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IPCA-15 desacelera em outubro, mas inflação em 12 meses sobe para 4,62%

IPCA-15 desacelera em outubro, mas inflação em 12 meses sobe para 4,62%

Apesar da perda de ritmo no mês, o indicador acumula avanço de 4,15% no ano e de 4,62% nos últimos 12 meses

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,32% em outubro de 2026, uma desaceleração de 0,38 ponto percentual em relação à taxa de 0,70% apurada em setembro. Apesar da perda de ritmo no mês, o indicador acumula avanço de 4,15% no ano e de 4,62% nos últimos 12 meses, acima dos 4,47% registrados no período imediatamente anterior. Em outubro de 2025, o IPCA-15 havia subido 0,18%.

Os dados mostram que a desaceleração do índice foi influenciada principalmente pela queda dos preços do grupo Habitação, enquanto Alimentação e Bebidas apresentou a maior variação e o maior impacto sobre a inflação do mês. Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito registraram alta em outubro. As variações oscilaram entre a queda de 0,10% em Habitação e a alta de 0,88% em Alimentação e Bebidas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Alimentação e Bebidas lidera pressão sobre o IPCA-15

O grupo Alimentação e Bebidas avançou 0,88% em outubro, acelerando em relação à alta de 0,40% observada em setembro. O segmento exerceu o maior impacto individual sobre o IPCA-15, com contribuição de 0,19 ponto percentual para o resultado geral.

A principal pressão veio da alimentação no domicílio, que passou de 0,38% em setembro para 1,01% em outubro. Entre os produtos que mais subiram estão o tomate, com alta de 24,54%; a cebola, com 13,63%; a batata-inglesa, com 10,96%; e o arroz, com 5,80%.

Em sentido contrário, alguns itens apresentaram redução de preços. A cenoura recuou 10,67%, enquanto as frutas caíram 1,37% e o café moído teve queda de 1,16%.

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A alimentação fora do domicílio também acelerou, passando de 0,44% em setembro para 0,56% em outubro. O movimento foi influenciado pela refeição, cuja variação aumentou de 0,38% para 0,61%, e pelo lanche, que passou de 0,44% para 0,66%.

Combustíveis sobem, mas passagens aéreas recuam

No grupo Transportes, a variação desacelerou de 0,60% em setembro para 0,05% em outubro. Apesar do resultado mais moderado, os combustíveis exerceram pressão, passando de uma alta de 0,22% para 1,20% no período.

O óleo diesel subiu 3,70%, o etanol avançou 2,73% e a gasolina registrou alta de 0,92%. O gás veicular foi a exceção, com queda de 0,18%.

Por outro lado, as passagens aéreas tiveram recuo de 9,24% e representaram o principal impacto negativo individual sobre o índice de outubro, com contribuição de -0,08 ponto percentual.

Energia elétrica contribui para queda de Habitação

O grupo Habitação passou de alta de 2,07% em setembro para queda de 0,10% em outubro, ajudando a conter a inflação no mês. A principal influência foi a energia elétrica residencial, cuja variação saiu de 7,42% para -0,89%.

Segundo o IBGE, o movimento refletiu a mudança da bandeira tarifária de amarela para verde. Em setembro, a bandeira amarela implicava cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Em outubro, a bandeira verde eliminou essa cobrança adicional.

As variações regionais das tarifas também influenciaram o resultado. Em Fortaleza, a energia elétrica residencial recuou 4,00%, após redução tarifária de 6,65%, em vigor desde 26 de agosto, decorrente da incorporação de recursos da repactuação do Uso de Bem Público (UBP), aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Em Belém, por outro lado, a energia elétrica residencial subiu 3,71%, após reajuste tarifário de 6,63% implementado a partir de 18 de setembro.

Ainda no grupo Habitação, o gás de botijão subiu 1,28% e o aluguel residencial avançou 0,28%. A taxa de água e esgoto registrou queda, influenciada pelo desconto de 25% na tarifa mínima em Curitiba, que contribuiu para o recuo de 8,05% do subitem na região.

Despesas pessoais e demais grupos

O grupo Despesas pessoais registrou alta de 0,55% em outubro, abaixo dos 0,96% observados em setembro. Entre os principais destaques estão os aumentos dos preços de cinema, teatro e concertos, de 4,30%; de pacotes turísticos, de 2,18%; e de empregados domésticos, de 0,62%.

Outros grupos também apresentaram variações positivas. Vestuário subiu 0,53%, após alta de 0,41% em setembro. Comunicação avançou 0,43%, ante 0,54% no mês anterior. Artigos de residência desacelerou de 0,55% para 0,28%, enquanto Saúde e Cuidados Pessoais passou de 0,13% para 0,15%. Educação registrou alta de 0,09%, ante 0,03% em setembro.

Belém tem maior alta regional; Curitiba registra deflação

Entre as 11 áreas pesquisadas pelo IBGE, dez registraram alta do IPCA-15 em outubro. Belém apresentou a maior variação regional, de 0,76%, influenciada principalmente pelos aumentos do tomate, de 17,55%, e da energia elétrica residencial, de 3,71%.

Curitiba teve o menor resultado, com deflação de 0,27%. A queda foi influenciada pelo recuo de 11,58% nas passagens aéreas e de 8,05% na taxa de água e esgoto.

Período de coleta e abrangência do IPCA-15

Para o cálculo do IPCA-15 de outubro de 2026, o IBGE coletou preços entre 16 de setembro e 14 de outubro. Os valores foram comparados com os preços vigentes de 15 de agosto a 15 de setembro.

O indicador considera famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas de Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e do município de Goiânia.

A metodologia do IPCA-15 é a mesma utilizada no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país. A principal diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.

O resultado de outubro indica uma desaceleração da inflação mensal, mas a alta acumulada de 4,62% em 12 meses mostra que a variação dos preços continua relevante. A evolução dos alimentos, dos combustíveis e das tarifas de serviços públicos permanece entre os fatores que ajudam a explicar o comportamento do indicador.

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