A Petrobras (PETR4) deve encerrar 2026 com produção de petróleo acima do limite superior de sua meta, segundo relatório do BTG Pactual (BPAC11) divulgado em 15 de outubro. O banco mantém a estatal como sua principal escolha no setor de petróleo e gás no Brasil e destaca o potencial de geração de caixa e pagamento de dividendos. O próximo plano estratégico da companhia, previsto para novembro, concentra as atenções dos investidores.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a produção de petróleo da Petrobras atingiu média de 2,93 milhões de barris por dia (bpd) em setembro, ante 2,88 milhões de bpd em agosto, avanço de aproximadamente 1,7%.
No acumulado de 2026, a média chegou a 2,71 milhões de bpd, acima da referência de 2,5 milhões de bpd estabelecida pela companhia, com margem de variação de 4%. Diante desse desempenho, o BTG considera cada vez mais provável uma revisão para cima da meta anual.
O banco estima que a produção do terceiro trimestre tenha alcançado 2,86 milhões de bpd, crescimento de aproximadamente 6% em relação aos 2,71 milhões de bpd registrados no segundo trimestre.
Campos do pré-sal sustentam o avanço
O crescimento em setembro foi liderado pelos campos de Tupi, com acréscimo de 39 mil bpd, Búzios, com 16 mil bpd, Marlim, com 14 mil bpd, e Mero, com 5 mil bpd. Esses avanços foram parcialmente compensados pelas quedas em Jubarte, de 10 mil bpd, e Sapinhoá, de 8 mil bpd.
Em Búzios, o aumento da produção das plataformas P-79 e P-75 contribuiu para elevar o volume do campo a aproximadamente 1,058 milhão de bpd. Tupi alcançou 592 mil bpd, enquanto Marlim registrou 221 mil bpd e Mero chegou a 307 mil bpd.
Segundo o BTG, a entrada em operação e a expansão gradual da capacidade das plataformas continuam sendo fatores importantes para o desempenho da estatal. Esse movimento também pode contribuir para elevar as projeções de produção da companhia nos próximos cinco anos.
Parada em Mero pode afetar outubro
Para outubro, o BTG Pactual prevê produção estável ou uma leve redução, devido à interrupção operacional da plataforma FPSO Guanabara, no campo de Mero. Em contrapartida, o avanço da produção das plataformas P-78 e P-79, em Búzios, pode compensar parte desse impacto.
Apesar da possível oscilação mensal, o banco considera que a tendência operacional permanece positiva e reforça a perspectiva de a Petrobras superar o limite superior de sua meta de produção em 2026.
BTG projeta dividend yield de 9% em 2027
Além do desempenho operacional, o relatório destaca as condições econômicas do petróleo e dos combustíveis como fatores favoráveis à geração de caixa da Petrobras.
O BTG estima rendimento do fluxo de caixa livre destinado ao acionista (FCFE) de aproximadamente 11% em 2027 e dividend yield de 9%. As projeções consideram o petróleo Brent a US$ 70 por barril e margens médias de refino da gasolina e do diesel de US$ 35 por barril.
Embora os números indiquem potencial de distribuição de dividendos, os resultados dependerão da evolução dos preços internacionais do petróleo, das margens de combustíveis, dos investimentos e das decisões financeiras da companhia.
Plano estratégico de novembro é o próximo catalisador
O plano estratégico da Petrobras, esperado para novembro de 2026, deve ser um dos principais pontos de atenção dos investidores. Para o BTG Pactual, o desempenho operacional pode justificar metas de produção mais elevadas para 2026 e uma trajetória de crescimento mais forte no horizonte de cinco anos.
O documento também poderá esclarecer as perspectivas de investimentos e geração de caixa da estatal. Com a expectativa de produção acima da meta e potencial de dividendos robustos, o banco reiterou a Petrobras como sua principal escolha no setor brasileiro de petróleo e gás.
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