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Ações da Petrobras representam boa oportunidade; entenda

Ações da Petrobras representam boa oportunidade; entenda

Apesar de elevar para Compra, a casa de análise mantém por ora o preço-alvo em R$ 45, para PETR3 e PETR4

Diante da escalda das tensões no cenário geopolítico, a ação da Petrobras (PETR4) é agora uma boa oportunidade para os investidores. Assim avalia relatório do BB Investimentos, que elevou a recomendação para o papel – que antes tinha recomendação Neutra. Apesar de elevar para Compra, a casa de análise mantém por ora o preço-alvo em R$ 45, tanto para PETR3 quanto para PETR4.

De acordo com o relatório, a tese de investimento na companhia é fundamentada em alguns pilares, como o pré-sal, que possui um dos menores custos de extração (lifting cost) do mundo (de aproximadamente US$ 6/barril), o que mitiga riscos mesmo em um cenário de preços de petróleo mais baixos, ao mesmo tempo em que traz um potencial de valorização expressivo quando os preços disparam, como as dinâmicas atualmente observadas no mercado.

Conta também, a mais recente escalada das tensões no Oriente Médio, com o tráfego no Estreito de Ormuz retornando a níveis mínimos, além do bloqueio do grupo pirata Houthi à Arábia Saudita com relação aos embarques no Mar Vermelho, o que ameaça uma fatia de mais 7% da oferta global.

“Vemos condições formadas para que os preços do petróleo permaneçam ancorados em um piso estrutural por um tempo maior do que o previsto, algo que beneficia a atuação da Petrobras enquanto produtora de baixo custo sem exposição direta à zona de conflito”, complementa trecho do relatório.

Assim, o BB entende a petroleira deve se beneficiar da persistência do risco geopolítico, que parece ter criado um novo e mais elevado patamar de preços para a commodity.

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Margem para avanço do papel da Petrobras

Corrobora para a análise, de acordo com o relatório, os múltiplos negociados. A relação preço/lucro (P/L) projetado está em de 4,2x e o EV/Ebitda em 3,1x, sugerindo que, apesar dos riscos, existe uma margem para forte avanço do papel caso o cenário favorável para preços de petróleo se intensifique.

No entanto, o BB menciona três riscos que exigem monitoramento e podem comprometer a tese de investimento sobre a Petrobras: uma possível deterioração do ROIC da companhia nos próximos períodos, caso a trajetória dos investimentos (capex) avance sem a respectiva geração de caixa, sendo essa relação fundamental para o equilíbrio de longo prazo em termos de retorno; e eventuais novas mudanças na política de preços, considerando que o modelo atual, por ora, tem contribuído para reduzir a transmissão da volatilidade dos preços internacionais do petróleo ao mercado doméstico de combustíveis.

A casa de análise avalia também que, cabe apontar que essa dinâmica, de maiores preços de petróleo, também tem sido em grande medida um fator de risco para os mercados globais de equity, já que a maior pressão inflacionária global que dela decorre pode levar a uma postura de elevação de juros pelos bancos centrais, o que poderia elevar substancialmente o custo de capital das companhias e gerar um movimento de reprecificação dos ativos, em especial dado o elevado nível de valuation no mercado norte-americano.

“Em suma, ainda que a companhia deva seguir conservadora no repasse da volatilidade para o mercado doméstico, em meio a uma necessidade de importação de cerca de 30% do diesel e de 10% da gasolina consumidos no país, a tese de investimento segue amparada por fundamentos robustos”, completa o relatório.