A EQI Research decidiu manter a carteira recomendada Vivendo de Renda inalterada na revisão de maio. A estratégia, voltada para a geração de renda passiva via dividendos, dividendos de Fundos Imobiliários (FIIs) e cupons de renda fixa, segue com projeção de yield anual entre 9,4% e 10,1% para os próximos doze meses, a depender do perfil do investidor.
A decisão de não mexer no portfólio ocorre após um mês negativo nas versões moderada e sofisticada.
Entre 13 de abril e 12 de maio, a carteira Conservadora recuou 0,34%, a Moderada caiu 2,17% e a Sofisticada cedeu 2,74%. No acumulado desde o início, em janeiro de 2025, os três portfólios seguem positivos, com altas de 23,3%, 28,8% e 33,1%, respectivamente. No mesmo período, o IFIX rendeu 25,1%, o IDIV avançou 41,1% e o CDI acumulou 19,4%.
Composição inalterada da carteira Vivendo de Renda
A alocação por classe permaneceu igual nos três perfis.
No Conservador, 63% segue em renda fixa e 37% em fundos imobiliários e fundos de infraestrutura, sem exposição em ações. Já o Moderado mantém 55% em renda fixa, 27% em FIIs e FI-Infra e 18% em ações, enquanto o Sofisticado opera com 39% em renda fixa, 36% em FIIs e FI-Infra e 25% em ações.
A projeção de dividend yield anual também ficou estável.
A parcela de renda fixa permanece em 8,1%, enquanto a de FIIs subiu marginalmente, de 11,6% para 11,7%.
O maior avanço ficou em ações, que passaram de 9,3% para 10,2%. Na soma por perfil, o Conservador entrega 9,4%, o Moderado 9,9% e o Sofisticado 10,1% projetados para os próximos doze meses.
Selic e ruído externo
A manutenção do portfólio acontece em meio a um cenário externo pressionado. O conflito entre Estados Unidos e Irã e as incertezas em torno do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da oferta mundial de petróleo, seguem alimentando a volatilidade dos mercados e pressionando os índices de inflação em diversas economias.
Além disso, a casa avalia que o Federal Reserve deve manter a taxa básica norte-americana entre 3,50% e 3,75% ao longo de 2026, com estabilidade também na primeira metade de 2027.
No Brasil, a inflação medida pelo IPCA voltou a subir. O índice avançou 0,67% em abril, após alta de 0,88% em março, levando o acumulado em doze meses a 4,39%, ante 4,14% no mês anterior.
As projeções do Boletim Focus para 2026 passaram para 4,91%, acima do teto da meta. Mesmo nesse contexto, o Banco Central reduziu a Selic em 25 pontos-base no fim de abril, para 14,50% ao ano. A projeção da EQI Research para a taxa básica no fim de 2026 é de 13,50%.
Diante desse pano de fundo, a casa segue vendo oportunidades atrativas nos títulos públicos da carteira. Os papéis indexados ao IPCA oferecem taxas reais acima de 7% ao ano, e o Tesouro Prefixado com vencimento em 2037 negocia próximo de 14% ao ano. No período, o Prefixado 2037 teve rentabilidade negativa de 0,94%, o IPCA+ 2037 valorizou 0,59% e o IPCA+ 2045 permaneceu estável.
Para o analista João Abdouni, responsável pela parcela de renda fixa, o desempenho recente não compromete a tese de longo prazo do portfólio.
“Mesmo diante de um mês adverso, entendemos que as taxas de juros e os cupons semestrais desses títulos seguem em patamares atrativos”, afirma Abdouni em relatório enviado a clientes. Segundo o analista, os ativos têm potencial para gerar renda real ao investidor por um período prolongado, em linha com o objetivo do portfólio.
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Ações sofrem com financeiro
Na parcela de ações, o mês também foi marcado por realização. O destaque negativo ficou com a Axia (AXIA6), que recuou mesmo após divulgar resultados sólidos e em linha com o consenso.
Itaúsa (ITSA4) e Bradesco (BBDC4) acompanharam o movimento mais cauteloso no setor financeiro, em um ambiente de menor espaço para cortes de juros, desaceleração da atividade econômica e aumento gradual da inadimplência em algumas linhas de crédito.
Para o analista João Zanott, responsável pelas recomendações de ações, a queda de AXIA6 teve caráter mais técnico, após valorização forte recente, somada a uma percepção menos favorável sobre os preços de energia. Mesmo assim, a tese segue de pé.
“Seguimos construtivos com a tese, sustentada pela expansão operacional da companhia, disciplina de custos e forte geração de valor para os acionistas”, afirma Zanott.
No caso de Itaúsa, o analista destaca que o Itaú segue entregando elevada rentabilidade e uma carteira de crédito sólida, enquanto em Bradesco aponta resultado marginalmente positivo e liberação de capital via IPO reverso da vertical Bradesco Saúde.






