O banco Safra reduziu o preço-alvo da Hapvida (HAPV3) de R$ 22,50 para R$ 16 por ação e manteve a recomendação neutra para o papel, após uma revisão expressiva nas estimativas da companhia.
Os analistas Ricardo Boiati, Thiago Marmo e Rafael Une cortaram as projeções de Ebitda ajustado em 31% para 2026 e 28% para 2027, com o lucro líquido ajustado reduzido em média 51% para o período 2026–2028.
“A reorganização estratégica é positiva, mas resultados concretos são necessários para uma melhora estrutural na tese de investimento“, afirmam os analistas.
Troca de gestão e reestruturação em curso
A Hapvida promoveu uma das maiores reformulações de sua história recente, com mais de dez novas nomeações em posições-chave da liderança executiva. A nova equipe sinalizou abertura para decisões antes descartadas, incluindo potencial venda de ativos no Sul do país.
A família controladora também reforçou seu comprometimento, elevando a participação de 41,6% para 55,5% do capital excluindo ações em tesouraria.
“Vemos a mudança de direção como bastante construtiva, mas o risco de execução permanece substancial”, ressaltam Boiati, Marmo e Une.
Perda de mercado no Sul e Sudeste
Os números regionais revelam uma divisão preocupante. Enquanto a Hapvida cresceu 17,9% no Norte e Nordeste — ganhando 2,1 pontos percentuais de participação —, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste a companhia contraiu 10,5% em um mercado que expandiu 7,1%, com perda de 661 mil vidas e 2,5 pontos percentuais de market share em quatro anos.
“A empresa provavelmente enfrenta desafios relacionados à percepção de produto e adequação de rede nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde a concorrência se intensificou”, apontam os analistas.
Vantagem em sinistralidade se estreita
O índice de sinistralidade acumulado da Hapvida ficou em 75,3% em 2025 — ainda entre os melhores do setor. Entretanto, a vantagem vem se reduzindo frente a concorrentes como Amil e Porto Saúde.
“A liderança em sinistralidade é real, mas vem se comprimindo materialmente em relação aos concorrentes”, alertam os analistas.
O preço-alvo de R$ 16 implica múltiplos de 11,3 vezes o lucro ajustado e 5,2 vezes o EV/Ebitda em 12 meses. Para quem comprar hoje e adotar múltiplo de saída de 10 vezes o lucro em dois anos, o Safra estima “IRR de 34% no período, considerando os dividendos recebidos” — reconhecendo que há assimetria positiva, mas condicionada à entrega dos resultados pela nova gestão.
Posição vendida
As apostas contra as ações (SIR – Short Interest Ratio) da Hapvida (HAPV3) atingiram níveis incomuns em abril – e a explicação vai além dos fundamentos da companhia.
Os analistas Samuel Alves e Maria Resende, do BTG Pactual, detectaram uma intensificação expressiva das posições vendidas no papel, que pode estar relacionada a movimentos estratégicos antes da assembleia geral marcada para 30 de abril.
“O SIR da Hapvida aumentou significativamente em relação ao nosso último relatório, passando de 4,5 em fevereiro para 12 em abril”, destacam os analistas.
O sinal mais revelador é o custo de aluguel das ações.
A taxa de aluguel da Hapvida disparou de apenas 1,1% ao ano em fevereiro para expressivos 79,7% em abril — o maior nível entre as empresas de saúde monitoradas pelo BTG.
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