O acionista da Azzas 2154 (AZZA3) não precisa fazer nada e não perde participação com a separação anunciada nesta quarta-feira (2). Cada investidor passará a ter ações da Arezzo&Co e da Soma na mesma proporção que detém hoje na companhia, e a cisão parcial não dá direito de retirada, ou seja, ninguém poderá exigir que a empresa recompre seus papéis por causa da operação. As ações decolam com o anúncio.
“Com a implementação da cisão, cada acionista da Azzas 2154 se tornará titular de ações de emissão de ambas as companhias na exata proporção das participações por eles detidas no capital social da companhia, de modo que a participação relativa de cada acionista seja integralmente preservada”, afirmam Alexandre Café Birman e Roberto Jatahy Gonçalves na comunicação enviada ao conselho de administração.
A separação não recria as duas empresas como elas eram antes da combinação de 2024. A Arezzo&Co fica com a plataforma de calçados e bolsas, que reúne Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman e Carol Bassi, e recebe também a Hering. A Soma concentra Animale, NV, Maria Filó, Cris Barros, Oficina e Foxton, além de ganhar a Reserva.
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“A Reserva foi originalmente adquirida pela Arezzo&Co em 2020, e a Hering foi comprada pelo Grupo Soma em 2021. A reestruturação troca esses dois ativos importantes entre os grupos históricos, e a alocação final do portfólio fica bastante diferente de uma simples reversão da fusão original”, apontam Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, analistas do BTG Pactual em relatório divulgado a clientes hoje.
(Fonte: Azzas 2154 com elaboração do EuQueroInvestir)
Farm fica em sociedade separada
A marca teve tratamento distinto das demais. Farm Brasil, Farm Internacional e Fábula vão para uma sociedade própria, com gestão e governança independentes, dividida entre Arezzo&Co, com 57,4%, e Soma, com 42,6%. As duas companhias seguem avaliando alternativas estratégicas para a Farm Rio, processo que já estava em andamento.
“A Farm era originalmente parte do Grupo Soma, e a participação majoritária passa agora para a Arezzo&Co. Estamos falando do que talvez seja a joia da coroa do portfólio combinado”, observam Guanais, Cesquim e Cendon.
Cada bloco volta a mandar na própria casa
A estrutura societária final desenha esferas de influência mais nítidas. O bloco Jatahy ficará com 25,95% da Soma, e o bloco Birman, com 32,13% da Arezzo&Co, além de manter 6,18% da Soma. Os demais acionistas terão 67,87% de cada uma das duas companhias.
“Este é um dos aspectos mais importantes da transação. Em vez de seguir com um único conglomerado governado por dois grupos historicamente independentes, a reestruturação restabelece acionistas de referência identificáveis e estruturas de administração separadas”, dizem Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, analistas do BTG Pactual.
Governança melhora, execução continua no teste
O banco reconhece méritos no arranjo, ainda que as companhias resultantes fiquem menores e possivelmente com liquidez menor em bolsa. A ressalva está na operação: a concorrência segue intensa, a Hering passa por uma reformulação do modelo de franquias, os estoques vêm sendo reduzidos nos canais de venda e várias marcas ainda ajustam a estratégia comercial.
“O mercado deve permanecer em compasso de espera até haver visibilidade sobre como a nova estrutura vai operar e evidência de que as vendas estão se estabilizando e de que a diluição das despesas gerais e administrativas pode virar alavancagem operacional mais consistente”, projetam Guanais, Cesquim e Cendon.