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Resumo da semana: bancos centrais, Fitch e balanços foram destaque

Resumo da semana: bancos centrais, Fitch e balanços foram destaque

Os principais destaques da semana de 24 a 28 de julho foram as decisões dos bancos centrais americano e europeu, que subiram juros em 25 pontos-base cada, deixando no ar a suspeita de um fim de ciclo, mas com dados de atividade ainda fracos e inflação alta.   

No Brasil, a prévia da inflação, o IPCA-15, surpreendeu positivamente, aumentando as apostas em um início de ciclo de queda de juros mais forte na próxima quarta-feira (2), quando o Copom decide a política monetária.

Confira os destaques do resumo da semana.

Resumo da semana no Brasil

IPCA-15 positivo

Considerado uma prévia da inflação oficial, o IPCA-15 apresentou queda de 0,07% em julho, ante alta de 0,04% de junho. 

O resultado veio melhor que a expectativa, de queda de 0,03%. E mexe com as apostas para o início do ciclo de queda da Selic, previsto para 2 de agosto. 

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O economista-chefe da EQI Asset, Stephan Kautz, afirmou que a melhor notícia veio nos núcleos de serviços. “Se a gente observar uma média móvel dos últimos três meses e fizer o cálculo anualizado, o número vai ficar entre 4% e 5%, o que representa uma melhora em relação aos meses anteriores, quando essa taxa estava perto de 6%”, explica.

Assim, ele acha que é possível que o Copom possa acelerar o processo de queda da Selic na reunião da semana que vem. “Esses números permitem uma posição agressiva. A gente tem o cenário-base de corte de 25 pontos-base, mas com chance de uma redução de 50 pontos-base depois desses resultados, especialmente por essa questão dos núcleos de serviços”, completa Kautz.

Fitch eleva nota do Brasil

A agência de classificação de risco Fitch elevou a nota de crédito do Brasil de BB- para BB, com perspectiva estável, apontando que fiscal e desempenho macroeconômico estão melhor do que o esperado.

Para Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset, a notícia é similar à da S&P de junho, sem grande impacto sobre câmbio, Ibovespa ou juros futuros. Isso porque o Brasil continua abaixo do investment grade. O país está a três degraus do investment grade da S&P e a dois da Fitch.

“A partir do momento em que você tem o grau de investimento, aí assim você passa a receber investimentos estrangeiros de maneira significativa. Porque alguns fundos de pensão nos EUA e na Europa só podem fazer investimentos em títulos de países considerados investment grade”, explica.

A notícia da Fitch também reforçou as apostas em queda de 50 pontos-base da Selic na próxima reunião de política monetária do Banco Central, dia 2 de agosto.

JCP na mira do Governo

O mercado repercutiu fala do ministro Fernando Haddad sobre a intenção de acabar com os juros sobre capital próprio (JCP), uma das formas de distribuição de proventos pelas empresas. 

Atualmente, existem duas maneiras de as empresas distribuírem parte do lucro para os acionistas. 

A primeira ocorre por meio dos dividendos, obrigatórios pela Lei das Sociedades Anônimas, em que a empresa paga Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre os lucros, mas o investidor não paga nada. A reforma do Imposto de Renda, a ser discutida no segundo semestre, pretende tributar os dividendos para pessoas físicas. 

A segunda ocorre por meio dos juros sobre capital próprio, de caráter facultativo, em que a empresa não paga IRPJ e CSLL, mas o investidor paga 15% de Imposto de Renda retido na fonte. Os repasses de juros aos investidores são considerados como despesas e descontados do lucro.

Para Haddad, diversas empresas estão zerando os lucros artificialmente para transformá-los em juros sobre capital próprio. Segundo ele, há empresas muito rentáveis que não declaram lucro e, portanto, não pagam Imposto de Renda Pessoa Jurídica. 

·         Leia também: Fim dos juros sobre capital próprio (JCP) – o que pode mudar para o investidor?

EQI Asset revisa projeção da inflação

A EQI Asset revisou nesta quinta-feira (27) sua projeção para a inflação oficial (IPCA) para os anos de 2023 e 2024: agora, a gestora estima inflação em 4,9% e em 3,7% ao ano, respectivamente.

“A gente estava assumindo um câmbio com taxa mais alta e fizemos uma revisão para baixo, próxima de R$ 4,50 para este ano e de R$ 4,80 para no que vem. Com isso, nossa expectativa para o IPCA de 2023 caiu de 5,3% para 4,9%. E para o ano que vem, teve redução de 4,1% para 3,7%”, explica Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset.

