Por que ter criptomoedas em seu portfólio? Em palestra na Money Week, evento da EQI Investimentos, realizado em Balneário Camboriú, Santa Catarina, Augusto Pezzini, CIO da Metrix, e Safiri Felix, investidor profissional, explicaram como investir em Bitcoin, quais são os prós, como este mercado está em ascensão e o que acontece no pós-halving, quando a moeda pode bater os US$ 100 mil.
“O investidor precisa ter criptomoedas no portfólio porque os atuais produtos populares no mercado Brasil não vencem a diluição monetária criada pelo governo”, afirma o CIO da Metrix.
Para Agusto Pezzini, no contexto atual, qualquer investimento que renda menos do que 13% ao ano é uma perda de dinheiro. “Essa é a minha principal tese de Bitcoin, por exemplo: o Bitcoin é imune à expansão monetária, imune à impressão de dinheiro, porque ninguém controla o Bitcoin”, explica Augusto, que critica os investimentos tradicionais: “Se o CDI é perda fixa, o Ibovespa é perda fixa com emoção.”
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Bitcoin a US$ 100 mil: a tecnologia blockchain
Segundo Augusto, o blockchain é tecnologia e, por isso, um investimento que seria recomendado além das criptomoedas é investir em ações e fundos da Nasdaq. “A gente teve na Nasdaq um múltiplo de 23 nos últimos 15 anos, isso é um investimento bom. Tecnologia é ganho de eficiência e produtividade, e é a única forma de investimento que adiciona valor para a sociedade”, comenta.
Com o mundo cada vez mais incerto e múltiplas crises simultâneas ocorrendo em diversos lugares, Felix comenta que uma das poucas coisas que são garantidas é que a cada 10 minutos o blockchain do Bitcoin vai fechar um bloco, remunerar os mineradores e processar todas as transações que aconteceram na rede naquele intervalo de tempo.
“Então, acho que a grande beleza do Bitcoin é que hoje existe uma alternativa a esse cenário que estamos. A gente tem um sistema monetário controlado por software, com regras imutáveis e que funciona sem nenhum downtime (tempo de inatividade, em tradução livre) desde 2009, quando as primeiras moedas passaram a ser emitidas”, afirma o investidor.
Diferenciais do Bitcoin
Para além de um cenário sem controle direto do sistema monetário, um outro ponto de destaque é a escassez digital programada. Para Felix, esse é um dos grandes diferenciais do Bitcoin. Todo e qualquer ativo tem uma relação de produção diretamente derivada do seu preço, ou seja, se o investidor tiver uma Ação que dobre de valor, existe um incentivo natural para que essa empresa emita mais Ações do mercado e se capitalize cada vez mais.
“No caso do Bitcoin isso é indiferente. O Bitcoin pode dobrar, duplicar, quadruplicar de preço e a sequência da emissão vai continuar a mesma. Estamos falando de um ativo que tem uma oferta inelástica e a gente já está muito próximo ao final disso”, explica Safiri relembrando que ao todo já se tem mais de 19 milhões dos 21 milhões de Bitcoins previstos para emissão. “Esses ativos já estão na mão de pessoas cada vez mais convictas da tese que tem um incentivo cada vez maior a acumular ao invés de se desfazer das suas moedas.”
Apontando incertezas do mercado e altas volatilidades, Safiri pensa que quem tem algum nível de desconfiança com o mundo e o caminho que as coisas estão tomando no mercado deveria considerar fortemente alocação em Bitcoin. Mas ele relembra que o tamanho da alocação deve depender do perfil do investidor e dos outros ativos que tiver no portfólio.
Pós-halving: entenda o que vem por aí
O halving é um evento que reduz pela metade a recompensa por bloco minerado nas redes de criptomoedas, como o Bitcoin. Este processo, que ocorre aproximadamente a cada quatro anos, tem um impacto significativo na oferta e, consequentemente, no preço das criptomoedas. Historicamente, após cada halving, o valor do Bitcoin tende a aumentar devido à escassez crescente, gerando expectativas otimistas para o mercado cripto.
