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Dossiê Tesouro NTNB (IPCA+): conheça tudo sobre o papel!

Dossiê Tesouro NTNB (IPCA+): conheça tudo sobre o papel!

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

17 Mai 2022 às 23:55 · Última atualização: 24 Jun 2022 · 11 min leitura

Redação EuQueroInvestir

17 Mai 2022 às 23:55 · 11 min leitura
Última atualização: 24 Jun 2022

NTNB

Reprodução/Pixabay

Um papel muito tradicional do mercado traz proteção inflacionária ao capital do investidor. Estamos falando das antigas NTNB, que agora obedecem a outra nomenclatura. Mas seus atributos permanecem.

Acompanhe o artigo abaixo para saber tudo sobre esse excelente instrumento financeiro.

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O que é o Tesouro NTNB?

O Tesouro NTN-B é uma sigla para designar um dos tipos de investimentos que podem ser feitos na plataforma do Tesouro Direto. Esse veículo foi inaugurado em 2002, permitindo a qualquer pessoa investir em títulos públicos.

A sigla NTN-B quer dizer Nota do Tesouro Nacional — série B. Trata-se de uma modalidade de título atrelado à inflação. Isso quer dizer simplesmente que sua rentabilidade acompanha de alguma forma o índice de preços.

Na prática, uma aplicação no Tesouro NTN-B está protegida contra a perda do poder de compra da moeda. Isso ocorre porque parte do seu rendimento se dá acima da inflação, anulando seus efeitos negativos.

Por conta dessa característica peculiar, esse papel teve uma mudança em sua nomenclatura e passou a chamar-se Tesouro IPCA+. Foi uma forma de simplificar o entendimento sobre o propósito a que ele se propõe.

Sendo assim, esse é um título que proporciona ganho real direto ao investidor. Vale destacar que esse tipo de rendimento é aquele que ultrapassa a inflação do período, proporcionando o verdadeiro ganho ao capital.

Realmente, essa é uma boa forma de proteger o patrimônio. Claro que nenhuma recomendação sadia de investimentos diz para concentrar todos as aplicações em uma mesma modalidade.

No entanto, ter uma parcela do patrimônio investido nesse tipo de aplicação pode proporcionar o conforto de não ter o dinheiro desvalorizado, mesmo que renda nominalmente.

Além disso, é um título emitido pelo Governo Federal. Ainda que não seja coberto pelo FGC, o Fundo Garantidor de Crédito, ele conta com a segurança do emissor.

Em último caso, o governo pode imprimir dinheiro para pagar suas dívidas. Isso aumentaria a inflação mas afastaria o risco de calote.

Como funciona o Tesouro NTN-B?

Em qualquer título do Governo Federal constante na plataforma do Tesouro Direto, a mecânica de empréstimos obedecerá a finalidade de custear os gastos públicos.

Ou seja, o governo também tem seus compromissos financeiros (que não são baratos, diga-se de passagem). Como nem sempre os gastos são controlados, há necessidade de pedir dinheiro emprestado para “fechar as contas do mês”.

A folha de pagamento de funcionários, por exemplo, consome grande parte de todo o orçamento federal. Outra parte ainda maior é consumida pelo sistema de previdência de servidores públicos.

Não a toa se diz que o estado brasileiro gasta muito e gasta mal. Praticamente todo o dinheiro que se arrecada é destinado ao pagamento de salários e aposentadorias.

Como essa conta nunca fecha, o governo tem a sua disposição a possibilidade de pedir dinheiro emprestado para quem? Para o mesmo pagador de impostos. Só que nesse caso o empréstimo é remunerado, diferente do imposto.

O investidor empresta seu dinheiro ao governo e recebe em troca um título público. Este contém uma promessa de pagamento futuro do recurso emprestado acrescido de juros.

Em se tratando do Tesouro IPCA+ (NTN-B), o pagamento de juros é composto de duas parcelas: uma que já se conhece de antemão (prefixada) e outro que só será conhecida ao final da aplicação (pós-fixada).

Acompanhe a seguir a explicação do funcionamento de cada uma em maiores detalhes. Confira.

Parcela pós-fixada

A inscrição de uma NTN-B é dada pela nomenclatura IPCA+ x%. A primeira parte representa a parcela pós-fixada e a segunda, a parcela prefixada.

A parte referente ao rendimento pós-fixado é o IPCA+. Ele é a representação da inflação e sua presença no nome do título quer dizer que o papel renderá ao investidor todo o percentual da inflação do período.

