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Jogos Olímpicos na Itália movimentam R$ 32 bilhões e redefinem a economia do país

Jogos Olímpicos na Itália movimentam R$ 32 bilhões e redefinem a economia do país

Com foco em legado e infraestrutura, Milano Cortina 2026 movimenta bilhões e reacende o debate sobre custos, retorno e futuro olímpico italiano

Luxo e investimento caminham lado a lado nos Jogos Olímpicos de Inverno 2026 na Itália, que já se consolidam como um dos maiores projetos econômicos recentes do país. Com um investimento estimado em R$ 32 bilhões, o projeto Milano Cortina 2026 aposta em infraestrutura, turismo de luxo e legado olímpico como motores para fortalecer a economia da Itália. Mais do que arenas esportivas, o evento foi planejado como uma estratégia de desenvolvimento regional.

A cerimônia de abertura no histórico Stadio Giuseppe Meazza, em Milão, simbolizou essa ambição. O estádio lotado apresentou ao mundo uma Itália sofisticada, criativa e estrategicamente posicionada no cenário internacional. Em um momento de protagonismo político sob a liderança da primeira-ministra Giorgia Meloni, o país aproveita os Jogos como vitrine global.

Estudo do Banca Ifis aponta impacto econômico de €5,3 bilhões, algo próximo de R$ 32,8 bilhões. O número reforça a dimensão do investimento de R$ 32 bilhões e sua importância para estimular uma economia que vinha projetando crescimento modesto.

Crescimento sustentado por infraestrutura

Diferentemente de outras edições, o modelo de Milano Cortina 2026 prioriza a modernização de estruturas existentes. A proposta é de: menos “elefantes brancos”, mais infraestrutura duradoura. Grande parte dos recursos foi destinada à melhoria do transporte ferroviário, mobilidade regional e acessibilidade turística.

A região da Lombardia modernizou linhas de trem e metrô, enquanto o Vêneto ampliou projetos de turismo inclusivo e requalificação cultural. Segundo o ministro dos Transportes Matteo Salvini, cerca de US$ 4,1 bilhões foram investidos antes mesmo do início das competições.

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O impacto ultrapassa Milão. As provas se espalham por mais de 800 quilômetros, passando por cidades como Cortina d’Ampezzo e Verona. Essa descentralização amplia o alcance econômico, beneficiando áreas montanhosas que dependem fortemente da sazonalidade.

Turismo de luxo e impacto bilionário

Os Jogos Olímpicos de Inverno 2026 também se tornaram um fenômeno de turismo de luxo. Hotéis em Milão e Cortina registraram forte alta nas tarifas, enquanto pacotes premium chegaram a ultrapassar €11 mil para poucos dias de experiência completa.

A expectativa é de até 2,5 milhões de visitantes durante o evento. Dados analisados pela S&P Global indicam aumento expressivo nas chegadas ao norte da Itália durante o período olímpico. Ao mesmo tempo, cerca de 3 bilhões de pessoas acompanham as transmissões globais, ampliando o alcance promocional do país.

A produção da cerimônia, liderada por Marco Balich, reforçou essa estratégia de espetáculo global. O orçamento das cerimônias gira em torno de €70 milhões, dentro de um orçamento operacional estimado em €1,7 bilhão, sustentado principalmente por direitos de transmissão e patrocínios.

Legado olímpico e lições do passado

A Itália aprendeu com Jogos Olímpicos de Inverno de Turim 2006. Embora Turim tenha ganhado visibilidade internacional, parte da infraestrutura construída acabou subutilizada. Instalações como pistas de bobsled e saltos de esqui tornaram-se símbolos do risco financeiro associado ao megaevento.

Para evitar repetir erros, o plano atual enfatiza reaproveitamento e integração urbana. A vila dos atletas em Milão, construída em área ferroviária revitalizada, será convertida em moradia estudantil após os Jogos. Além disso, 100% da eletricidade utilizada deverá vir de fontes renováveis certificadas, e milhares de itens serão reutilizados.

O chamado legado olímpico é o eixo central do discurso oficial. O objetivo é que o investimento de R$ 32 bilhões gere benefícios estruturais permanentes, fortalecendo o turismo, o comércio e a mobilidade regional.

Debate econômico e futuro olímpico

Ainda assim, o debate permanece. Economistas questionam se o retorno financeiro compensará totalmente os custos, sobretudo diante de atrasos em obras e riscos de estruturas pouco utilizadas no futuro. A lógica é conhecida: o impacto de curto prazo é evidente, mas o verdadeiro teste acontece anos depois.

Mesmo com as críticas, o entusiasmo italiano não diminuiu. Lideranças locais já discutem participação ampliada em futuras edições. Turim, por exemplo, avalia colaborar com os Jogos de 2030 nos Alpes Franceses.

A Itália não quer que essa chama se apague tão cedo. A Itália já sinaliza que deseja receber os Jogos Olímpicos novamente, reforçando sua ambição de permanecer no centro do palco olímpico mundial.

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