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FIIs oscilam menos que a Bolsa em ano eleitoral, diz XP

FIIs oscilam menos que a Bolsa em ano eleitoral, diz XP

Estudo da XP com os ciclos de 2014, 2018 e 2022 mostra que fundos imobiliários oscilam menos que o Ibovespa em ano eleitoral

Os fundos imobiliários (FIIs) atravessaram os três últimos ciclos eleitorais sem mudança relevante de comportamento, mostra estudo da XP Investimentos. A casa comparou retorno e volatilidade anualizados do IFIX nos 12 meses anteriores e posteriores ao primeiro turno das eleições de 2014, 2018 e 2022.

O trabalho separa as três principais classes do índice: tijolo, recebíveis e os fundos de fundos (FOFs, que compram cotas de outros FIIs) somados aos multiestratégia. O primeiro turno deste ano está marcado para 4 de outubro, período em que investidores costumam antecipar oscilação maior nos ativos brasileiros.

“O IFIX não apresenta um padrão consistente de comportamento no período que antecede as eleições, e isso reforça o caráter mais defensivo da classe frente ao Ibovespa”, disse Marx Gonçalves, head de fundos listados da XP Investimentos.

Nos ciclos que foram ao segundo turno, a volatilidade do índice recuou até a definição do pleito e depois voltou a patamares próximos aos vigentes antes da campanha.

Volatilidade acima da média desde maio

Desde maio, a volatilidade do IFIX supera a média dos ciclos eleitorais anteriores e opera em nível próximo ao registrado em 2018. A XP atribui o movimento à abertura dos vértices intermediários e longos da curva de juros, em meio a preocupações com as contas públicas e com a trajetória da inflação. Fatores externos também pesam.

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“O prêmio de risco fiscal está indiretamente ligado ao pleito, porque o mercado precifica as agendas dos candidatos, e parte da oscilação recente pode estar associada a isso”, afirmou Antonio Mello, estrategista quantitativo da XP.

Sem quebra do padrão histórico, a expectativa é de recuo da volatilidade entre o primeiro e o segundo turnos. O que vem depois depende da recepção do mercado à agenda fiscal do governo eleito: em 2018, o indicador se estabilizou. Caso a percepção seja contrária, a volatilidade tende a voltar aos níveis atuais.

Pelo retorno acumulado anualizado, o melhor desempenho médio do IFIX apareceu nos três meses que antecederam o primeiro turno, movimento parecido com o do Ibovespa. Depois do segundo turno, os caminhos se separaram. O índice de FIIs se recuperou até completar 12 meses, enquanto o Ibovespa seguiu a direção inversa.

Pela mediana, métrica que reduz o peso de observações discrepantes, o IFIX caiu 9,6% nos três meses seguintes ao segundo turno e acumulou 5,4% em 12 meses. A amostra é curta. São três pleitos, e a composição do índice mudou ao longo do período analisado.

O que cada classe mostrou

Os fundos de recebíveis, que investem em títulos de dívida imobiliária, ganharam estabilidade a partir de 2018. Na eleição de 2014, a volatilidade da classe foi maior, reflexo da menor maturidade do segmento e do número reduzido de fundos negociados em bolsa naquele momento.

Entre maio e junho deste ano, a oscilação ficou um pouco acima da média histórica, puxada pela abertura mais acentuada da curva real de juros.

“Os fundos de recebíveis apresentaram a menor dispersão entre média e mediana e os resultados mais consistentes entre as categorias, com exceção da janela de três meses anterior ao primeiro turno”, apontou Eduardo Bacelar, analista de fundos listados da XP.

Os fundos de tijolo mantiveram volatilidade estável ao longo dos três ciclos, sem sinal de impacto ligado ao calendário eleitoral. A dispersão entre média e mediana da classe, contudo, foi a maior do grupo. Os retornos ficaram consistentes antes do pleito e nos 12 meses posteriores ao segundo turno.

Na janela imediatamente seguinte à votação, porém, o comportamento se mostrou errático.

FOFs e multiestratégia lideraram a volatilidade entre as classes, sem que a alta estivesse presa aos períodos eleitorais.

“Os FOFs e multiestratégia ficaram em segundo lugar em consistência de retorno, com dinâmica parecida à dos fundos de recebíveis, ainda que com maior dispersão entre média e mediana”, disse Gonçalves.

A amostra da classe cobre apenas os ciclos de 2018 e 2022, o que limita conclusões sobre seu padrão de comportamento.