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Pré-fixado ou pós-fixado? Entenda como funciona a renda fixa

Pré-fixado ou pós-fixado? Entenda como funciona a renda fixa

Victor Meira

Victor Meira

14 Set 2022 às 17:44 · Última atualização: 15 Set 2022 · 10 min leitura

Victor Meira

14 Set 2022 às 17:44 · 10 min leitura
Última atualização: 15 Set 2022

Moedas e um gráfico

Pixabay

O cenário foi de bastante volatilidade na renda variável no biênio de 2021/22. Por isso, muitos investidores procuram produtos mais rentáveis e com menos oscilações. Assim, muitos deles encontram opções na renda fixa. Inclusive, este é o tema deste artigo.

Grande parte das pessoas que estão iniciando a sua jornada no mundo dos investimentos começam pela renda fixa, que é uma modalidade mais conservadora e com menos riscos. Por isso, é importante compreender os conceitos mais básicos desta modalidade, como o que é um título pré-fixado ou pós-fixado.

O que é renda fixa?

Renda fixa é um tipo de investimento em que a rentabilidade do título é definida no momento em que o investidor faz a sua aplicação. Dessa forma, o retorno é limitado, uma vez que quem compra esse título já sabe qual será o rendimento dele. Fato bem diferente da renda variável, em que a rentabilidade depende de uma série de fatores socioeconômicos e até mesmo políticos. 

Os produtos de renda fixa podem ser divididos em dois grupos: pré-fixados e pós-fixados. Eles podem ser várias empresas e diferentes produtos. 

Com isso em mente, o portal EuQueroInvestir irá apresentar as principais categorias de investimentos da renda fixa. 

  • Tesouro Direto: Títulos emitidos pelo governo. Para simplificar, imagine que esses títulos são uma forma de dívida do Estado brasileiro, que libera a negociação desses títulos no mercado. 
  • Debêntures: produtos de renda fixa emitidos por empresas da iniciativa privada, principalmente aquelas que estão ligadas ao Ibovespa.  

Além deles, há LCI (Letra de Crédito Imobiliário); LCA (Letras de Crédito de Agronegócios); CDB (Certificado de Depósito Bancário), emitido por instituições bancárias, como o BTG Pactual (BPAC 11); e a tradicional Poupança

Definição de pré e pós-fixado

O pré-fixado indica que, ao comprar um título, há uma taxa pré-fixada até o vencimento dele. 

Por exemplo, se um título tem 13% pré-fixado, significa que, ao você contratá-lo, você irá receber 13% ao ano até o vencimento. Então, se o contrato vence em cinco anos, você receberá 13% de rentabilidade sobre o capital investido todo ano até o final do prazo. 

Os pós-fixados, geralmente, têm um indexador mais uma taxa, que também é chamada de prêmio. Esse indexador pode ter diferentes formatos, em que ele pode ser, por exemplo, o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ou a Selic.

Para não virar uma sopa de letrinhas, o CDI é como se fosse o crédito diário interbancário. Todos os bancos precisam “dormir” no positivo, logo eles emprestam dinheiro entre si para ficar no azul. Esse gap gera uma taxa, que é o famoso CDI.

O IPCA é o índice que mede os preços de produtos e serviços no Brasil. Ele que indica as taxas de inflação e deflação. E por último, a Selic, a taxa básica de juros. 

Ou seja, os títulos pós-fixados, normalmente, têm algum tipo de indexador, como os três citados acima, mais um prêmio. 

Quando você contratar um pós-fixado, o painel irá mostrar IPCA + 6%. Isso significa que o seu dinheiro vai acompanhar a subida ou a descida do IPCA mais os 6%, que é o prêmio da taxa que o banco colocou ali. 

Quem emite os títulos de renda fixa?

Para você entender quem emite esses títulos, vamos apresentar um por um. O governo é responsável pela emissão de Tesouro Direto. O Estado emite essa dívida e os investidores a compram. Diante disso, quem adquire um Tesouro recebe uma taxa em troca, que pode ser pré-fixado ou pós-fixado. 

Quando a gente fala de instituições financeiras como emissoras, estamos falando de CDB, LCI, LCA, poupança, dentre outros. Essas instituições, que normalmente são os bancos, emitem os títulos para você receber um prêmio. 

O CDI, normalmente, acompanha a Selic. Então, se você vê um CDI pagando 10%,12% ou 15%, regularmente, ele paga um pouco a mais que a taxa básica de juros. Essa é uma forma para atrair os investidores e eles não irem preferencialmente para o Tesouro, que tem maior garantia.

As empresas privadas, como emissoras de títulos de renda fixa, são aquelas que desejam se capitalizar e emitem essa dívida no mercado para os investidores aportarem com os recursos na companhia. Pelo investimento nelas, as empresas liberam um prêmio em troca disso. 

As debêntures também podem ser pré e pós fixadas. Quem pode fazer esse tipo de emissão? Toda empresa privada que constrói um conselho, tem governança, e, frequentemente, são empresas ligadas à bolsa de valores. Então, são empresas bem consolidadas no Brasil. Exemplos de companhias com debêntures:

  • Embraer (EMBR3);
  • Vale (VALE3);
  • Petrobras (PETR3; PETR4);
  • Cemig (CMIG4);
  • Eletrobras (ELET6).

