As ações do Magazine Luiza (MGLU3) disparavam 22,51%, negociadas a R$ 5,66, por volta das 12h10 desta quarta-feira (2). O movimento ocorre após a companhia anunciar uma parceria comercial com o Mercado Livre (MELI; MELI34) para vender produtos de estoque próprio no marketplace.
A reação era mais moderada nos ativos do Mercado Livre. Os BDRs MELI34 avançavam 1,19%, a R$ 84,70, às 11h30. Na Nasdaq, as ações da companhia subiam 1,32%, cotadas a US$ 1.989,46, às 10h45 no horário de Nova York.
Magalu levará cerca de 27 mil produtos ao Mercado Livre
A parceria começou a operar nesta quarta-feira e envolve cerca de 27 mil itens das marcas Magazine Luiza, KaBuM! e Época Cosméticos. O catálogo inclui eletroeletrônicos, móveis, games, produtos de informática, cosméticos e perfumaria. As entregas serão realizadas pela Magalog, operadora logística do grupo.
“Nossa estratégia é somar a audiência de nossos canais às de outras plataformas relevantes como o Mercado Livre”, afirmou Frederico Trajano, CEO do Magalu, em comunicado público. Segundo ele, a intenção é acelerar as vendas online no curto prazo e de forma rentável.
O acordo contém cláusulas de reciprocidade e não exclusividade. As empresas também avaliam ampliar a cooperação logística, com o possível uso das lojas físicas do Magalu como pontos de retirada e devolução de produtos vendidos por outros lojistas do Mercado Livre.
Outra possibilidade é a utilização da Magalog para transportar produtos com mais de 30 quilos, como geladeiras, fogões e móveis. Esse é um segmento no qual a Ativa Investimentos avalia que a estrutura logística do Magalu pode complementar a operação do Mercado Livre.
“Com as marcas do grupo Magalu na plataforma, chegamos a mais categorias, mais produtos e mais opções para quem compra online”, afirmou Fernando Yunes, líder do Mercado Livre na América Latina, em declaração divulgada pelas companhias.
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Ativa vê acordo ganha-ganha, mas mantém MGLU3 neutra
Em relatório assinado por Lucas Dias, a Ativa Investimentos avaliou que a parceria deve beneficiar as duas empresas. Para o Magazine Luiza, o acordo acrescenta um canal de vendas com margens potencialmente superiores às obtidas por meio de mídia paga. Para o Mercado Livre, amplia o sortimento em categorias como linha branca e móveis.
“Em nossa visão, essa parceria deve ser um ganha-ganha para ambas as companhias. O MGLU passa a ter acesso a um novo marketplace para vender seus produtos com margem melhor do que a obtida via mídia paga, enquanto MELI ganha acesso a produtos de linha branca e móveis, categorias em que ainda não possui boa penetração”, afirmou a Ativa.
Apesar da avaliação positiva sobre o acordo, a corretora reiterou recomendação neutra para MGLU3. Para as ações do Mercado Livre negociadas nos Estados Unidos, a indicação permanece em compra.
A parceria também responde à perda de ritmo das vendas digitais do Magalu. No segundo trimestre de 2026, o e-commerce do grupo movimentou R$ 9,3 bilhões, queda de 11,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Desse total, R$ 5,8 bilhões vieram das vendas de estoque próprio e R$ 3,6 bilhões do marketplace.
Enquanto o canal digital recuou, as vendas das lojas físicas cresceram 10,3%. Ao todo, as vendas do Magazine Luiza somaram R$ 14,5 bilhões no trimestre, segundo o balanço da companhia.
A entrada no Mercado Livre está alinhada ao novo ciclo estratégico do Magalu, que prevê acelerar as vendas de estoque próprio por meio de plataformas parceiras. A varejista já mantém acordos semelhantes com Amazon (AMZN; AMZO34), AliExpress, Americanas (AMER3), Itaú Shopping e Livelo.







