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Ação da M. Dias Branco é um “mix agridoce”

Ação da M. Dias Branco é um “mix agridoce”

Safra inicia cobertura de MDIA3 com recomendação neutra, destacando desafios estruturais e alívio pontual nas margens

A ação da M. Dias Branco (MDIA3) é considerada um “mix agridoce”, combinando recomendação neutra, preço-alvo de R$ 29,00, pressão de commodities, impacto do câmbio, discussão sobre valuation e desafios no crescimento de margens, segundo o Safra.

Em análise, assinada por Cauê Pinheiro, Yves Adam, CFA, e Luana Nunes, o banco aponta que a empresa reúne fundamentos sólidos, mas enfrenta obstáculos relevantes no longo prazo.

O relatório destaca que a companhia, líder nos segmentos de biscoitos e massas no Brasil, tem presença nacional consolidada. Ainda assim, opera em um setor de baixo crescimento e altamente competitivo, o que limita a expansão estrutural de receita e rentabilidade.

Desafios estruturais no radar

O principal ponto de atenção está no longo prazo. Segundo os analistas, o setor apresenta crescimento modesto e elevada exposição a commodities como trigo e óleo de palma, além da sensibilidade ao câmbio. Essa combinação pressiona margens e reduz a previsibilidade dos resultados.

Há também mudanças no comportamento do consumidor. A crescente preocupação com alimentos ultraprocessados e o avanço de medicamentos da classe GLP-1, que podem afetar hábitos de consumo, surgem como possíveis ventos contrários adicionais.

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Nesse cenário, execução passa a ser determinante. Ganho de market share, reajustes de preços alinhados à inflação de insumos e diluição de custos fixos são fatores que podem fazer diferença no desempenho da MDIA3.

Alívio no curto prazo

Se o horizonte estrutural impõe cautela, o curto prazo parece mais favorável. O Safra destaca que safras positivas e estoques globais confortáveis tendem a manter os preços do trigo mais equilibrados. O óleo de palma também recuou após picos recentes.

Além disso, um dólar menos pressionado contribui para custos mais benignos em reais. Esse ambiente pode sustentar uma recuperação de margem bruta nos próximos trimestres, oferecendo suporte à ação.

Na prática, trata-se de um respiro operacional. Ainda que não resolva os desafios estruturais, o cenário atual reduz parte da pressão sobre custos e melhora a visibilidade dos resultados no curto prazo.

Preço-alvo reflete equilíbrio entre potencial e cautela

Do ponto de vista de valuation, a MDIA3 negocia a 5,7 vezes EV/EBITDA estimado para 2026, abaixo da média de 8,1 vezes de pares latino-americanos. O múltiplo é considerado pouco exigente, mas o Safra avalia que há espaço limitado para uma reprecificação mais expressiva.

As projeções indicam crescimento moderado de EBITDA nos próximos anos, o que reforça a leitura equilibrada. O preço-alvo de R$ 29,00 reflete justamente esse balanço entre fundamentos resilientes e limitações estruturais.

No fim, a ação da M. Dias Branco é mesmo um “mix agridoce”: há ingredientes que sustentam o desempenho no curto prazo, mas o investidor precisa considerar os desafios que podem limitar ganhos mais consistentes adiante.

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