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Safra vê melhor assimetria em NTN-Bs intermediárias

Safra vê melhor assimetria em NTN-Bs intermediárias

Banco recomenda miolo da curva, com foco em NTN-Bs, debêntures IPCA+, LFTs e prefixado 2029

O Banco Safra mantém a preferência por títulos de Renda Fixa no miolo da curva, especialmente NTN-Bs intermediárias, em meio a um cenário de cortes graduais da Selic, inflação ainda pressionada, risco fiscal elevado e maior cautela com os juros nos Estados Unidos.

No relatório “A assimetria está na duration intermediária”, os analistas Yuri Machado e Roberto Pasqualini afirmam que a combinação de juro real elevado, proteção contra a inflação e menor sensibilidade em relação aos vencimentos mais longos favorece os papéis indexados ao IPCA com prazos intermediários.

“Em resumo, o cenário combina cortes graduais da Selic, inflação corrente ainda pressionada, mas com sinais prospectivos melhores, atividade resiliente, risco fiscal elevado e um Fed mais cauteloso. Dito isso, mantemos a preferência pelo miolo da curva, especialmente NTN-Bs intermediárias, favorecidas pelo carrego real e pela proteção inflacionária”, dizem os analistas, em relatório.

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Curva de juros devolve parte da alta, mas incerteza continua

Segundo o Safra, a curva de DI devolveu boa parte da disparada observada em junho. Entre 19 de junho e 3 de julho, o DI para janeiro de 2028 caiu de 14,90% para 14,17%, um fechamento de 73 pontos-base. Já o DI para janeiro de 2033 recuou de 14,81% para 14,43%, queda de 38 pontos-base.

O ponto mais relevante, na leitura do banco, foi o DI para janeiro de 2029 encerrar em 14,25%, exatamente no nível atual da Selic. Isso indica que os preços de mercado passaram a embutir uma taxa básica praticamente estável até 2029, apesar de o Boletim Focus ainda apontar Selic de 12% no fim de 2027.

“Na prática, o mercado passou a precificar estabilidade de juros até 2029, apesar de o Focus ainda apontar Selic de 12,00% no fim de 2027. A dispersão elevada das projeções para 2028 — intervalo entre 9,00% e 14,25% — reforça a incerteza sobre a taxa terminal”, citam Machado e Pasqualini.

Safra vê melhora qualitativa na inflação

A inflação segue como o principal ponto de atenção para a renda fixa. O IPCA em 12 meses acelerou de 4,39% em abril para 4,72% em maio, ainda acima da meta e com expectativas desancoradas.

Apesar disso, o Safra identifica uma melhora na composição dos dados recentes. O relatório cita a desaceleração de núcleos de inflação, a queda de 0,50% do IGP-M em junho e a deflação de 1,36% do IPA-DI no mesmo período como sinais de alívio de custos no atacado.

Para os analistas, “os sinais qualitativos melhoraram”, embora esse quadro ainda não elimine a postura cautelosa do Banco Central.

Fiscal ainda pressiona a parte longa da curva

O quadro fiscal, por outro lado, segue como fator de pressão. A dívida bruta avançou de 80,19% para 81,07% do PIB em maio, enquanto a dívida líquida chegou a 67,91% do PIB.

Mesmo com superávit primário acumulado em 12 meses, o custo dos juros nominais continua elevado, consumindo 8,48% do PIB e mantendo o déficit nominal em 9,62% do PIB.

Na avaliação do Safra, esse cenário tende a manter prêmios elevados nos vencimentos mais longos. Por isso, o banco evita aumentar exposição em prefixados longos e em NTN-Bs ultralongas, que têm maior sensibilidade a uma abertura adicional das taxas.

Cenário externo ainda ajuda emergentes, mas com menos conforto

No exterior, o Safra avalia que o ambiente ainda favorece mercados emergentes, mas com menor margem de segurança. A leitura considera o tom mais duro do Federal Reserve e a possibilidade de novas altas de juros nos Estados Unidos em 2026.

