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Entenda como a Doença de Newcastle preocupa o mercado

Entenda como a Doença de Newcastle preocupa o mercado

Foco em Santa Catarina leva México a suspender compras de aves do Brasil e eleva riscos comerciais para o setor avícola

A confirmação de um foco da Doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, em Santa Catarina, acendeu o alerta no mercado de proteínas. O caso foi confirmado pelo Ministério da Agricultura em 19 de outubro. A propriedade foi interditada, a movimentação de aves está suspensa e as autoridades trabalham em medidas de contenção e erradicação.

Segundo relatório do Bradesco BBI sobre o setor de alimentos e bebidas, o principal risco da Doença de Newcastle neste momento não é sanitário, mas comercial. O banco avalia que o problema tende a ser de curto prazo, e que seu tamanho dependerá da abrangência e da duração das restrições impostas pelos países importadores.

O México já suspendeu as importações de produtos avícolas de todo o Brasil. Além disso, o país deve interromper voluntariamente as vendas para a China, em linha com o protocolo sanitário firmado entre os dois governos.

O peso de Santa Catarina explica a preocupação. O estado responde por 13% da produção brasileira de frango e por 21% das exportações nacionais do produto. Por isso, o impacto potencial é maior que o observado no foco registrado no Rio Grande do Sul, em 2024.

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Mais frango no mercado interno

Com embarques travados, parte da produção pode ser redirecionada ao mercado doméstico. Nos cenários do Bradesco BBI, esse volume poderia variar de 29 mil a 96 mil toneladas por mês, o que equivale a um aumento de aproximadamente 4% a 12% na oferta local.

O banco ressalva que parte desse volume pode acabar destinada a outros mercados ou ser compensada por embarques originados em outros estados.

Se os bloqueios não forem retirados rapidamente, o excesso de oferta pode pressionar os preços do frango e as margens das empresas no fim de 2026 e no início de 2027. O cenário é agravado pela recente aceleração do alojamento de pintos, que indica maior produção à frente.

Quem está mais exposto

Entre as companhias listadas, a MBRF (MBRF3) é apontada como a mais exposta à Doença de Newcastle. A BRF representa cerca de 78% do Ebitda estimado do grupo para 2026.

A JBS (JBSS32) também pode sentir pressão em sua operação avícola no Brasil, mas a Seara responde por cerca de 27% do Ebitda da companhia. Além disso, a melhora dos fundamentos nos mercados de carne bovina e de frango nos Estados Unidos pode compensar parcialmente o efeito. Por isso, o Bradesco BBI mantém preferência pela JBS, que segue como sua principal recomendação entre as empresas de proteínas.

O mercado agora acompanha a evolução das medidas de contenção em Santa Catarina e a postura dos países importadores, fatores que devem definir a intensidade e a duração do impacto da Doença de Newcastle sobre o setor.

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