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Vivara corta preço de joias antigas e compensa com lançamentos mais caros, mostra BTG

Vivara corta preço de joias antigas e compensa com lançamentos mais caros, mostra BTG

Peças mantidas na vitrine da Vivara ficaram 19,3% mais baratas desde março, mas lançamentos mais caros seguraram o preço mediano

A Vivara (VIVA3) reduziu os preços das joias que manteve à venda entre março e setembro, mas o preço mediano da vitrine não saiu de R$ 4.390. A explicação está nos lançamentos, mostra o índice de joias do BTG Pactual.

O banco criou o levantamento em março para acompanhar, item a item, os preços nos sites da Vivara, da Life, bandeira mais acessível do grupo, e da concorrente Pandora. A segunda leitura cobre quase 21 mil SKUs (sigla em inglês para unidades de estoque).

“Seis meses depois, os preços de vitrine pouco se moveram na Vivara e na Pandora, mas por razões muito diferentes”, escreveram os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, do BTG Pactual.

Na Life, o movimento foi outro. O preço mediano caiu 7,2%, de R$ 528 para R$ 490, a redução mais clara entre as três marcas.

Vitrine nova segura a mediana da Vivara

A vitrine da Vivara passou de 7,2 mil para 11,2 mil peças disponíveis no período. O número estável da mediana, no entanto, esconde movimentos em sentidos opostos.

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Para Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, do BTG Pactual, a estabilidade tem pouco a ver com preço parado: “A mediana estável da Vivara reflete uma reformulação relevante do sortimento, com novos itens de tíquete mais alto compensando preços menores nas peças que já estavam à venda”.

Das peças expostas em março, cerca de 1,4 mil saíram do site. As 5.777 que ficaram tiveram o preço mediano reduzido em 22,5%, de R$ 4.450 para R$ 3.450, e o reajuste médio ponderado pelo valor de cada item foi de 19,3% para baixo.

Do outro lado, entraram 5.389 lançamentos, com preço mediano de R$ 5.432. As peças retiradas custavam, na mediana, R$ 4.190.

Os cortes nas peças mantidas pesaram mais nos anéis (21,6%), nos brincos (20,7%) e nos pingentes (20,4%). No ouro, a queda ponderada chegou a 19,7%; na prata, ficou em 7%.

Os anéis dominam a vitrine, com 8.611 itens e preço mediano de R$ 4.840. Os colares têm a maior mediana, de R$ 5.650, e a peça mais cara do site, também um colar, sai por R$ 174.760.

Life fica mais barata; Pandora não mexe

A Life passou de 6,5 mil para 6,9 mil peças. Nas 5.326 que estavam à venda nos dois períodos, o reajuste médio ponderado foi de 11,5% para baixo, e o preço mediano delas caiu de R$ 550 para R$ 455.

Os lançamentos chegaram com preço mediano de R$ 550. Não bastaram, portanto, para compensar a queda das peças que continuaram expostas.

A marca concentra as peças de entrada do grupo. Pouco mais da metade da vitrine da Life (51,3%) custa menos de R$ 500, contra 33,8% na Pandora e apenas 3,4% na Vivara.

A Pandora dobrou a vitrine, de 1,4 mil para 2,8 mil peças, e manteve o preço mediano em R$ 619. Nas 1.213 peças presentes nos dois levantamentos, o preço médio ponderado subiu 1,7%.

Nenhuma peça da marca está com desconto, assim como em março. Em julho, contudo, a Pandora fez uma rodada de promoções: cerca de 35% da vitrine teve desconto, de 33% em média, antes da normalização em agosto.

Distância para a Pandora aumenta na prata

Só entre as joias de prata, a Life ficou relativamente mais barata. O preço mediano da marca caiu de R$ 550 para R$ 502, enquanto o da Pandora seguiu em R$ 619, e a diferença subiu de R$ 69 para R$ 117.

O mesmo ocorreu no percentil 5 (P5), preço que separa os 5% de itens mais baratos do restante da vitrine. A Life foi de R$ 200 para R$ 170, contra R$ 259 da Pandora, e a distância passou de R$ 59 para R$ 89.

Nos anéis, a diferença na mediana saltou de R$ 49 para R$ 115. Nos brincos, a Life deixou de ser mais cara que a Pandora na mediana, embora a distância no P5 tenha encolhido de R$ 69 para R$ 15.

As pulseiras seguiram o caminho inverso. A Life ficou mais cara na mediana, a R$ 846, mas continua mais barata no P5, com R$ 427 contra R$ 579.

Nos colares, as medianas das duas marcas se aproximaram de R$ 890, e a Pandora segue mais barata no P5. Entre os pingentes da Life e os charms da Pandora, a diferença na mediana foi de R$ 207 para R$ 229.

Valuation sustenta a compra

A oscilação do ouro e da prata complica a definição de preços nas joalherias. Nas peças mantidas da Vivara com preço de até R$ 300, o reajuste ponderado foi de 21,9% para baixo; na faixa de R$ 3.000 a R$ 10.000, chegou a 22,6%.

“No geral, os dados apontam para uma gestão ativa de faixas de preço, sortimento e mix entre as bandeiras, e não para aumentos de preço generalizados”, avaliaram Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, do BTG Pactual.

A ação da Vivara fechou a R$ 22,38 na quinta-feira (10), data do relatório. Na Pandora, a única faixa com alta relevante foi a de peças acima de R$ 10.000, com reajuste ponderado de 15,3%.

Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, do BTG Pactual, fecham a análise com o olho no preço da ação: “Continuamos a ver a Vivara bem posicionada nesse contexto. Com a ação negociando a cerca de 8 vezes o preço sobre lucro (P/L) de 2026, o valuation segue atrativo e sustenta nossa recomendação de compra”.

Entre os riscos, o banco cita o ritmo do PIB e da inflação, a alta das matérias-primas, uma concorrência local mais agressiva e a execução do plano de expansão da companhia.