“No exterior, o ambiente ainda favorece emergentes, mas perdeu parte do conforto. (…) O diferencial superior a 10 p.p. entre a Selic e o teto dos Fed Funds continua sustentando o real, embora esse colchão possa diminuir caso o Fed volte a subir juros enquanto o Copom continua cortando”, explica o banco.

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NTN-Bs intermediárias são posição central

Na alocação recomendada, o Safra coloca as NTN-Bs intermediárias como posição central da carteira, com peso sugerido de 40%. O foco está nos vencimentos entre 2030 e 2035, que combinam juro real elevado, proteção inflacionária e duration considerada mais equilibrada.

O relatório destaca as taxas indicativas de 8,58% ao ano no IPCA+ 2030 e de 8,23% ao ano no IPCA+ 2035, níveis que embutem prêmio de cerca de 320 a 360 pontos-base sobre o juro real neutro estimado em torno de 5%.

Em outras palavras, o Safra vê nesses papéis uma relação mais favorável entre retorno esperado e risco de marcação a mercado. A duration intermediária permite capturar parte do ganho potencial em caso de fechamento das taxas, mas sem a volatilidade mais elevada dos títulos muito longos.

LFTs servem como âncora de liquidez

As LFTs, ou Tesouro Selic, aparecem como âncora de liquidez da carteira, com peso de 20%. Com a Selic em 14,25% ao ano, o carrego pós-fixado segue atrativo, especialmente enquanto o ciclo de cortes avança de forma gradual.

Para o Safra, essa posição funciona como reserva tática dentro da renda fixa. Ela preserva liquidez, reduz risco de marcação a mercado e permite que o investidor aumente a exposição à duration caso o ciclo de cortes ganhe força.

Prefixado 2029 entra como aposta tática

Entre os prefixados, o destaque é o Tesouro Prefixado 2029, tratado como posição tática, com peso sugerido de 10% na carteira. O papel tinha taxa de 14,34% ao ano e duration de aproximadamente 2,3 anos.

A tese do Safra está no descolamento entre os preços de mercado e as projeções do Focus. Enquanto o DI para 2029 não embute corte líquido relevante da Selic, o Focus ainda projeta taxa básica em 12% no fim de 2027.

“No prefixado 2029 a 14,34%, o vértice precifica zero corte líquido enquanto o Focus projeta Selic de 12% ao fim de 2027, gerando uma assimetria favorável”, afirma o relatório.

Esse diferencial cria uma oportunidade tática, mas exige disciplina. Caso as taxas voltem a abrir, especialmente por piora fiscal ou reancoragem incompleta das expectativas de inflação, a posição pode sofrer.

Debêntures incentivadas high grade seguem no radar

No crédito privado, o Safra mantém visão positiva para debêntures incentivadas indexadas ao IPCA de emissores high grade. No quadro-resumo da carteira, essa classe aparece sobreponderada, com peso de 30%.

A preferência se apoia em três fatores: isenção fiscal, prêmio sobre NTN-Bs de referência e melhor qualidade de crédito das grandes empresas. O relatório destaca que a inadimplência das grandes companhias caiu para 0,60%, enquanto o estresse permanece mais concentrado nas famílias e em empresas menores.

Para o banco, a reprecificação recente dos spreads no crédito privado parece mais ligada a ajustes técnicos e casos específicos do que a uma piora estrutural dos emissores de melhor qualidade.

Ponta longa segue exigindo cautela

Na outra ponta, o Safra mantém subponderação em prefixados mais longos e reserva a NTN-B 2050 apenas para investidores com horizonte muito longo e maior tolerância à volatilidade.

A avaliação é que os vencimentos longos oferecem menos prêmio relativo, mas carregam mais exposição ao risco fiscal, à abertura da curva e à incerteza sobre a taxa terminal de juros.

“Prefixados seguem interessantes de forma tática, enquanto a ponta longa continua exigindo cautela”, reforçam os analistas.