Sim, isso mesmo. Caso a inflação esteja alta, na casa dos 10% por exemplo, o título do investidor também renderá esse valor em relação ao recurso investido.

Como não se sabe qual é o valor da inflação no futuro, diz-se que essa é a parte do título que é pós-fixada. Ou seja, seu rendimento é desconhecido no início da aplicação.

No entanto, ele será cumulativo de acordo com o valor da inflação ocorrida pelo prazo de aplicação. Renderá exatamente seu valor ao investidor no papel.

Parcela prefixada

Já a segunda parte do título referente ao rendimento á a parcela prefixada. Trata-se da parte conhecida a respeito da rentabilidade desde o início da aplicação do recurso.

Ela é representada pelo valor inscrito logo após o IPCA+ e será sempre um número percentual. Atualmente, as taxas dos papéis podem ser consultadas aqui. Em média, a parcela prefixada está em torno de 5% ao ano.

Como estamos falando de um título híbrido, o investidor terá tanto o rendimento da parte pós como da prefixada. Assim, um papel IPCA+ 5% indica que o rendimento da aplicação será de 5% acima da inflação.

No exemplo dado anteriormente de uma inflação de 10% ao ano, o retorno nominal seria de 15% ao ano. Se a inflação ficar em 5%, o rendimento nominal da NTN-B será de 10%.

No entanto, note que o retorno real é sempre o mesmo: 5%. Esse é o efeito do Tesouro NTN-B, render um percentual acima da inflação, qualquer que seja o valor apurado no período.

Quais são os tipos de Tesouro NTN-B existentes?

Veja a seguir as duas modalidades de NTN-B disponíveis no mercado.

NTN-B Principal

A NTN-B Principal é mais conhecida no mercado como “IPCA+”. É o título explicado anteriormente que concentra o seu pagamento de juros apenas no resgate da aplicação.

Ou seja, todo o rendimento do papel, tanto pós como prefixado, é acumulado ao longo do período de aplicação. Quando encerra-se o prazo ou quando o investidor pede o resgate antecipado, ocorre o pagamento de todos os juros.

NTN-B

Já a NTN-B tem um detalhe a mais, apesar de ter menos inscrições no seu nome. Ela é conhecida no mercado como “IPCA+ com pagamento de juros semestrais”.

Como o próprio nome indica, a remuneração dos juros recebidos pelo investidor ocorre em períodos de 6 meses. A cada semestre, o valor acumulado a título de rentabilidade é pago ao investidor.

Essa é uma boa opção para quem deseja ter um rendimento semestral para complementar (ou bancar) seus gastos com custo de vida. Ou seja, quem já está em fase de desfrute do patrimônio acumulado.

No entanto, vale destacar que os cupons (como também são chamados os pagamentos semestrais) são passíveis do desconto de imposto de renda. Assim, os primeiros pagamentos recebem a carga mais alta de imposto.

Com o tempo, os pagamentos alcançam a tributação mínima da renda fixa de 15%.

Quais são os custos associados ao investimento no Tesouro NTN-B?

Podem existir 4 custos em relação ao investimento em uma NTN-B, a depender do prazo de resgate. Acompanhe.

Taxa de administração

A taxa de administração é cobrada pela instituição por meio da qual foi feito o aporte na NTN-B. Ou seja, ela varia de uma instituição para outra e o investidor deve fazer as contas de quanto lhe custará.

Vale destacar nesse ponto que várias corretoras sequer fazem a cobrança desse valor de seus clientes, isentando-os dessa cobrança. Esse é um ótimo artifício para atrair investidores.

Taxa de custódia

Já a taxa de custódia deve ser paga sempre. A razão disso é que ela é cobrada pela própria B3, a bolsa de valores do Brasil. Ela faz essa cobrança a título de manutenção do papel, guarda e movimentação.

Seu valor é fixo em 0,20% ao ano. Percentualmente, é um valor muito baixo a ser pago pelo investidor, mas deve ser considerado. Para um valor de R$ 1 mil, por exemplo, seriam pagos R$ 3,00.

A cobrança é semestral e metade dela ocorre em janeiro, com a outra metade incidindo em julho.

Imposto sobre operações financeiras

O famoso IOF também está presente na NTN-B. No entanto, o tributo só é cobrado se houver resgate do valor investidor para prazos de até 30 dias.

