da Silva: para onde devem ir os investimentos? Os especialistas da EQI Investimentos mostram o caminho. 

Acompanhe agora neste texto. Confira a análise: eleições presidenciais e os investimentos.

  • Eleições presidenciais 2022: quais são as propostas econômicas dos candidatos? Saiba aqui.

Eleições 2022 e os investimentos: é preciso entender como o Estado funciona

De acordo com Denys Wiese, economista e head de renda fixa da EQI Investimentos, para fazer uma boa escolha nas urnas, o eleitor deve compreender a lógica que embasa o plano de governo dos candidatos.    

O economista explica que a atuação dos governos, de modo geral, está sempre com o foco no aumento da demanda em determinados setores. Essa premissa, segundo o especialista da EQI, é um equívoco. 

“Fazer isso cria um efeito ilusório de prosperidade, que não se sustenta por muito tempo. É por isso que é necessário entendermos a lógica das políticas públicas. Por meio delas, podemos identificar quais são os setores que irão se sair melhor”, explica.

Segundo Wiese, as decisões dos governos quanto à gestão dos recursos geram impactos, que não são notados de forma clara pela sociedade. “Sempre há alguém pagando a conta e, geralmente, são os mais pobres”, comenta. 

  • Eleições presidenciais 2022: Como investir. Saiba aqui.

Resultado primário: indicador relevante para a tomada de decisão

O economista da EQI aponta que um dos dados mais relevantes para a análise da política pública é o resultado primário – que aponta a diferença entre arrecadação e gastos.

“Quando se gasta a mais, é gerada uma série de problemas para o País, levando ao empobrecimento. No que tange os investimentos, a grande maioria se valoriza quando os juros caem. E para termos juros baixos, o governo precisa gastar menos. Ou, pelo menos, deve haver um equilíbrio nas políticas públicas”, pondera.

Roberto Chagas, gestor de renda variável da EQI Asset, ressalta que os juros altos minam o desenvolvimento produtivo de um país. “Nenhum empreendedor consegue expandir uma empresa em um ambiente de taxas elevadas. Isso, certamente, desequilibra a oferta e demanda”. 

Para ajudar na compreensão do cenário que o próximo presidente irá trabalhar, os especialistas da EQI fizeram um levantamento do resultado primário nas últimas duas décadas:

Gráfico resultado primário

Eleições 2022 e os investimentos: qual a proposta dos candidatos?

Para basear o estudo sobre o impacto nos investimentos, seja qual for o resultado das eleições, os especialistas da EQI Investimentos estudaram os planos de governo dos dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de votos. 

“Analisamos minuciosamente os planos de governos de Bolsonaro e Lula com o objetivo de identificar os setores da economia e os investimentos que se beneficiam em cada caso”, destaca Valter Manfro, head de operações estruturadas da EQI Investimentos.

Acompanhe agora os pontos destacados de cada plano.

Resumo do plano de governo de Lula

  • O Estado como indutor do desenvolvimento;
  • Maiores gastos públicos, direcionados para áreas prioritárias;
  • Investimentos públicos em infraestrutura;
  • Fomento ao mercado interno, com crédito barato;
  • Fomento à indústria nacional, com crédito barato e política de proteção e de compras (pelo Estado) de produtos nacionais;
  • Agenda ESG forte;
  • Contrário às privatizações;
  • Revogação de reforma trabalhista: volta da gratuidade da justiça trabalhista para o empregado;
  • Outra reforma previdenciária, mais inclusiva;
  • Melhoria da imagem e estabilidade institucional, evitar e acabar com a crise entre poderes através da conversa;
  • Revogação do teto de gastos;
  • Provável volta do imposto sindical;
  • Fomento à construção civil e à habitação;
  • Fomento ao Turismo;
  • Fomento à Educação;
  • Setores beneficiados com compras governamentais: saúde, energia, alimentos e defesa;
  • Intervenção no mercado cambial (intenção de diminuir a volatilidade);
  • Política de preços controlada de energia e fomento de produção de “bens de consumo críticos”: armas para o controle da inflação;
  • Aumento da concorrência do setor bancário e desburocratização.

Análise da proposta de Lula: maior intervenção do Estado

Na visão de Denys Wiese, o atual plano de governo do candidato Lula não apresenta novidades em relação ao que já foi feito em seus dois mandatos anteriores. 

