O Porto Bank, braço financeiro da Porto (PSSA3), apertou a concessão de crédito após identificar uma deterioração mais intensa entre clientes empreendedores com renda mensal de R$ 5 mil a R$ 7 mil. A informação foi apresentada pelo CEO do banco, Marcos Loução, em uma reunião com analistas do Safra realizada após os resultados do segundo trimestre de 2026.
Segundo o relatório, o grupo concentra a principal pressão sobre a qualidade da carteira de cartões. São clientes ligados a pequenos negócios que enfrentaram perda de renda e dificuldades para pagar as dívidas.
“Após ajustes nos modelos de credit scoring, aproximadamente 90% a 95% desse grupo não obteria mais limite de cartão de crédito no Porto Bank”, relatou o Safra.
Em vez de elevar os juros ou refinanciar os débitos, a administração decidiu provisionar e retirar gradualmente esses clientes da carteira. O banco considera que manter operações de crédito rotativo que destroem valor não representa uma estratégia sustentável.
Cerca de 25% da carteira de cartões é composta por operações que geram juros. Enquanto os saldos dos clientes transacionais, que pagam integralmente as faturas, cresceram entre 8% e 10%, o avanço entre os clientes que utilizam crédito com juros ficou próximo de 1%.
Porto eleva projeção de perdas para até R$ 3,5 bilhões
A piora nos cartões levou o Porto Bank a revisar o guidance de 2026. A projeção de perdas esperadas de crédito foi elevada em aproximadamente R$ 400 milhões nas duas extremidades da faixa, passando para um intervalo entre R$ 3,1 bilhões e R$ 3,5 bilhões.
Parte da pressão deverá ser compensada pelo aumento da receita. A estimativa para o indicador subiu cerca de R$ 200 milhões, para uma faixa entre R$ 7,7 bilhões e R$ 8,1 bilhões. Já a projeção de eficiência foi revisada de 27% a 31% para 24% a 28%.
A cobertura dos créditos classificados no Estágio 3 estava entre 60% e 62%, abaixo de alguns concorrentes. Segundo a administração, em uma base comparável, o índice estaria próximo de 69%, pois a baixa de uma carteira anteriormente provisionada reduziu mecanicamente o número divulgado.
O banco também informou que provisiona mais de 100% da formação de novos créditos inadimplentes pelo critério de 360 dias. A carteira é predominantemente de varejo e inclui operações com garantias, como Home Equity e Car Equity.
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Crédito com garantia e consórcios ganham espaço
Para compensar a pressão dos cartões, a Porto pretende ampliar negócios com maior rentabilidade ajustada ao risco, como consórcios, crédito com garantia de imóveis e veículos e títulos de capitalização utilizados em soluções para aluguel.
A plataforma de Car Equity já realiza entre 70% e 75% das operações de forma totalmente digital. Loução, contudo, descartou uma entrada no financiamento tradicional de veículos.
“A Porto não pretende expandir sua atuação para financiamento tradicional de veículos nem competir com financeiras vinculadas às montadoras”, afirmou o executivo, segundo o Safra.
Para o terceiro trimestre e 2027, o Safra acompanhará a estabilização do custo de risco, a migração da carteira para produtos garantidos e eventuais informações mais detalhadas sobre a cobertura dos créditos problemáticos nos cartões.






