As ações da Hapvida (HAPV3) desabavam nesta quinta-feira (13), após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. Por volta das 11h36, os papéis recuavam 18,89%, cotados a R$ 7,77.
Para o BTG Pactual (BPAC11), a operadora apresentou um trimestre fraco e pior do que o esperado. O Ebitda ajustado caiu 44,3% na comparação anual, para R$ 504,3 milhões, ficando 30,2% abaixo da estimativa de R$ 722,1 milhões do banco. Segundo o relatório, foi o pior resultado para o indicador nos últimos cinco anos.
A margem Ebitda ajustada recuou de 11,8% no segundo trimestre de 2025 para 6,3%, diante dos 9% projetados pelo BTG. A receita líquida cresceu 3,9%, para R$ 7,97 bilhões, mas ficou ligeiramente abaixo da expectativa.
“Após o pequeno alívio observado no primeiro trimestre, esperávamos que a melhora continuasse no segundo, mas não foi o que aconteceu. A Hapvida apresentou resultados fracos e piores do que o esperado, com vários dos desafios enfrentados pela companhia nos últimos períodos”, afirmou o BTG.
Sinistralidade e despesas pressionam resultado
A sinistralidade em dinheiro atingiu 75,2%, avanço de 3 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre e de 1,3 ponto percentual na comparação anual. O indicador também ficou 0,7 ponto percentual acima da projeção do banco.
Segundo o BTG, a piora refletiu o aumento sazonal da utilização dos serviços médicos e das frequências durante o trimestre. A companhia também registrou maior volume de atendimentos na rede credenciada após a utilização mais forte observada em março.
As despesas corporativas e comerciais também avançaram. As despesas gerais e administrativas em dinheiro cresceram 58,2% em um ano, para R$ 673,5 milhões, e ficaram 20,1% acima da estimativa. As provisões para contingências alcançaram R$ 359 milhões, alta trimestral de 28%, em meio ao avanço da judicialização.
“O trimestre continuou apresentando muitos dos desafios que a empresa enfrenta há algum tempo, incluindo utilização elevada, judicialização severa, contratos em condições econômicas desfavoráveis, endividamento alto, perda de beneficiários e pressão persistente sobre os custos médicos”, apontou o banco.
A Hapvida registrou prejuízo líquido de R$ 217,1 milhões, ante perda de R$ 205,8 milhões um ano antes e prejuízo de R$ 74 milhões projetado pelo BTG. O lucro líquido ajustado informado pela operadora ficou em R$ 12,5 milhões, muito abaixo dos R$ 143,2 milhões esperados.
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Dívida aumenta e base de beneficiários recua
A operadora perdeu 16 mil beneficiários de planos de saúde no trimestre. O resultado foi melhor do que a redução de 30,4 mil vidas estimada pelo banco e mostrou desaceleração frente à perda de 44,5 mil beneficiários no primeiro trimestre, mas manteve a base em contração.
A dívida líquida aumentou R$ 236 milhões na comparação trimestral, para R$ 5,4 bilhões. A alavancagem considerada nos compromissos financeiros passou de 1,38 vez para 1,61 vez o Ebitda dos últimos 12 meses. Incluindo os contratos de arrendamento, o indicador subiu de 2 vezes para 2,49 vezes.
O BTG também destacou que aproximadamente 947 mil beneficiários, equivalentes a 11% da base de planos de saúde, estão vinculados a contratos sob revisão comercial. Esses contratos podem receber reajustes expressivos ou ser encerrados nos próximos meses.
“Embora continuemos acompanhando os próximos passos da reestruturação, preferimos não pagar antecipadamente pela recuperação. Mantemos, portanto, a recomendação neutra diante dos riscos relevantes de execução e dos desafios operacionais que ainda estão pela frente”, concluiu o BTG.
O banco manteve recomendação neutra para as ações da Hapvida, com preço-alvo de R$ 15. A instituição avalia que os benefícios da nova estratégia ainda levarão tempo para aparecer nos resultados.







