A Petrobras (PETR4) pode distribuir dividendos acima do esperado pelo mercado no terceiro trimestre de 2026. É o que avalia o BTG Pactual (BPAC11), no qual o banco considera conservadora a projeção do consenso, de US$ 3,2 bilhões em proventos. Para o BTG, o valor deve ficar entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,2 bilhões, o que representa um dividend yield trimestral de 2,4% a 2,7%.
No cenário-base do banco, o fluxo de caixa livre, calculado conforme a fórmula da própria Petrobras, seria de cerca de US$ 9 bilhões, o que levaria a um dividendo trimestral em torno de US$ 4 bilhões. O BTG fez ainda sensibilidades com diferentes níveis de Ebitda e de investimentos, e todas indicam que a faixa de US$ 3,8 bilhões a US$ 4,2 bilhões é a mais provável.
O principal motor da divergência está na produção. Segundo o BTG, a Petrobras elevou a produção para cerca de 2,84 milhões de barris por dia no terceiro trimestre, ante 2,69 milhões no segundo, o que compensa parcialmente a queda de aproximadamente 6% do Brent no período. O banco avalia que a meta de produção da companhia para 2026 é conservadora.
Com isso, a estimativa preliminar do BTG para o Ebitda do trimestre é de cerca de US$ 20 bilhões, contra US$ 17,1 bilhões do consenso. O banco considera razoável uma faixa de US$ 19 bilhões a US$ 21 bilhões, por entender que o mercado ainda não incorporou totalmente nem a produção mais forte nem o ambiente de preços do petróleo.
Na área de exploração e produção, o Ebitda projetado é de aproximadamente US$ 16,6 bilhões. No refino e comercialização, o BTG espera resultado de cerca de US$ 4 bilhões, com margem de aproximadamente US$ 22 por barril equivalente de petróleo, ante cerca de US$ 20 no segundo trimestre. O desempenho é apoiado por margens de refino robustas, volumes sólidos e pelas subvenções ao diesel.
Investimentos podem acelerar
O banco também espera uma aceleração no ritmo de investimentos. A Petrobras tem sinalizado a possibilidade de ampliar o capex em exploração e produção, sobretudo em Búzios, além de trabalhar em projetos de refino já existentes. O BTG assume cerca de US$ 5 bilhões de capex em caixa no trimestre, o que levaria o total de 2026 a aproximadamente US$ 20 bilhões.
O capital de giro é o ponto de maior incerteza. O BTG projeta consumo de cerca de US$ 521 milhões no trimestre, mesmo com os US$ 2,2 bilhões recebidos do governo referentes à subvenção, frente a US$ 3,3 bilhões em recebíveis gerados. Segundo o banco, a subvenção maior por litro, somada ao aumento das vendas de derivados com a maior utilização das refinarias, deve continuar pressionando o capital de giro.
Ação segue como preferida
O BTG mantém a ação da Petrobras (PBR) como sua principal escolha, apostando em uma possível revisão para cima das estimativas do consenso no curto prazo. Além da produção forte, o banco cita preços elevados no refino, considerando as subvenções ao diesel e um possível reajuste dos combustíveis após as eleições, e o plano estratégico que a companhia deve anunciar em 23 de novembro.
Os dados operacionais do trimestre serão divulgados em 28 de outubro e devem trazer insumos mais precisos para as projeções, completa o BTG.
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