O Tesouro Direto hoje (2) apresentava forte queda nas taxas dos títulos prefixados e atrelados ao IPCA por volta das 12h44. O movimento acompanhava o recuo dos juros futuros e a alta superior a 3% do Ibovespa, em meio à reação do mercado ao cenário eleitoral mais apertado.
O maior recuo aparecia no Tesouro Prefixado 2032. A rentabilidade passou de 14,69% para 14,36% ao ano, queda de 0,33 ponto percentual em relação à referência oficial de terça-feira (1º). O preço unitário avançou de R$ 484,05 para R$ 491,75, valorização de aproximadamente 1,59%.
O Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 registrava queda de 0,29 ponto percentual, de 14,69% para 14,40% ao ano. Já o Prefixado 2029 recuava de 14,25% para 13,98%, voltando a operar abaixo da marca de 14%.
Entre os títulos indexados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 passou de IPCA + 8,11% para IPCA + 7,98% ao ano. O IPCA+ 2050, por sua vez, recuou de IPCA + 7,40% para IPCA + 7,32%, enquanto seu preço subiu de R$ 865,95 para R$ 881,61 — avanço de 1,81%, o maior entre os papéis disponíveis.
A valorização dos títulos reflete a relação inversa entre preços e taxas no Tesouro Direto. Quando as rentabilidades exigidas pelo mercado caem, os preços dos papéis já emitidos tendem a subir por causa da marcação a mercado.
Pesquisa Quaest impulsiona ativos brasileiros
A principal referência política da sessão era a nova pesquisa Quaest. Em uma simulação de segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparecia com 42% das intenções de voto, ante 41% do senador Flávio Bolsonaro. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
O levantamento ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre 30 de agosto e 1º de setembro e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07065/2026.
O mercado interpretava o estreitamento da disputa como um aumento da possibilidade de alternância de poder e de mudanças na condução da política fiscal. Essa percepção reduzia o prêmio de risco exigido nos ativos brasileiros, embora uma pesquisa isolada não permita antecipar o resultado da eleição nem as medidas de um eventual novo governo.
Por volta das 12h48, o Ibovespa avançava 3,12%, aos 185,3 mil pontos, depois de tocar a região dos 186 mil pontos. O dólar comercial recuava aproximadamente 0,9%, para R$ 5,11.
Mensagens de Vorcaro ampliam ruído institucional
O noticiário político também repercutia a divulgação de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e enviadas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo a investigação, registros encontrados no celular do ex-controlador do Banco Master permitiram reconstruir comunicações de visualização única.
O presidente do STF, Edson Fachin, informou que os fatos seriam analisados pelos procedimentos institucionais e que eventuais medidas seriam anunciadas posteriormente.
O episódio aumentava o ruído institucional, mas os relatos de mercado disponíveis associavam a forte alta das ações e a queda dos juros principalmente à pesquisa eleitoral e à melhora do fluxo para os ativos brasileiros. Não há elementos suficientes para isolar a divulgação das mensagens como causa direta do movimento.
Juros futuros registram forte queda
Os contratos de Depósito Interfinanceiro recuavam em praticamente toda a curva. O DI para janeiro de 2027 operava em 13,565%, enquanto o vencimento de janeiro de 2029 caía para 13,96%.
Nos prazos mais longos, o DI para janeiro de 2031 marcava 14,205%, com queda de 1,29% na tela. O contrato para janeiro de 2032 recuava 1,21%, para 14,29%.
A queda local ocorria apesar da alta do petróleo e da pressão sobre os rendimentos dos títulos públicos no exterior, indicando predominância dos fatores políticos domésticos na formação dos preços durante a manhã.
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Tesouro Direto hoje: confira as taxas
Confira as taxas registradas por volta das 12h44 desta quarta-feira, comparadas com a referência diária oficial de terça-feira:
Prefixados
- Tesouro Prefixado 2029: 13,98% ao ano — queda de 0,27 p.p.
- Tesouro Prefixado 2032: 14,36% ao ano — queda de 0,33 p.p.
- Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037: 14,40% ao ano — queda de 0,29 p.p.
Atrelados à Selic
- Tesouro Selic 2031: Selic + 0,0729% ao ano — praticamente estável
Atrelados ao IPCA
- Tesouro IPCA+ 2032: IPCA + 7,98% — queda de 0,13 p.p.
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037: IPCA + 7,66% — queda de 0,11 p.p.
- Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 7,45% — queda de 0,09 p.p.
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045: IPCA + 7,47% — queda de 0,09 p.p.
- Tesouro IPCA+ 2050: IPCA + 7,32% — queda de 0,08 p.p.
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060: IPCA + 7,35% — queda de 0,07 p.p.






