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Ações: o que são, como funcionam e como investir

Ações: o que são, como funcionam e como investir

Entenda o que são ações, como funciona a negociação em bolsa, quais são os principais tipos de papéis e o que avaliar antes de começar a investir

Nos últimos anos, a bolsa brasileira ampliou bastante a base de investidores pessoa física, mas ainda há muitas dúvidas sobre como começar, quais empresas escolher e como lidar com os riscos do mercado. A pergunta central continua sendo a mesma: afinal, como investir em ações de forma mais consciente?

Antes de tudo, é importante entender o que uma ação representa. Ações são valores mobiliários que correspondem a frações do capital social de uma empresa. Quando o investidor compra uma ação, ele se torna sócio daquela companhia e passa a participar, em alguma medida, de seus resultados.

Isso coloca o investidor dentro do universo da renda variável, em que preços oscilam e não existe rentabilidade pré-definida.

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Como começar a investir?

O primeiro passo para quem quer investir em ações é compreender que esse tipo de ativo não funciona como um título de renda fixa. O retorno depende do desempenho da empresa, das condições do mercado e do preço que outros investidores estão dispostos a pagar pelo papel na bolsa. É justamente por isso que estudar antes de comprar faz tanta diferença.

Para que uma empresa possa vender suas ações ao público, ela precisa abrir capital. Esse processo, conhecido como IPO, submete a companhia às regras do mercado de capitais e permite que seus papéis passem a ser comprados e vendidos em bolsa. A partir daí, o investidor consegue negociar essas ações por meio de uma corretora.

Por que vale a pena investir em ações?

Quem compra ações normalmente busca duas formas principais de ganho. A primeira é a valorização do papel ao longo do tempo. Se a empresa cresce, melhora resultados e o mercado passa a enxergar mais valor naquele negócio, a ação pode subir, permitindo lucro na venda.

A segunda forma é o recebimento de proventos, principalmente dividendos. Pela Lei das S.A., o estatuto pode definir a política de distribuição; quando ele é omisso, o dividendo obrigatório não pode ser inferior a 25% do lucro líquido ajustado. Ou seja, o acionista também pode ganhar dinheiro sem vender a ação, por meio da distribuição de parte do lucro.

Quais são os tipos de ações?

Na bolsa, os tipos mais conhecidos são as ações ordinárias (ON) e as ações preferenciais (PN). A principal diferença entre elas está nos direitos que cada uma confere ao acionista.

A B3 resume bem esse ponto: as ordinárias dão direito de voto nas assembleias, enquanto as preferenciais costumam oferecer vantagem econômica, como dividendos superiores e prioridade no reembolso de capital, conforme a estrutura da companhia e a legislação aplicável.

Ações ordinárias (ON)

As ações ordinárias são, em geral, as mais associadas ao conceito clássico de participação societária. Elas costumam carregar o número 3 no ticker, como PETR3, e dão ao investidor direito de voto nas assembleias. Para quem busca participação mais direta nas decisões da empresa, esse costuma ser o tipo de ação mais relevante.

Ações preferenciais (PN)

As ações preferenciais normalmente aparecem com o número 4 no ticker, como PETR4. Em regra, elas não oferecem o mesmo direito de voto das ordinárias, mas podem trazer prioridade econômica, como dividendos em valor no mínimo 10% superior ao das ON e preferência no reembolso de capital em caso de liquidação ou falência, conforme a legislação e o estatuto social.

O ponto importante aqui é não tratar PN como sinônimo automático de “dividendo fixo permanente”, porque isso depende da estrutura de cada empresa.

Quanto custa investir em ações?

Não existe um valor mínimo fixo universal para investir em ações. O custo de entrada depende do preço do papel e da quantidade comprada. No mercado padrão, as ações costumam ser negociadas em lotes de 100 unidades. Já no mercado fracionário, é possível comprar de 1 a 99 ações, o que reduz bastante a barreira de entrada para o investidor iniciante.

Também é importante considerar os custos da operação. Algumas corretoras cobram corretagem, outras operam com taxa zero, e ainda há custos operacionais da bolsa e tributação sobre ganho de capital. Hoje, a referência mais comum para pessoa física é 15% de IR sobre ganhos em operações comuns com ações acima do limite mensal de isenção, e 20% em day trade. A B3 também indica que permanece a isenção para vendas de ações de até R$ 20 mil por mês no mercado à vista.

Leia também:

Como investir em ações: conheça as estratégias

Outro ponto importante é entender que existe mais de uma forma de investir em ações.

Buy and hold

No buy and hold, o investidor compra boas empresas e permanece com elas por muitos anos. É a estratégia mais associada ao longo prazo e à análise de fundamentos. A ideia central não é lucrar com um movimento curto do mercado, mas capturar o amadurecimento do negócio, o crescimento dos resultados e a eventual distribuição de dividendos ao longo do tempo.

Day trade

No day trade, a lógica é oposta. O investidor compra e vende no mesmo dia, tentando aproveitar oscilações curtas de preço. É uma estratégia muito mais arriscada, exige bagagem técnica, controle emocional e entendimento operacional bem superior ao exigido no buy and hold. Para quem está começando, tratar day trade como porta de entrada para a bolsa costuma ser um erro.

Carteira de dividendos

Outra estratégia conhecida é montar uma carteira focada em dividendos. Nesse caso, o investidor se concentra mais na geração de renda passiva do que na valorização imediata dos papéis. Empresas de setores mais maduros, como energia, saneamento, bancos e telecomunicações, costumam aparecer com frequência nesse tipo de carteira por terem fluxo de caixa mais previsível e menor necessidade relativa de reinvestimento.

