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Dólar no segundo semestre: hora de aproveitar janela, antes de Fed subir mais os juros

Dólar no segundo semestre: hora de aproveitar janela, antes de Fed subir mais os juros

O mercado projeta um início de queda para a Selic, taxa básica de juros, a partir de agosto.

Para a EQI Asset, o recuo deve ser de 25 pontos-base no dia 2 do próximo mês, mas com Selic alcançando 11,75% até dezembro, com reduções de 50 pontos-base em setembro e outubro e 75 pontos-base na reunião final, de 13 de dezembro.

Já o Boletim Focus segue com estimativa de Selic a 12% até o final do ano.  

Nos EUA, pelo contrário, a expectativa é por mais altas de juros nas próximas reuniões de política monetária, com pelo menos um ou dois aumentos de 25 pontos-base até dezembro, o que levaria os juros americanos para mais próximo de 6% – atualmente, a faixa está entre 5% e 5,25%.

Vale lembrar que, na última reunião, a decisão foi pela manutenção, para avaliar os impactos do aperto monetário na economia.

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Se estes movimentos se confirmarem, com juros caindo no Brasil e juros subindo nos EUA, o efeito será uma redução do chamado carry trade, ou custo de carrego, que é a diferença de juros entre os países. E terá impacto nas perspectivas para o dólar no segundo semestre.

De maneira resumida, a estratégia de investimento chamada de carry trade é usada por muitos estrangeiros que visam obter ganhos com o diferencial de juros entre países. Com o diferencial de juros entre Brasil e EUA menor, a estratégia perde atratividade e deve pressionar o câmbio, via migração de capital para os EUA, após a subida de juros americana.

Lembrando sempre que a renda fixa por lá é considerada a mais segura do mundo, o que explica a retirada dos recursos de países emergentes, como o Brasil, e a migração para os papéis mais seguros, como os títulos do tesouro americano (treasuries).

“Caso tenhamos o cenário descrito acima se tornando realidade, com Fed subindo juros e Banco Central reduzindo, a pressão para uma leve desvalorização do real deve acontecer. Então, este pode ser aquele melhor momento para o investidor aproveitar a janela e para o exportador travar parte dos seus recebimentos futuros, por exemplo”, afirma Alexandre Viotto, co-head de Banking da EQI Investimentos.

No entanto, Viotto alerta, há um movimento interno no Brasil que pode segurar parcialmente a força do dólar, mesmo que o Fed suba juros nos EUA.

“Se a gente pensar só pelo carry trade, é provável que o dólar ganhe força contra o real, com o Brasil ficando menos atrativo quanto aos treasuries. Mas hoje nós temos outras forças que podem minimizar a desvalorização do real frente ao dólar”, afirma.

Vivemos um clima de que, apesar dos pesares, o governo vem conseguindo passar pautas relevantes no Congresso e não veio com temas anti-mercado”, avalia.

“Não estou dizendo que estamos às mil maravilhas, mas, no panorama geral, a economia está resiliente, com subida de rating, nota de crédito, por agências de classificação de risco, e mercado vislumbrando uma possível retomada de grau de investimento. Isso pode ajudar o real”, diz.

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Dólar no segundo semestre: perspectivas daqui para a frente

Apesar do bom momento do real, Viotto alerta aos investidores sempre pesarem em sua decisão de investimento a possibilidade de volatilidades.

“A tendência para o próximo semestre é o dólar continuar descendo, mas diante de eventos inesperados, com volatilidade, ele sobe rapidinho para mais de R$ 5. O dólar sempre ‘desce de escada e sobe de elevador’”, alerta.

O BTG Pactual também projeta o câmbio na casa dos R$ 5 (R$ 5,04) até dezembro, mas chegando a R$ 4,79 no piso deste ano.

Média trimestral projetada para câmbio. Fonte: BTG
Câmbio: média trimestral projetada. Fonte: BTG

O Boletim Focus, do Banco Central, que semanalmente coleta a visão de instituições financeiras e casas de análise para os principais indicadores econômicos do país, vê câmbio a R$ 5.

Se agenda doméstica avançar, câmbio chegar a R$ 4,79, diz BTG

Para o BTG, a economia doméstica está enfrentando um cenário mais favorável, impulsionado pela aprovação do novo arcabouço fiscal na Câmara dos Deputados, assim como da reforma tributária e do projeto do Carf. A manutenção da meta da inflação em 3% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) também ajuda no cenário de estabilidade.

“No curto prazo, estaremos focados no cenário internacional devido à incerteza em relação ao término do ciclo de alta de juros nos Estados Unidos. A agenda política doméstica precisará continuar avançando para equilibrar a redução do diferencial de juros entre o Brasil e os EUA e permitir uma taxa de câmbio próxima a R$ 4,80 até o final deste ano”, afirma o banco.

“A economia doméstica segue convivendo com um cenário mais favorável, marcado pela definição da meta de inflação em 3% para os anos de 2024 a 2026 e pela aprovação da Reforma Tributária dos impostos indiretos na Câmara dos Deputados”, diz o relatório de câmbio de julho do BTG.

“Essas decisões proporcionaram uma melhoria na previsibilidade para os agentes do mercado em relação à política monetária futura, principalmente por resultarem em um balanço de riscos mais construtivo para o início do ciclo de cortes da taxa Selic, que esperamos que comece em agosto”.

Performance do real frente a outras moedas. Fonte: BTG
Performance do real frente a outras moedas. Fonte: BTG

Perspectivas para cenário dos EUA

No cenário internacional, o payroll de junho apontou a criação de 209 mil empregos ante 295 mil esperados. E os dados de atividade continuam mostrando crescimento.

Desta forma, o mercado está mais uma vez monitorando os números e a composição da inflação, com a próxima divulgação nesta quarta-feira (12), com o Índice de Preços ao Consumidor (CPI ou IPC).

Segundo o BTG, a inflação tem apresentado desaceleração dos itens relacionados ao mercado imobiliário, bem como a deflação no setor automotivo, mas também o ressurgimento das pressões nos alimentos, energia e no núcleo de serviços.

“Se a expectativa de deterioração adicional no quadro inflacionário americano for confirmada, entendemos que outro aumento na taxa de juros não apenas em julho, mas também em setembro, é altamente provável”, aponta sobre as perspectivas para o dólar no segundo semestre.

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