Com base nessas empresas, você pode perceber que há companhias de diversos setores e que atuam na iniciativa privada ou em sociedade mista com o poder público. Além disso, todas elas estão na bolsa e emitem debênture. 

Geralmente, as debêntures têm um prazo de vencimento de dois, cinco ou até mesmo 30 anos, com uma taxa para incentivar o investidor a aportar. 

Vamos aprofundar nos títulos públicos, ou seja, Tesouro Direto

O Tesouro Direto é o título com a maior garantia do mercado. Por que isso acontece? Quem emite essa dívida é o governo, ou seja, se o governo quebrar, a última coisa que você vai pensar é no dinheiro investido no título, uma vez que você terá que mudar de país e ter uma vida nova porque o país entrou em default (não honrou com os pagamentos das dívidas). 

Se a gente tem um título público, nós temos um ativo livre de risco. Isto é, o Tesouro Direto é um dos títulos com a maior garantia do Brasil.

Há alguns tipos de títulos de Tesouro Direto no mercado. Vamos começar com a LFT, que é um pós-fixado. Quando contrata uma LFT, você compra, essencialmente, um Tesouro Selic. Quando se investe neste título, você está exposto à taxa básica de juros. 

Por exemplo, se você tivesse comprado uma LFT lá em 2020, quando a taxa Selic estava na casa dos 2%, a sua rentabilidade seria excelente, visto que ela saltou dos 2% para 13,75% em setembro de 2022. 

No Tesouro Direto, também tem a LTN, que é um título pré-fixado. Quando contrata um título público, você já sabe qual é a taxa que vai receber até o vencimento do contrato. 

Por último, considerada a queridinha do mercado, a NTN-B, em que ela é o IPCA mais o prêmio. Ao colocar o seu dinheiro neste título, você receberá a variação do IPCA e o juro pré-fixado.

O interessante nestes três cenários por aqui é para você acompanhar o ciclo econômico do mercado e do Brasil. 

Se estivermos em um momento de expansão, provavelmente você deverá ficar com o pré-fixado. Vamos imaginar que a taxa de juros está em 14%, então você compra um título pré. Com isso em mente, você avalia que o mercado e a economia vão melhorar e a taxa de juros tende a recuar. Assim, a expectativa é entrar em um ciclo de expansão com a redução gradual da Selic.

Agora, digamos que estamos em recessão, com o negócio em crise. Neste cenário, a preferência é por uma NTN-B porque o IPCA vai disparar e o banco central tende a elevar os juros devido à inflação subindo. Dessa forma, você quer ficar protegido em um ambiente inseguro, não quer perder o poder de compra e acompanhar o índice inflacionário. 

Em relação à Selic, se você avalia que a taxa básica de juros irá aumentar, então aplica o seu dinheiro neste título para ter uma boa rentabilidade. 

Estes são os três produtos do Tesouro Direto que você pode comprar. É possível adquiri-los nas plataformas do próprio Tesouro ou em uma corretora. Inclusive, na própria EQI Investimentos há diversas opções de aplicações, dentro da plataforma do BTG Pactual (BPAC11), para investir no Tesouro Direto. 

Quem define a política da Selic?

A instituição responsável em definir a taxa Selic é o Copom (Comitê de Política Monetária). A cada 45 dias, os dirigentes se reúnem para decidir se a taxa básica de juros vai aumentar ou diminuir. 

A decisão depende do quadro econômico do país e onde está localizado o ciclo econômico. Atualmente, estamos próximos do topo da taxa Selic. Dessa forma, em breve, a expectativa é o início do processo de queda juros para a economia começar a expandir e melhorar. 

Últimas informações sobre os títulos públicos

Os leilões de títulos públicos são as principais fontes de emissão de dívida pública para o governo captar recursos. Haja vista que os cidadãos locais ou até investidores estrangeiros podem comprar títulos públicos brasileiros.

Vale destacar que em 2021, esses leilões bateram o recorde de arrecadação, que atingiu R$ 32,583 bilhões. 

Uma coisa interessante para se observar é que o Tesouro, assim como outros títulos, tem uma espécie de marcação a mercado. O que isso significa? Se você quiser vender esse título antes do vencimento, ele vai estar na marcação de mercado.

Para ser mais claro vamos pensar na seguinte situação. Imagina que você tenha comprado um título pré-fixado a 13% agora em 2022, mas ele tem o vencimento em 2030. Dois anos depois, vamos supor que a taxa básica de juros e os títulos públicos estejam pagando apenas 8%. Perceba que há um spread de 8% e 13%. 

A marcação a mercado do seu título público pré-fixado a 13% é maior que a cobrada em 2024. Em outras palavras, o PU (Preço Unitário) do seu título está mais valorizado do que na época em que você o comprou. Então, a rentabilidade do seu investimento pode ser maior do que você pagou neste título. 

Desse modo, é sempre bom ficar atento na marcação a mercado. Por que, em muitos casos, você coloca um dinheiro com a intenção de mantê-lo por 10, 20 ou 30 anos, mas precisa tirar os recursos antes e vendê-los no mercado secundário. Com isso, é possível ganhar ou perder parte do investimento conforme a situação econômica do país.

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