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Eleições: Em cenário polarizado, analistas preveem favoritos rumo ao centro

Eleições: Em cenário polarizado, analistas preveem favoritos rumo ao centro

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

22 Abr 2022 às 16:20 · Última atualização: 24 Jun 2022 · 7 min leitura

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22 Abr 2022 às 16:20 · 7 min leitura
Última atualização: 24 Jun 2022

Urna eletrônica. Analistas do mercado financeiro preveem principais candidatos com discurso moderado perto das eleições presidenciais

Fernando Frazão/Agência Brasil

Polarização é a palavra de ordem na análise das eleições presidenciais de outubro. Nas pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece na liderança, seguido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), e ambos, pelo menos no atual momento, parecem ser os únicos nomes com chances reais de vitória.

E como o mercado financeiro lida com essa disputa? Para analistas do EQI, de forma tranquila e serena. Segundo eles, os dois favoritos, embora apresentem agendas divergentes, terão de fazer concessões para ganhar eleições e poder governar. E isso acaba atenuando as diferenças programáticas.

Rumo à moderação e ao centro

“Os dois principais candidatos são amplamente conhecidos pela população, por isso eventuais propostas populistas acabam sendo relevadas, vistas mais como ‘pregação para os convertidos’ típicos da fase inicial da campanha”, avalia Luis Fernando Moran, head da EQI Research.

Para ele, o discurso de ambos deve mudar ao longo dos meses. “À medida em que as eleições se aproximarem e o quadro de candidatos ficar mais claro, é provável que os dois acabem migrando para o centro e moderando suas propostas”, completa.

O economista Denys Wiese, head de renda fixa da EQI Investimentos, endossa a análise.

“A gente sabe que o Lula tem ideias mais à esquerda, de um Estado maior, mais inchado, enquanto o Bolsonaro traz consigo o Paulo Guedes, que impõe uma agenda liberal, de que o mercado gosta mais. Mas o Lula já trouxe o Alckmin, que sinaliza ideias mais moderadas, e o Bolsonaro já governa com apoio do Centrão e faz concessões”, analisa.

O candidato dos sonhos

O mercado financeiro não esconde sua prioridade: o ajuste fiscal e a redução do déficit público – que, segundo membros do próprio governo anunciaram nesta semana durante a apresentação da Lei de Diretrizes Orçamentárias para o ano que vem, não deve ser vencido antes de 2025.

Para esse cenário, os analistas lembram que o caminho ideal passa por reformas liberais que tragam consigo a redução do tamanho do Estado, o aumento da produtividade no trabalho e reduz a burocracia para empresários, empreendedores e investidores. “O mercado quer ver o país crescer e acha que essas medidas principais precisam ser tomadas”, avalia Denys Wiese.

Mas Moran admite que, no cenário atual do Brasil, tal personagem só aparece mesmo no mundo dos sonhos:

“Esse ‘candidato ideal’ muito provavelmente não seria eleitoralmente viável. O mercado sabe disso e aceita compromissos parciais”, diz. Por exemplo: a garantia de que as regras do jogo serão mantidas.

Ele lembra que o próprio Lula teve de ceder em sua primeira tentativa de sucesso para chegar à Presidência, em 2002.

“Um candidato com propostas mais intervencionistas é geralmente visto com mais reservas pelo mercado, mas este comportamento já foi mais intenso. Por exemplo, a subida de Lula em 2002 causou grande movimentação e levou o candidato a firmar um compromisso formal na Carta ao Povo Brasileiro. Isso não seria mais necessário hoje, pela maior maturidade institucional dada, por exemplo, pelo teto de gastos e pela autonomia do Banco Central”, diz Moran.

Os números das últimas pesquisas

A pesquisa eleitoral mais recente foi realizada pelo instituto Poder Data e divulgada em 12 de abril. Os resultados são os seguintes:

  • Lula (PT) – 40%
  • Jair Bolsonaro (PL) – 35%
  • Ciro Gomes (PDT) – 5%
  • João Doria (PSDB) – 3%
  • André Janones (Avante) – 3%
  • Simone Tebet (MDB) – 2%

Em pesquisa do Ipespe divulgada no dia 5, os resultados são um pouco diferentes:

  • Lula – 44%
  • Bolsonaro – 30%
  • Ciro – 9%
  • Doria – 3%
  • Tebet – 2%
  • Janones – 1%

Ainda que comparações diretas entre os números não sejam possíveis, pelas diferenças na data e na metodologia (o Poder Data faz entrevistas por telefone, e o Ipespe, presenciais), o fato é que o cenário parece apontar mesmo para uma disputa direta entre Lula e Bolsonaro já no primeiro turno.

