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IA no Brasil não trará produtividade, diz Bank of America

IA no Brasil não trará produtividade, diz Bank of America

Gargalos na rede elétrica, curtailment de renováveis e incerteza regulatória sobre incentivos a data centers são os principais obstáculos

O Brasil ocupa uma posição ambígua na economia da inteligência artificial: tem ativos físicos relevantes para sustentar a infraestrutura da tecnologia, mas enfrenta vulnerabilidades no mercado de trabalho que limitam seu posicionamento de curto prazo. É o retrato traçado pelo Bank of America em relatório sobre a implementação global da IA.

O Brasil oferece opcionalidade de infraestrutura de IA respaldada por recursos, embora não apareça como um contendor central de conversão de produtividade de longo prazo em nosso framework“, avalia o relatório.

A vantagem do país vem dos insumos físicos que os data centers demandam: excedente de energia limpa e exposição a minerais relevantes para IA.

Energia e terras raras como ativos estratégicos

O Brasil carrega dois trunfos concretos. O primeiro é um superávit de energia de 20%, sustentado pela expansão acelerada de capacidade eólica e solar, que poderia ser absorvido por grandes cargas de data centers. O segundo são as reservas de terras raras, que respondem por 14% do total global.

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“O Brasil tem uma vantagem geológica: vários de seus depósitos são de terras raras de argila iônica, semelhantes aos depósitos de terras raras pesadas do sul da China, que são atrativos porque podem conter elementos críticos para imãs”, destaca o relatório.

O projeto Pela Ema da Serra Verde, em Goiás, deve produzir entre 5 mil e 6,4 mil toneladas de óxidos de terras raras por ano até o final de 2027, com potencial de dobrar a produção antes de 2030.

Produção ainda marginal apesar das reservas

Ter reservas não significa relevância imediata na cadeia de suprimentos global.

“O Brasil é um exemplo útil: tem uma grande base de reservas, mas a produção atual permanece pequena em relação ao fornecimento global, então sua contribuição de curto prazo é mais limitada do que seu ranking de reservas sozinho sugeriria”, aponta o banco.

O país responde por menos de 1% da produção global de terras raras, o que limita sua influência enquanto o ecossistema de mina a imã não se desenvolver.

O Bank of America posiciona Austrália, Canadá e Brasil como bem colocados em termos de prontidão de recursos, com bom desempenho tanto na disponibilidade de terras raras quanto na prontidão energética.

“Brasil, Índia e Filipinas são retardatários no índice de preparação para IA do FMI, pois enfrentam maior risco em razão da alta dependência em exportações de serviços de TI e posicionamento relativamente mais fraco”, alerta o relatório.

Mercado de trabalho: o principal ponto de atenção

A vulnerabilidade brasileira à disrupção de empregos por IA é o maior fator limitante do posicionamento do país.

“Brasil e Índia são relativamente mais vulneráveis à disrupção do mercado de trabalho, o que limita seu posicionamento geral de curto prazo”, afirma o relatório.

O FMI classifica o Brasil entre os países com alta demanda por novas habilidades mas baixa capacidade do mercado de trabalho de fornecê-las, ao lado de México e Suécia.

A necessidade de ampliar o treinamento em STEM e potencialmente recorrer à migração qualificada são os caminhos apontados.

“A principal ressalva é a execução”, conclui o Bank of America.

“Gargalos na rede elétrica, curtailment de renováveis e incerteza regulatória em torno de incentivos a data centers precisam ser resolvidos antes que a dotação do Brasil possa se traduzir em investimento sustentado em infraestrutura de IA.”

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