Quatro casas analisaram o resultado da XP Inc. (XPBR31) no segundo trimestre de 2026 e divergiram sobre a ação. O Bradesco BBI recomenda compra. Bank of America e Safra ficaram neutros, e o Santander vê preço atrativo.
A base de clientes caiu em 20 mil no trimestre, para 4,8 milhões, a primeira queda da série histórica. O NPS, índice de satisfação do cliente, subiu 5 pontos, para 66, ainda abaixo da média de 72.
“Mantemos a recomendação neutra, já que o fraco momento dos lucros deve impedir um desempenho superior, enquanto o valuation limita o risco de queda”, escreveram os analistas do Bank of America.
O banco americano projeta a ação a US$ 21, contra US$ 15,70 no fechamento anterior, o que embute potencial de alta de 33,8%. Mesmo assim, manteve a leitura neutra.

O Safra também ficou neutro, ainda que veja os fundamentos intactos. A casa calcula que o papel negocia a cerca de 7 vezes o lucro projetado para 2027, com dividend yield, o retorno em dividendos, de 10%.
Bradesco BBI mantém compra e aposta em margem
Para Marcelo Mizrahi e Renato Chanes, do Bradesco BBI, o trimestre veio resiliente. O lucro antes dos impostos ficou 4% acima do projetado e a margem bruta superou a estimativa em 0,80 ponto.
“Os resultados reforçam nossa visão de que o crescimento dos lucros da XP continuará sendo guiado por expansão de margem e alavancagem operacional”, escreveram Mizrahi e Chanes.
As receitas de atacado cresceram 32% em um ano, sustentadas pelo segmento corporativo. No varejo, o desempenho acima do esperado em renda variável compensou a fraqueza em renda fixa.
“A empresa está bem posicionada para entregar uma aceleração assimétrica nos lucros caso haja qualquer melhora no cenário econômico ou no apetite a risco dos investidores”, apontaram os analistas.
A captação líquida somou R$ 27,6 bilhões, acima dos R$ 24 bilhões projetados pela casa. As despesas operacionais ficaram controladas e em linha com o esperado.
Margem antes dos impostos sobe para 32%
O Bank of America viu o lucro líquido de R$ 1,384 bilhão em linha com sua projeção. A receita subiu 8% em doze meses, pressionada pelo varejo e pela atividade fraca em emissões de dívida.
“A margem antes dos impostos avançou para 32%, apoiada por melhor margem bruta e ganhos de alavancagem operacional”, apontou o banco americano.
Santander aponta perdas de marcação a mercado
Henrique Navarro, Anahy Rios e Lorenzo Giglioli, do Santander, calcularam o lucro antes dos impostos 7% acima da estimativa. A ação subiu 1% no mercado após o fechamento.
“As receitas do primeiro semestre foram impactadas por cerca de R$ 420 milhões em perdas de marcação a mercado, principalmente na carteira de banco de investimento”, escreveram Navarro, Rios e Giglioli.
Sem esse efeito, a receita de varejo teria avançado cerca de 15% no semestre. A captação líquida total somou R$ 28 bilhões, com R$ 20 bilhões vindos do varejo.
Safra vê trimestre em linha e aponta para o terceiro
Daniel Vaz, do Safra, viu o lucro antes dos impostos 6% acima de sua estimativa. Ele credita a diferença a impostos menores, incentivos mais baixos e equivalência patrimonial de R$ 54 milhões.
“Não esperamos reação significativa das ações após os resultados, uma vez que as tendências operacionais subjacentes permaneceram praticamente inalteradas”, afirmou Vaz.
Para o terceiro trimestre, o analista projeta receitas mais fortes, com mais dias úteis e um ambiente de mercado melhor. A XP também cancelou 11,8 milhões de ações, ou 2,3% do total.
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