O Bitcoin hoje (20) operava a US$ 81.389,18 por volta das 10h20, com queda de 0,55% no dia. Em 24 horas, a desvalorização se aproximava de 1%, levando a criptomoeda novamente para perto do suporte de US$ 80 mil.
A baixa acompanhava a piora do apetite por risco nos mercados globais. As ações de tecnologia e inteligência artificial sofriam pressão, enquanto o petróleo Brent superava US$ 110 por barril diante dos novos riscos para a oferta.
Na contramão desse cenário, a demanda institucional dava sinais de recuperação. Os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos receberam US$ 526,7 milhões, e empresas como Strategy e Strive anunciaram novas compras da criptomoeda.
“Mesmo com esse cenário desfavorável, o mercado cripto recebeu sinais positivos vindos dos ETFs e das compras corporativas. No curto prazo, US$ 80 mil segue como principal suporte. Caso seja perdido, os US$ 77 mil voltam ao radar. Para cima, os US$ 85 mil são a primeira resistência importante”, afirmou Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin.
Tecnologia e petróleo pressionam o Bitcoin
A aversão ao risco ganhou força nas bolsas asiáticas. O Kospi, principal índice acionário da Coreia do Sul, caiu mais de 3,7%, pressionado por empresas de semicondutores como Samsung e SK Hynix.
As fabricantes de chips têm atraído parcela relevante do capital direcionado à expansão da inteligência artificial. Uma correção mais forte nesses ativos tende a reduzir o apetite dos investidores por aplicações de maior volatilidade, entre elas as criptomoedas.
O petróleo voltou a subir diante das tensões geopolíticas. O Brent chegou próximo de US$ 113 após ataques à infraestrutura energética russa, novos atritos entre os Houthis e a Arábia Saudita e ameaças às rotas de navegação no Mar Vermelho.
A commodity mais cara pode elevar os custos de transporte e produção, dificultar a desaceleração da inflação e manter os juros elevados por mais tempo. Esse ambiente aumenta a atratividade dos títulos de renda fixa e costuma limitar a procura por ativos mais arriscados.
A queda devolveu o Bitcoin à região dos US$ 81 mil, depois de o ativo recuperar os US$ 83 mil na semana passada. A permanência acima de US$ 80 mil será importante para impedir que a pressão vendedora abra espaço para uma nova busca pelo suporte de US$ 77 mil.
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ETFs e empresas reforçam demanda institucional
Os ETFs à vista de Bitcoin registraram entradas líquidas de US$ 526,7 milhões na segunda-feira (19), o maior resultado diário desde 22 de setembro.
O saldo positivo ocorreu depois de uma semana de retiradas, mas na qual o ritmo das saídas já havia diminuído. Um único pregão não confirma uma reversão, porém a continuidade das entradas pode oferecer sustentação ao preço e favorecer uma recuperação dos US$ 82 mil.
As compras corporativas também prosseguiram. A Strategy adquiriu 267 BTC por US$ 22,1 milhões, ao preço médio de aproximadamente US$ 82,9 mil por unidade. Com a operação, a companhia passou a controlar 848.517 BTC, equivalentes a cerca de 4,04% do limite de 21 milhões de moedas previsto pelo protocolo.
O custo médio da posição da Strategy está próximo de US$ 75,4 mil por Bitcoin. A Strive, por sua vez, comprou 4.045 BTC por cerca de US$ 335 milhões e elevou sua reserva para 36.818 unidades, avaliadas em pouco mais de US$ 3 bilhões.
Outro sinal de maior aceitação institucional veio do JPMorgan Asset Management. O banco incluiu o Bitcoin pela primeira vez em seu relatório anual de retornos esperados para os próximos dez a 15 anos.
A instituição projeta retorno médio de aproximadamente 10% ao ano para a criptomoeda, o maior entre as principais classes de ativos analisadas e acima das estimativas para ações americanas, fundos imobiliários e ouro.
A projeção é bem inferior à valorização anualizada próxima de 63% registrada pelo Bitcoin na última década. A comparação, contudo, exige cautela, porque grande parte desse desempenho ocorreu quando o mercado da criptomoeda era menor, menos desenvolvido e ainda mais volátil.
“O ponto mais importante é justamente a mudança de patamar: mesmo utilizando premissas mais conservadoras, o JPMorgan coloca o Bitcoin como o ativo com maior potencial de retorno esperado entre as classes consideradas no estudo”, explicou Fontes.






