Home
Notícias
Mercados
Goldman Sachs: fim de incentivo pode levar Petrobras a subir diesel em 50% após a eleição

Goldman Sachs: fim de incentivo pode levar Petrobras a subir diesel em 50% após a eleição

Banco americano calcula reajuste caso termine benefício adicional aos importadores; cenário-base mantém preços estáveis, e alta teria efeitos distintos entre empresas

A Petrobras (PETR4) poderia elevar em cerca de 50% o preço do diesel vendido às distribuidoras caso termine o subsídio adicional concedido aos importadores, segundo uma análise do Goldman Sachs. O cálculo considera o aumento necessário para aproximar a remuneração da estatal da referência internacional de importação.

A hipótese, porém, não integra o cenário-base do banco, que continua trabalhando com preços inalterados até o fim de 2026. A incerteza sobre a renovação do incentivo é o principal motivo para essa premissa. Se ocorrer, o reajuste poderia melhorar as margens de refino da Petrobras e elevar em aproximadamente 20% o diesel nas bombas, estima a instituição.

Por que o incentivo aos importadores limita o reajuste

O ponto central da análise é a diferença entre os benefícios concedidos ao diesel produzido no país e ao combustível importado. Em outubro, o governo anunciou uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro aos importadores, por 30 dias, somada aos R$ 2,12 por litro já previstos. O Ministério da Fazenda informou que a medida busca preservar a viabilidade das importações e assegurar o abastecimento.

Publicidade
Publicidade

Com isso, o incentivo ao produto importado chega a R$ 3,52 por litro, acima do valor destinado à produção nacional considerado pelo Goldman. Na avaliação do banco, essa diferença permite que importadores ofereçam combustível a preços competitivos e restringe o espaço da Petrobras para aumentar suas tarifas sem perder mercado.

Nas referências utilizadas pelos analistas, a estatal cobra R$ 3,31 por litro das distribuidoras. Acrescido o subsídio de R$ 2,12, o valor recebido chega a R$ 5,43 por litro, frente a uma paridade de importação estimada em R$ 6,89. A diferença equivale a uma remuneração cerca de 21% abaixo da referência internacional.

A paridade de importação representa uma estimativa do custo de trazer o combustível do exterior. Para aproximar a receita da Petrobras desse patamar, o Goldman calcula um acréscimo de aproximadamente R$ 1,50 por litro, ou um reajuste da ordem de 50% sobre o preço cobrado às distribuidoras.

O fim do benefício extra aos importadores poderia alterar as condições de concorrência e abrir espaço para esse ajuste. O banco avalia que decisões relevantes sobre preços devem ficar para depois do segundo turno das eleições.

Leia também:

Petrobras pode ganhar, enquanto distribuidoras e inflação sentem pressão

Uma eventual alta seria favorável ao resultado do refino da Petrobras, segundo o Goldman, e poderia levar as margens do quarto trimestre a superar as estimativas atuais do banco.

Para Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3), a leitura é menos favorável, porque parte relevante do diesel adquirido pelas companhias vem de refinarias locais. O banco mantém recomendação neutra para as duas empresas, citando a rentabilidade próxima do pico e múltiplos das ações que já não considera baratos.

Já a Rumo (RAIL3) aparece como possível beneficiária indireta. O raciocínio é que o encarecimento do transporte rodoviário poderia aumentar a competitividade do transporte ferroviário.

Para o consumidor, a estimativa de alta próxima de 20% nas bombas é diferente do reajuste de 50% calculado para as vendas da Petrobras às distribuidoras. No cenário desenhado pelo Goldman, o efeito direto sobre o IPCA seria de 0,05 a 0,06 ponto percentual.

O maior impacto viria da transmissão dos custos de transporte aos demais preços da economia. O banco calcula um efeito indireto de 0,16 a 0,18 ponto percentual, levando a pressão total sobre a inflação a 0,21 a 0,24 ponto percentual.