Os impactos nos preços, ele diz, viriam especialmente dos itens industriais, mais sensíveis à taxa de câmbio, e também, em menor medida, dos alimentos.  Entenda aqui.

Temporada de balanços

A temporada de balanços do segundo trimestre seguiu na semana, com destaque para a Vale (VALE3), que reportou lucro líquido de US$ 892 milhões no 2TRI23, com queda de 78%. A empresa vai pagar R$ 8,2 bilhões em juros sobre o capital próprio (JCP) dia 1 de setembro.

Petrobras (PETR3; PETR4) é o destaque da semana que vem. Veja o calendário completo de divulgações.

Resumo da semana no exterior

Fed vem em linha

Como esperava o mercado, o Federal Reserve (Fed) subiu os juros em 25 pontos-base, para o intervalo entre 5,25% e 5,50%. E deixou em aberto os próximos passos. 

O economista-chefe da EQI Asset, Stephan Kautz, acredita que o Fed preferiu se mostrar mais neutro em seu posicionamento, depois de sinalizar no mês passado a possibilidade de mais uma alta além desta até o fim do ano.

“O posicionamento do comunicado e também as falas do presidente mostram que a decisão sobre uma próxima alta de juros virá somente a partir dos próximos dados. Acreditamos que a atividade vai se reduzir e a inflação deve cair, o que abre caminho para que não haja mais altas ou, se houver, que a próxima talvez não seja em setembro, mas na reunião seguinte, em novembro”, afirma o analista.

Fed aumenta pressão sobre bancos

O Federal Reserve (Fed) decidiu elevar a exigência de capital para grandes bancos, após o último teste de estresse. A decisão visa endurecer as regras para os grandes bancos norte-americanos depois do colapso de instituições financeiras regionais no início do ano. As novas regras, no entanto, não tiveram consenso nem dentro do Fed e ficarão abertas à consulta pública até o fim de novembro.

BCE sobe juros

Depois do Fed, foi a vez de o Banco Central Europeu (BCE) subir o juro da zona do euro em 25 pontos-base, para 4,25%. Por lá, a expectativa também é por fim de ciclo, com paralisação dos juros por tempo prolongado.

PCE melhor que o esperado

PCE dos EUA, índice de preços preferido pelo Fed para acompanhar o cenário da inflação do país, ficou em 0,2% em junho, uma leve alta em relação a maio, quando havia ficado em 0,1%. No acumulado dos últimos 12 meses, o resultado é de 3%, ante 3,8% em maio.

O economista-chefe da EQI Asset, Stephan Kautz, afirma que os números são positivos, pois mostram uma queda consistente das pressões inflacionárias.

“Quando a gente isola os núcleos de serviços, vê alguns números que chegaram a perto de 0,40% alguns meses atrás e hoje estão em 0,10%, o que mostra uma desaceleração mais sólida nos números da inflação”, explica.

O analista diz que mantém a projeção de que o Fed não deverá realizar novas altas de juros, ainda que o cenário de aperto monetário possa permanecer.

“Nossa visão é de que não será necessário um novo aumento e que os números serão satisfatórios para o Fed, ainda que ele tenha deixado em aberto a possibilidade de mais uma alta”, conclui Kautz.

PIB dos EUA sobe 2,4%

O Produto Interno Bruto dos Estados Unidos subiu 2,4% na primeira estimativa para o segundo trimestre de 2023.

Os dados ficaram acima a projeção de consenso do mercado, cuja estimativa média era de 1,9% de alta.

No primeiro trimestre, o aumento real do PIB havia ficado em 2%.

Balanços das big techs

A semana foi marcada pelos balanços das big techs. A Alphabet (GOOGL; GOGL34) reportou lucro líquido de US$ 18,37 bilhões, com alta de 14,7% em relação ao mesmo período de 2022. A Microsoft (MSFT; MSFT34) reportou lucro líquido de US$ 20,1 bilhões, com alta de 20,3%. 

A Meta (META; M1TA34) obteve lucro líquido 16% maior, com US$ 7,788 bilhões. 

E a Intel (INTC; ITLC34) surpreendeu com lucro líquido de US$ 1,5 bilhão no segundo trimestre, revertendo prejuízo. 

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