Sem terceira via à vista

O ex-juiz Sergio Moro apareceu como um potencial nome da chamada “terceira via”, uma tentativa de reduzir a polarização entre os dois líderes, mas não conseguiu se viabilizar depois de trocar o Podemos pelo União Pelo Brasil e já nem foi incluído pelos institutos nas pesquisas citadas acima.

No PSDB, o ex-governador de São Paulo João Doria não consegueunir o próprio partido, em que muitos defendem abertamente a candidatura de Eduardo Leite, ex-governador do Rio Grande do Sul, derrotado nas prévias tucanas.

Já no MDB, a senadora Simone Tebet (MS) tem seu nome referendado pelo ex-presidente Michel Temer. Muitos analistas, porém, acreditam que ela deve retirar sua pré-candidatura quando a eleição se aproximar.

Os outros pré-candidatos com visões mais à esquerda também não empolgam: Ciro Gomes não consegue repetir nas pesquisar nem os 12% de votação que teve em 2018, enquanto André Janones faz sucesso nas redes sociais, mas não consegue reverter seu engajamento digital em intenção de voto.

Assim, a tendência é que a disputa entre Lula e Bolsonaro se intensifique nos próximos meses.

Para chegar à reeleição, o atual presidente aposta na recuperação da economia puxada pelo fortalecimento da renda dos mais pobres, a partir da redução das taxas de desemprego e do Auxílio Brasil, o programa social do governo. A persistência da inflação e a alta dos juros, porém, podem facilitar a vida do ex-presidente petista.

O sistema de governo, no entanto, deve impedir arroubos maiores dos candidatos além dos discursos.

“A gente tem no Brasil um presidencialismo de coalizão, no qual o governo gerencia um Estado muito grande, mas precisa do apoio do Congresso. Então, na prática, o mercado não enxerga neste momento grandes diferenças entre os candidatos”, reitera Denys Wiese.

E como se proteger da volatilidade gerada pelas eleições?

Os investidores devem permanecer atentos aos resultados das pesquisas e tomar algumas atitudes para cuidar de suas finanças, uma vez que alguns setores da economia sofrem mais oscilações durante o período eleitoral e isso impacta diretamente no valor de mercado e nas cotações de suas empresas.

“O cenário eleitoral é, acima de tudo, uma fonte de volatilidade. Lógico que as propostas dos candidatos acabam ditando as reações do mercado”, explica Moran.

“Como o Estado brasileiro é muito grande e poderoso, as eleições podem afetar principalmente empresas que são muito próximas dele”, completa Wiese.

Por exemplo, as empresas estatais podem ter suas cotações afetadas por falas e promessas dos candidatos – seja a respeito de possíveis privatizações ou, em sentido contrário, de reestatizações e revogação de reformas. Outros setores dependentes de obras públicas, como as empreiteiras, ou de concessões, como empresas de logística, também podem ser atingidas por declarações dos candidatos.

“Na eleição passada, as empresas com cotações mais instáveis eram as estatais, porque havia a dúvida de como seria: se uma vitória de Bolsonaro poderia acelerar as privatizações, por exemplo. Quanto mais próximo você está do Estado, mais você é impactado pelas pesquisas”, recorda Denys Wiese.

Moran, por fim, traz recomendações de como proteger os investimentos da volatilidade eleitoral.

  1. Evitar empresas estatais, mais sujeitas à interferência do governante;

  2. Preferir ações defensivas, menos expostas às variações da atividade econômica, como as do setor de energia elétrica

  3. Preferir exportadores de commodities que oferecem a proteção adicional da receita em dólares, tais como mineração e papel e celulose.

  • Quer mais dicas para proteger seus investimentos de uma eventual turbulência causada pelas eleições? Então preencha este formulário que um assessor da EQI Investimentos entrará em contato para tirar todas as suas dúvidas!
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