Quais são os riscos e vantagens de investir em ações?

A principal vantagem das ações está no potencial de retorno. Diferentemente da renda fixa, elas podem entregar crescimento patrimonial relevante no longo prazo, além de dividendos. Também permitem diversificação entre setores, modelos de negócio e teses de investimento.

O risco, porém, também é maior. A ação pode cair, pode passar anos sem entregar a valorização esperada e pode até gerar prejuízo ao investidor que vende em momento ruim. Além disso, o mercado é volátil e nem todo mundo lida bem com oscilações diárias. Por isso, investir em ações exige horizonte de tempo, tolerância a risco e um mínimo de método.

Mais sobre como investir em ações: entenda a análise fundamentalista

A análise fundamentalista continua sendo a metodologia mais associada ao investidor de longo prazo. Ela reúne informações contábeis, financeiras, setoriais e macroeconômicas para avaliar se uma empresa faz sentido como investimento. Em vez de olhar apenas para o gráfico, o investidor analisa a qualidade do negócio.

Entre os indicadores mais usados nessa abordagem estão P/L, P/VP, EV, Ebitda, Dívida Líquida/Ebitda, Dívida Líquida/PL, ROE (Return on Equity), ROIC, ROA e Dividend Yield.

Top down, bottom up e valuation

No top down, o investidor começa pelo cenário macroeconômico, passa pelo setor e só depois chega à empresa. No bottom up, o caminho é inverso: primeiro o negócio, depois governança, números e, por fim, contexto macro. As duas abordagens seguem úteis e podem ser complementares.

Já o valuation continua sendo a tentativa de estimar quanto uma empresa vale. Isso pode ser feito por fluxo de caixa descontado, múltiplos de mercado, valor patrimonial ou, em situações específicas, valor de liquidação. O ponto principal aqui é evitar tratar valuation como ciência exata: ele é uma ferramenta de estimativa, não uma promessa de retorno.

Vale a pena investir em ações?

Vale, mas não de qualquer jeito. Ações fazem sentido para quem entende que rentabilidade maior costuma vir acompanhada de mais risco, mais volatilidade e mais necessidade de análise. Para o investidor que consegue pensar no longo prazo, diversificar e evitar decisões por impulso, elas podem ser uma peça importante da carteira.

FAQ sobre ações

Se você está começando na bolsa, é normal ter dúvidas sobre o que são ações, como funciona a compra e venda dos papéis e quais riscos existem nesse tipo de investimento. Abaixo, reunimos respostas diretas para as perguntas mais comuns sobre o tema.

O que são ações?

Ações são títulos que representam partes do capital social de uma empresa. Quando o investidor compra uma ação, torna-se sócio da companhia emissora.

Como uma empresa passa a negociar ações na bolsa?

Para vender ações ao público, a empresa precisa abrir capital. Esse processo é conhecido como IPO e segue regras específicas para que os papéis possam ser negociados na bolsa.

Como o investidor ganha dinheiro com ações?

Há duas formas principais. A primeira é a valorização da ação ao longo do tempo. A segunda é o recebimento de dividendos, quando a empresa distribui parte do lucro aos acionistas.

Quais são os principais tipos de ações?

Os tipos mais conhecidos são as ações ordinárias (ON) e as ações preferenciais (PN). As ON costumam dar direito a voto, enquanto as PN normalmente oferecem vantagens econômicas, como prioridade em dividendos ou reembolso de capital, conforme a estrutura da empresa.

O que são ações ordinárias?

São as ações que, em geral, concedem direito de voto ao acionista. Na bolsa brasileira, costumam aparecer com o número 3 no ticker, como PETR3.

O que são ações preferenciais?

São ações que normalmente não dão o mesmo direito de voto das ON, mas podem trazer prioridade econômica, como dividendos maiores ou preferência no reembolso de capital, conforme o estatuto da companhia. Na bolsa, costumam aparecer com o número 4, como PETR4.

Existe valor mínimo para investir em ações?

Não existe um valor mínimo fixo universal. O custo depende do preço da ação e da quantidade comprada. No mercado fracionário, o investidor pode comprar menos de 100 ações.

O que é mercado fracionário?

É o ambiente em que o investidor pode negociar entre 1 e 99 ações, sem precisar comprar o lote padrão de 100 papéis.

Ações pagam dividendos?

Podem pagar, sim. O texto explica que essa é uma das formas de ganho do investidor, além da valorização do papel.

O que é buy and hold?

É uma estratégia de longo prazo em que o investidor compra boas empresas e permanece com elas na carteira por muitos anos, focando fundamentos e crescimento do negócio.

O que é day trade?

É a estratégia em que a compra e a venda da ação acontecem no mesmo dia, tentando aproveitar oscilações curtas de preço. O texto destaca que essa abordagem exige mais bagagem técnica e experiência.

Quais são os principais riscos de investir em ações?

O principal risco é a oscilação de preço. Diferentemente da renda fixa, não há garantia de rentabilidade. O investidor pode vender a ação por valor inferior ao de compra e sofrer com a volatilidade do mercado.

Quais são as vantagens de investir em ações?

As principais vantagens são o potencial de valorização, o recebimento de dividendos e a possibilidade de diversificar a carteira entre empresas de setores diferentes.

O que é análise fundamentalista?

É a metodologia que reúne dados contábeis, financeiros, setoriais e macroeconômicos para avaliar se vale a pena investir em uma empresa.

Quais indicadores costumam ser usados para analisar ações?

Quais indicadores costumam ser usados para analisar ações?

Cláudia Zucare
Escrito porCláudia Zucare Editora-chefe

Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV, MBA em Finanças e Educação Financeira pela Unisinos, e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.