No início deste ano foi feita a aprovação dos ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos e esses ativos já somam US$ 18 bilhões. Este foi o melhor lançamento de ETFs da história. Além disso, no mês passado tivemos as aprovações dos ETFs de Ethereum. E mais recentemente da Solana no Brasil.
De acordo com Pezzini, essa novidade aumenta a clareza regulatória da criptomoeda, diminui a flexão de investimento de grandes investidores e traz um motor de vendas que o Bitcoin nunca teve antes. Ele ressalta ainda que “anteriormente, era possível ver apenas youtubers falando de Bitcoin, hoje temos a BlackRock ativamente e pessoas profissionalizadas fazendo esse marketing”.
Eleições americanas e expectativa de Bitcoin a US$ 100 mil
Nos Estados Unidos, as criptomoedas são pauta até mesmo na corrida presidencial. Já no Brasil o assunto não entra em pauta quando se trata de política. “É muita arrogância nossa ou ignorância, ou ambos. O Bitcoin já é uma realidade lá fora e precisa se tornar uma realidade aqui no Brasil também”, ressalta o CIO da Metrix.
Felix aponta ainda que esse é um processo de amadurecimento e os primeiros frutos começam a ser colhidos agora. O trabalho de vender a tese ao mercado tradicional não começou ontem, ele vem pelo menos há uns 6 anos, quando o Bitcoin passou a ser encarado de uma maneira um pouco mais séria por parte do mercado financeiro convencional.
“Agora a gente venceu essas limitações. Eu costumo dizer que o Bitcoin foi chamado para sentar na mesa dos adultos”, comenta Felix. De acordo com ele, a tendência é que alocações estruturais em Bitcoin sejam consideradas e então se tenha a conjunção favorável de um ativo extremamente escasso de um lado, que acaba afetando a ponta da oferta e, do outro lado, uma demanda que sempre foi crescente, mesmo nos períodos de baixa.
“A perspectiva que temos é de ter até o final do ano um ciclo ainda mais positivo. Imagino que, em 2025, diante de um cenário de vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, a cotação vá longe e busque novos patamares”, explica.
Perspectivas do mercado cripto
A regulação dos ETFs em vários lugares do mundo é um fator bastante positivo para os criptoativos. “Hoje o ETFs estão distribuídos nas principais plataformas e, agora, com seis meses de negociação desses ativos, várias gestoras passam a recomendar ativamente essa alocação para os seus clientes”, comenta Felix.
Já nos Estados Unidos, a SEC, agência reguladora do país, que seria como a Comissão de Valores Mobiliário (CVM), fez o que pode para atrasar o desenvolvimento do mercado cripto ao longo dos últimos anos, mas agora a perspectiva é de uma melhora dessa pressão, segundo o investidor.
Para Felix, o corte de juros nos Estados Unidos pelo FED é um fator que deve afetar todos os ativos de risco no mundo. “O juro americano é o preço mais importante do mundo e, a partir do momento em que ele diminuir o prêmio, a perspectiva é de que parte do capital que estava alocado em treasuries migre para ativos de risco”, explica.
Sendo o Bitcoin uma alternativa bastante atraente, ele explica que a conjunção desses fatores tende a colocar o preço no alvo de curto prazo imediato, que seria próximo a US$ 100 mil.
Por que investir primeiro em Bitcoin?
De acordo com Felix, ninguém deveria comprar nenhuma outra criptomoeda antes de ter uma posição robusta em Bitcoin. “O Bitcoin é o padrão ouro desse mercado”, diz.
Da mesma forma que para alguém que vai começar a investir em Ações é arriscado iniciar comprando uma única Ação, é mais interessante que, havendo condições, se monte um portfólio diversificado logo de largada, que pode ser feito via ETFs e fundos, que já fazem esse diversificação automaticamente.
Para investimento direto em criptomoeda, se dá o inverso. A recomendação é ter posição robusta em Bitcoin antes de partir para outras moedas. “É importante salientar que existem centenas, milhares de criptoativos, mas 99,9% deles têm uma performance muito inferior a que o Bitcoin teve ao longo dos anos. E todos eles só têm performance positiva nos ciclos de alta do Bitcoin”, explica.
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