O reajuste de 5,11% aprovado pela ANS para planos individuais de saúde em 2026 é uma má notícia para a história de turnaround da Hapvida (HAPV3). A avaliação é dos analistas Samuel Alves e Maria Resende, do BTG Pactual, que acompanharam de perto a decisão do regulador.
O percentual veio abaixo da estimativa do banco, de 5,4%, e das expectativas de 44% dos investidores consultados numa pesquisa recente, que antecipavam reajuste próximo de 6%.
“O número final ficou muito mais próximo do nosso cenário ex-Hapvida do que do cenário de aproximadamente 8% que resultaria da inclusão da operadora na amostra”, afirmam Alves e Resende.
Quarta desaceleração consecutiva no reajuste
O ajuste de 2026 aprofunda a tendência de queda: foram 9,63% em 2023, 6,91% em 2024 e 6,06% em 2025.
“O reajuste foi calculado com base em VDA de 8,32%, fator de eficiência de 0,83%, fator de ajuste etário de 2,04% e IPCA excluindo planos de saúde de 4,18%”, detalham os analistas.
“146 operadoras foram excluídas da amostra pelos critérios padrão da ANS — incluindo canceladas, sem contratos ativos ou com pareceres de auditoria qualificados”, acrescentam Alves e Resende.
Hapvida é a mais exposta ao segmento individual
A Hapvida tem aproximadamente 18% de sua base de beneficiários em planos individuais — a maior exposição entre as operadoras listadas.
Amil (~12%), Athena (~22%) e Prevent Senior (~94%) também figuram com exposição relevante. Grandes seguradoras nacionais têm presença limitada no segmento.
A maioria das carteiras da SulAmérica e Bradesco Saúde em planos individuais está concentrada em produtos anteriores a 1999, que seguem marco regulatório distinto.
Analistas preferem Rede D’Or e Bradsaúde
O reajuste menor do que o esperado adiciona pressão a uma empresa que já enfrenta utilização elevada e alavancagem operacional fraca.
“Um teto de preço abaixo do esperado deve retardar ainda mais uma normalização mais significativa da sinistralidade, adicionando outro obstáculo à recuperação de margens”, alertam os analistas.
“Continuamos a preferir exposição à Rede D’Or e Bradsaúde, ambas bem posicionadas para consolidar o ecossistema de saúde privada brasileiro, apoiadas por escala, integração vertical e forte execução”, concluem Alves e Resende.
Leia também:






