A Natura (NATU3) anunciou um acordo de US$ 67 milhões para encerrar definitivamente o caso Chapman, nos Estados Unidos, último litígio relevante ligado à antiga subsidiária Avon Products, Inc. (API), em um desdobramento considerado negativo e inesperado pelo mercado, mas que tende a representar o desembolso final relacionado à reestruturação da Avon, segundo avaliações de analistas.
Na leitura da Ativa Research, a decisão desfavorável na Corte de Apelação da Califórnia e o acordo para encerrar o caso não eram esperados e configuram um evento negativo para a companhia, ainda que o impacto financeiro deva ser parcialmente mitigado pelos recursos provenientes das vendas da Avon CARD e da Avon Rússia.
Já a XP avalia que, embora o desfecho seja um desenvolvimento inesperado na reestruturação corporativa da Avon, a expectativa é de que este seja o desembolso final relacionado ao tema, com efeito suavizado pelas recentes alienações e manutenção de uma visão construtiva para a tese da companhia.
A companhia informou em fato relevante divulgado nesta segunda-feira (23) que a decisão ocorre após a Corte de Apelação da Califórnia confirmar a sentença de primeira instância desfavorável à Avon Products, Inc. (API) no caso Chapman, relacionado a alegações de contaminação por amianto em produtos de talco.
O valor atualizado da condenação seria de aproximadamente US$ 68,8 milhões, levando a empresa a firmar um acordo no montante de US$ 67 milhões — cerca de R$ 346 milhões — para encerrar o litígio de forma definitiva.
O pagamento está previsto para 6 de março de 2026 e, segundo a companhia, o valor já estava devidamente provisionado nas demonstrações financeiras de 31 de dezembro de 2025, registrado na linha de operações descontinuadas.
A empresa explicou ainda que, no contexto do processo de Chapter 11 da API nos Estados Unidos, uma subsidiária do grupo contratou um seguro garantia vinculado ao recurso de apelação e, para viabilizar essa estrutura, assumiu a responsabilidade pelo pagamento de eventual condenação no caso.
“A realização deste acordo não constitui reconhecimento de culpa ou de prática de atos irregulares da Companhia e/ou de suas Controladas e atende aos seus melhores interesses, tendo em vista as peculiaridades da legislação norte-americana, bem como o estágio processual e os elevados encargos financeiros aplicáveis”, informou a companhia, em fato relevante.
Impacto financeiro da Natura deve ser parcialmente compensado por desinvestimentos
Do ponto de vista financeiro, a Natura destacou que os impactos do desembolso deverão ser majoritariamente compensados por recursos provenientes de desinvestimentos já anunciados, incluindo o recebimento de US$ 22 milhões referentes à venda da Avon CARD (América Central e República Dominicana) e de € 26,9 milhões relacionados à venda da Avon Rússia.
O caso tem origem em alegações de que produtos à base de talco da Avon teriam contribuído para o desenvolvimento de doenças associadas à exposição ao amianto, discussão que resultou na condenação da antiga controlada na Justiça norte-americana e motivou os recursos judiciais subsequentes.
Por fim, a companhia ressaltou que o caso Chapman representa a última obrigação relacionada aos litígios da API, sendo o único processo judicial sobre o qual ainda possuía algum tipo de responsabilidade financeira ou de outra natureza.
Com o encerramento do litígio, a Natura afirma concluir sua participação nas disputas envolvendo a antiga controlada e reforçar o foco no crescimento das operações na América Latina.
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