“Todas as propostas já foram feitas antes, com destaque para a atuação do estado como indutor do desenvolvimento, direção completamente oposta ao que propõe o adversário Bolsonaro, que apoia o desenvolvimento pelos empreendedores e iniciativa privada”, aponta o economista.

Ele completa: “Dentro deste plano, as áreas que irão receber investimentos como saúde, energia, alimentos e defesa devem ‘bombar’. Outro ponto que chama a atenção é a intenção de fomentar a concorrência no setor bancário, o que irá beneficiar a população de modo geral”, destaca. 

Já Roberto Chagas, ressalta que, de modo geral, o mercado tem dúvidas sobre a capacidade de execução do plano como um todo. 

“A natureza do plano de Lula é de um Estado mais intervencionista, contudo, é preciso analisar se existe ‘capital político’ para executar 100% dessas propostas. Outro ponto visto na campanha que deve ser destacado é a demonstração de apoio de Henrique Meirelles (ex-Presidente do Banco Central entre 2003–2010), o que confere mais coerência para o uso do capital público. De qualquer forma, o mercado espera uma atuação mais pragmática. Não deve haver um descarrilamento do rumo atual, assim como não deve haver uma grande aceleração da economia no longo prazo”, observa.

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Resumo do plano de governo de Bolsonaro

  • Redução do peso do Estado;
  • Desburocratização;
  • Redução da dívida em % do PIB;
  • Redução de impostos;
  • Proteção dos direitos de propriedade;
  • Empreendedorismo;
  • Liberdade Individual;
  • O indivíduo e a família não podem depender do Estado;
  • Continuidade da agenda de reformas;
  • Transparência e segurança jurídica;
  • Concessões e privatizações;
  • Fomento à infraestrutura com capital privado;
  • Maior produtividade dos agentes públicos, com avaliação de desempenho, metas e planos de carreira;
  • Tripé macroeconômico garantido: teto de gastos e autonomia do Banco Central;
  • Aumento da concorrência e da competitividade.

Análise da proposta de Bolsonaro

O economista da EQI analisa que a proposta de governo apresentada pelo atual presidente Jair Bolsonaro deve “destravar valor na economia”. 

“Vejo a criação de um ambiente de negócios mais seguro, a continuidade de entrada de capital estrangeiro no Brasil e investimentos de longo prazo sendo feitos. Se houver redução da dívida em % do PIB, os juros irão cair e daí, os investimentos em negócios, renda variável, ações e Fundos Imobiliários tendem a andar bastante. Até a renda fixa, como as NTNBs longas, devem se beneficiar”, destaca o Denys Wiese. 

Para o gestor da EQI Asset, “o governo de Bolsonaro deve dar sustentabilidade ao PIB e previsibilidade na economia”. 

“Isso deve causar impactos na expectativa de inflação do país, que espera corte de juros em 2023, o que é bom para os mercados e para a bolsa de valores. De qualquer forma, analisamos que em ambos os governos não deve haver uma grande ruptura”.

Eleições 2022: principais investimentos no últimos 6 meses 

Para finalizar o estudo sobre os prováveis cenários eleitorais, os especialistas da EQI mostram a evolução dos principais investimentos nos últimos meses. 

Gráfico evolução dos investimentos em 2022

“Normalmente, o juro real sobe pela incerteza do cenário eleitoral. Devemos ter juros elevados até a metade de 2023. Dessa forma, o investidor deve aproveitar essa janela. Os destaques dos últimos seis meses ficaram por conta dos CRAs, Debêntures e NTNBs. Esses investimentos ainda estão muito bons para quem quer aproveitar esses juros altos. 

Já o investidor que quer ter Petrobras na carteira, mas que está com receio do ambiente político ou que quer realizar uma parte do lucro, tem a opção de um BONDs (títulos de dívida emitidos pelo governo ou por empresas privadas no exterior) ‘travado’ em uma taxa de 3.7%. Hoje, comprar papéis lá fora está rendendo mais que os que são comprados aqui dentro”, finaliza Wiese. 

Perdeu a live? Assista aqui o vídeo.

Eleições 2022: Possibilidades políticas e o impacto nos investimentos

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