David Vélez e Cristina Junqueira, cofundadores do Nubank (ROXO34), apresentaram na última quinta-feira (10) dois lançamentos essenciais para a expansão internacional do banco digital. A chegada ao mercado estadunidense e a Nu Global, uma conta digital multimoeda disponível em mais de 35 países.
“Continuamos acreditando que investidores americanos permanecem cautelosos em relação à expansão, diante do ambiente competitivo mais intenso nos EUA. Entre investidores locais, seguem presentes as preocupações relacionadas à qualidade da carteira de crédito antes dos resultados do 3º trimestre de 2026”, declaram os analistas do Santander Henrique Navarro, Anahy Rios e Lorenzo Giglioli.
A expectativa da companhia é que eles consigam inaugurar o banco nacional no ano que vem, 2027. O que proporcionaria maior controle sobre a oferta de produtos captação e rentabilidade do crédito.
Em setembro de 2025, o Nu solicitou uma licença bancária para atuar no país que foi aceita – condicionalmente – pelo Escritório do Controlador da Moeda (Office of the Comptroller of the Currency (OCC)) em janeiro de 2026.
Inicialmente, o banco digital utilizará a estrutura de operação do Lead Bank, que fornecerá a infraestrutura bancária necessária para que o Nu consiga adquirir clientes e aprimorar os produtos antes de operar de forma independente.
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“Nossos clientes desfrutarão de alto rendimento em suas contas, um cartão de crédito de metal com cashback ilimitado e pagamentos domésticos e internacionais rápidos, tudo sem taxas e em um único aplicativo com um lindo design, apoiado por um atendimento premiado. Queremos conquistar o lugar de principal relacionamento bancário das pessoas, e capturar mesmo que uma pequena fatia do mercado americano será transformador para o nosso negócio”, disse Cristina Junqueira, Co-Fundadora e CEO do Nu US.
“A administração vê os 80 milhões de hispânicos que vivem no país como um ponto de partida natural, dado o conhecimento deles sobre o Nubank, ao mesmo tempo em que reforça que a marca não será direcionada exclusivamente para essa população. A empresa também estima que 100 a 150 milhões de pessoas nos EUA estão sem banco ou com acesso limitado a serviços bancários, destacando uma oportunidade significativa no crédito”, afirmam os analistas do BTG Pactual Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.
Novas contas da Nu
A Nu Global, operada pela Nu Global AG, entidade regulada na Suíça, vai incluir um Mastercard virtual, com gastos internacionais sem spread cambial, transferências internacionais gratuitas e acesso a determinados ativos digitais
“Acreditamos que o ponto mais relevante seja o próprio modelo. O Nu Global oferece à companhia uma forma de se expandir internacionalmente sem necessariamente replicar uma operação bancária local completa em cada mercado”, alertam os analistas da XP Investimentos Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti.
De forma inicial, a Nu Account oferecerá um rendimento anual (Rendimento Percentual Anual – APY, na sigla em inglês) de 3,5%, sem saldo mínimo, com ferramentas de poupança, cartão de débito e transferências domésticas e internacionais – por enquanto disponíveis no Brasil, México e Colômbia – gratuitas. O cartão de crédito além de não ter anuidade, vai oferecer cashback ilimitado de 1,5% que pode ser estendido para 2% para clientes elegíveis
“A principal questão não é a atratividade da oferta inicial, mas se o Nu conseguirá transformá-la em aquisição eficiente de clientes e maior engajamento como conta principal em um mercado altamente competitivo”, reiteram os analistas da XP Investimentos.
(Imagem: Unsplash)
Nu X Revolut
As duas companhias têm a mesma taxa de remuneração (APY) das contas dos clientes, de 3,5%. O que as diferencia é até onde a taxa vale. No caso da Nu, a taxa é aplicada em cada dólar na conta, sem limite de saldo ou saldo mínimo. Já no plano padrão da Revolut, a taxa é aplicada sob a conta de alto rendimento, que é limitada a US$ 10.000 em depósitos.
Apesar do limite sem manterem os mesmos, os saldos mantidos na outras contas de poupança rendem 2,9%, enquanto o Nu Boosted Savings, recurso ainda não lançado pelo banco, pagaria mais sobre qualquer valor podendo render até 4,5%, sem a necessidade de uma taxa de assinatura ou anualidade do cartão.
Porém, o cliente precisa ter conta e cartão de crédito do próprio banco, além de ter realizado ao menos três transições elegíveis com o cartão no últimos 34 dias. Caso o cliente não cumpra os requisitos, a taxa volta a 3,5%.