As ações da Americanas (AMER3) chegaram a subir 25,63%, a R$ 7,50, no início do pregão desta terça-feira (20), após a Justiça do Rio de Janeiro decretar o encerramento da recuperação judicial da varejista. A decisão foi comunicada ao mercado na noite de segunda-feira (19).
Às 10h28, no horário de Brasília, os papéis avançavam 22,45%, cotados a R$ 7,31. Na véspera, a ação havia encerrado o pregão a R$ 5,97, com alta de quase 7%.
O que a Justiça decidiu
O juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, reconheceu o cumprimento das obrigações do plano com vencimento nos dois anos seguintes à homologação, ocorrida em 26 de fevereiro de 2024. A administração judicial e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro deram pareceres favoráveis ao encerramento.
A Americanas havia apresentado o pedido em 25 de março de 2026. A sentença também abrange as subsidiárias B2W Digital Lux, JSM Global e ST Importações e determina a comunicação aos registros oficiais para a retirada da expressão “em recuperação judicial” de suas denominações.
“O encerramento da recuperação judicial representa um marco importante na trajetória da Companhia e inaugura uma nova etapa de seus negócios”, afirmou a Americanas, em fato relevante assinado pelo diretor financeiro e de relações com investidores, Sebastien Durchon.
A decisão ainda está sujeita a recursos. O encerramento reconhece o cumprimento das obrigações vencidas no período de fiscalização, enquanto pagamentos com vencimento posterior permanecem sujeitos ao plano. Disputas sobre créditos também podem prosseguir em processos próprios.
“Essa delimitação não deixa credor algum desprotegido. A decisão concessiva constitui título executivo judicial, e qualquer credor que se repute prejudicado por descumprimento de obrigação do plano poderá requerer a execução específica ou a falência”, registrou o magistrado.
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Crédito e continuidade da reestruturação
A saída da recuperação judicial pode ampliar as possibilidades de crédito e de negociação com fornecedores, segundo o presidente-executivo da Americanas, Fernando Dias Soares. Em entrevista à Reuters, ele afirmou que a condição de empresa em recuperação impunha restrições ao aumento dos limites de crédito.
Segundo o executivo, a venda de ativos terá continuidade, e as prioridades da gestão serão o fortalecimento do caixa e a melhora do resultado operacional.
A Americanas entrou com o pedido de recuperação judicial em 19 de janeiro de 2023, com dívidas de aproximadamente R$ 43 bilhões. A crise foi desencadeada pela revelação de inconsistências contábeis inicialmente estimadas em cerca de R$ 20 bilhões.






