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Hapvida precisa provar capacidade de execução do plano de recuperação

Hapvida precisa provar capacidade de execução do plano de recuperação

Companhia revisou cerca de 947 mil vidas, 11% da carteira de saúde, ligadas a contratos considerados economicamente insatisfatórios

O BB Investimentos manteve a recomendação neutra para as ações da Hapvida (HAPV3) e fixou preço-alvo de R$ 12 para dezembro de 2027. A ressalva do banco não é sobre o plano da companhia, e sim sobre a capacidade de executá-lo.

O primeiro semestre de 2026 foi marcado pela reorganização da estrutura executiva, conforme o processo sucessório anunciado em dezembro de 2025, e pela apresentação de um plano voltado à recuperação da rentabilidade, à geração de caixa e à redução da dívida.

“A administração passou a abordar de forma mais explícita desafios que vinham pressionando o desempenho operacional e financeiro da companhia nos últimos trimestres”, aponta William Bertan, analista do BB Investimentos.

Entre eles estão a perda de competitividade comercial em determinados mercados, a pressão sobre os custos assistenciais, o aumento da judicialização e a necessidade de melhorias operacionais.

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Rentabilidade no lugar de crescimento

A base de beneficiários encerrou o semestre em 8,7 milhões, redução líquida de cerca de 61 mil vidas ante dezembro de 2025. A queda não é acidente de percurso: a revisão de produtos, preços e canais de distribuição priorizou rentabilidade e caixa em vez de expansão da carteira.

O movimento ficou mais nítido na divulgação do 2º trimestre, quando a companhia informou a revisão de aproximadamente 947 mil vidas, o equivalente a cerca de 11% da carteira de saúde, vinculadas a contratos considerados economicamente insatisfatórios ou com histórico de inadimplência. Esses contratos podem sofrer reajustes, renegociação ou descontinuidade.

A retomada da marca NotreDame e a criação de uma estrutura dedicada ao segmento PPO seguem a mesma lógica de buscar nichos de maior valor agregado.

Números pressionados e dívida em alta

Apesar das iniciativas, os resultados continuaram fracos. A receita líquida cresceu 4,6% na comparação anual, para R$ 15,900 bilhões, mas a sinistralidade caixa acumulada chegou a 73,7%, alta de 0,8 ponto percentual. O Ebitda ajustado caiu 31,5%, para R$ 1,300 bilhão, e o lucro líquido ajustado recuou 64,2%, para R$ 257 milhões.

O efeito apareceu na estrutura de capital. A dívida líquida subiu de R$ 5,200 bilhões no fim de 2025 para R$ 5,400 bilhões em junho, e a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses pelos critérios dos covenants, avançou de 1,32 para 1,61 vez.

“A capacidade de execução do plano anunciado e sua conversão em ganhos consistentes de margem, geração de caixa e desalavancagem permanecem como os principais fatores para uma reavaliação da percepção de risco”, projeta William Bertan, analista do BB Investimentos.

O mercado já cobrou esse preço: as ações acumulam queda de 52,2% em 2026 até o fechamento de 10 de setembro, contra alta de 16,3% do Ibovespa, e o recuo chega a 82,3% em 12 meses.