No entanto, a alíquota é regressiva e é cobrada proporcionalmente em relação aos dias que o recurso ficou aplicado. No segundo dia de aplicação, ela equivale a 96% do valor cheio. Já no trigésimo dia é de apenas 3%.

Passados 30 dias de aplicação o imposto não incide mais sobre o rendimento resgatado.

Imposto de renda

Por fim, já era de se esperar que houvesse a cobrança do imposto de renda sobre o rendimento auferido. Como se trata de uma aplicação do mercado de renda fixa, a alíquota segue a tabela regressiva da Receita Federal.

Para resgates até 180 dias, é preciso pagar 22,50% sobre os ganhos; de 181 a 360 dias, 20%; de 361 até 720 dias a alíquota é de 17,50%, por fim, para prazos maiores que 720 dias paga-se 15% sobre os lucros da aplicação.

Quais são os riscos de investir no Tesouro NTN-B?

Um dos riscos que sempre estará presente em qualquer aplicação financeira de renda fixa é o risco de crédito. Ele diz respeito a capacidade do emissor de honrar os seus compromissos financeiros.

Nesse quesito, os títulos públicos (e a NTN-B) são uma das aplicações mais seguras do mercado financeiro, pois são emitidos pelo próprio governo. A NTN-B ainda tem a vantagem de ser atrelada à inflação, o que traz proteção.

Além disso, existem os riscos ligados a macroeconomia, ou seja, a economia do mercado. Em caso de uma catástrofe financeira, pouco poderia ser feito pelo dinheiro aplicado. Mas nesse caso, todas as aplicações estariam comprometidas.

Por fim, há de se considerar o risco de marcação a mercado, que ocorre apenas se o investidor precisar fazer resgate antecipado. Caso a curva de juros esteja em ascenção, é possível resgatar menos dinheiro do que foi investido.

tesouro direto

Quais são as vantagens de investir no Tesouro NTNB?

Veja agora 3 interessantes vantagens pelas quais você deve considerar o investimento em uma NTNB.

Proteção contra a inflação

Seguramente, uma das maiores vantagens de uma NTNB é a proteção contra a perda do poder de compra do recurso, ou seja, contra a inflação.

Aplicações que não contam com esse dispositivo devem descontar a inflação do rendimento nominal e isso faz com que algumas apresentem ganho real negativo. Esse é o caso da poupança atualmente.

Já com a NTNB isso não ocorre, pois sua rentabilidade é indexada a inflação e ela conta com um rendimento prefixado que se dá além do IPCA.

Aporte mínimo inicial

Outro ponto muito vantajoso é o aporte inicial necessário para fazer o investimento na NTN-B. Normalmente, a quantia mínima não passa de R$ 50,00. Ou seja, a partir desse valor já é possível investir.

Isso representa uma baixa barreira de entrada e isso possibilita até mesmo o pequeno investidor fazer parte desse mercado. Basta ter algum conhecimento e disposição para aprender.

A NTN-B é uma ótima alternativa à poupança, por exemplo, que sempre rende muito pouco e frequentemente tem seu rendimento abaixo da inflação, causando perda de poder de compra ao dinheiro do investidor.

Segurança

Por fim, mas não menos importante, vale destacar a segurança obtida por quem faz investimentos em títulos do Tesouro Direto, não somente na NTNB.

É possível contar com a segurança trazido pelo fato que o emissor é o próprio governo brasileiro. Como já dito, é possível imprimir dinheiro para pagar a dívida.

Ainda que isso cause aumento da inflação, a NTNB apresenta proteção quanto a isso. Então, quem investe nesse papel não vê seu capital ser desvalorizado.

Vale lembrar que o governo brasileiro não tem histórico de calote da dívida pública e isso conta bastante a favor de seus títulos.

Quando é recomendado optar pelo Tesouro NTN-B?

Devido às incertezas do futuro, é sempre recomendado ter uma parte da carteira de investimentos em aplicações atreladas à inflação. E nesse caso, não há melhor representante dessa categoria que uma NTNB.

No entanto, nos momentos de alta descontrolada da inflação devido à crises (sobretudos as internacionais), é indicado investir nesse tipo de papel. O raciocínio é lógico.

Como a volatilidade dos mercados costuma ser grande nesses períodos e o aumento de preço depende da lei de demanda e oferta, não se sabe qual resultado esperar.

Assim, esses momentos de instabilidade são ainda mais favoráveis para o investimento em uma NTNB. Ademais, recomenda-se sempre ter alguma parcela do capital aplicado nesse tipo de investimento.

(Por Ronaldo Araújo)

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