O CMN (Conselho Monetário Nacional) estabeleceu a meta de inflação de 2026 para 3%, com intervalo de 1,5 p.p. para cima ou para baixo, e também manteve as metas de inflação para 2024 e 2025 no patamar de 3%, sem alterações, como já estava definido anteriormente.
Com isso, a EQI Asset revisou suas projeções para a Selic, taxa básica de juros, para o valor de 11,75% ao ano no fim de 2023. Segundo o economista-chefe da casa, Stephan Kautz, o início do ciclo de queda será já na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), em 2 de agosto, com queda de 25 pontos-base – dos atuais 13,75% ao ano para 13,5% do ano. Depois, ele projeta quedas de 0,5 p.p. nas reuniões de setembro e outubro e uma de 0,75 p.p., na reunião final, em 13 de dezembro (leia mais sobre as projeções da EQI Asset ao fim do texto).
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O anúncio das metas foi feito nesta quinta-feira (29) pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que também é o presidente do CMN, após encontro com os demais membros, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Haddad anunciou ainda que o Brasil passará a adotar a partir de 2025 o chamado regime de metas contínuas, que deixará de levar em conta o ano-calendário para focar num “horizonte de longo prazo”, mas sem detalhar como será feita a transição. O assunto deve ser formalizado num decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Metas de inflação: regras e opiniões
Pela regulamentação atual, as metas de inflação no Brasil devem ser definidas com três anos de antecedência pelo CMN, sempre no primeiro semestre. A meta de 2023, estabelecida em 2020, é de 3,25%, com intervalo de 1,5 p.p., ou seja, pode variar de 1,75% a 4,75%.
Quando a meta não é cumprida, o presidente do Banco Central deve enviar uma carta aberta ao CMN para explicar as razões e projetar quando a meta será alcançada. Em 2023, o IPCA, índice oficial de inflação do país, calculado pelo IBGE, é de 2,95% no acumulado de janeiro a maio, último mês divulgado. Em 12 meses, o valor é de 3,94% – número que passará a ser considerado quando a meta contínua entrar em vigor, a partir de 2025.
Nesta quinta-feira (29) pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “o Brasil não precisa ter um sistema de metas de inflação tão rígido”. “A gente tem que ter uma meta que a gente alcance. Alcançou aquela meta? A gente pode reduzir e fazer mais um degrau, descer mais um degrau. É para isso que a política monetária tem que ser móvel. Ela não tem que ser fixa e eterna, ela tem que ter sensibilidade em função da realidade da economia e das aspirações da sociedade”, afirmou, em entrevista à Rádio Gaúcha
No fim da tarde, ao anunciar as metas, Fernando Haddad afirmou que a decisão de estabelecer a meta para 2026 foi tomada para cumprir a obrigação legal, e que o cenário econômico vem mostrando que a inflação se encaminha para o centro da meta.
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Metas de inflação: o que é a meta contínua
O presidente Lula agora deve soltar um decreto para anunciar como será a transição para o regime de meta contínua, que já foi elogiado também por Roberto Campos Neto, Ele, no entanto, não terá de responder a esse processo pois deixa o cargo no fim de 2024.
No sistema de meta contínua, usado em vários países desenvolvidos, o horizonte pode ser aberto ou obedecer a um prazo maior que um ano, como 18 ou 24 meses.
É a partir das metas de inflação e da observação do cenário macroeconômico para que elas sejam atingidas que o Banco Central decide a Selic, a taxa básica de juros, hoje definida em 13,75%.
Vale lembrar que, na terça-feira (27), a ata da última reunião do Copom trouxe como novidade a indicação de que a maioria dos membros do comitê de política monetária do Banco Central enxerga como possível uma redução “parcimoniosa” da taxa de juros já na próxima reunião do grupo, que acontece dias 1 e 2 de agosto. Havia, no entanto, o temor de que mudanças na meta pelo CMN pudessem afetar tais decisões.
O economista-chefe da EQI Asset, Stephan Kautz, acredita que a decisão de manter as metas de inflação em 3% deve agradar ao mercado e serve como sinalização positiva para que o Copom inicie o processo de redução dos juros já em sua próxima reunião, em 1 e 2 de agosto.
“É uma boa notícia porque mantém o Brasil alinhado aos demais países emergentes e mostra que não funcionou a pressão do presidente Lula, que queria um número mais próximo de 4%”, afirmou o analista.
Sobre a adoção do sistema de meta contínua, Kautz acredita que é uma decisão positiva, mas é preciso ter atenção porque ela pode prejudicar a tomada de decisões impopulares do Copom em caso de necessidade de novos aumentos. “Pode haver alguns choques que apontem a necessidade de alta, mas pode neste caso vir a desculpa de que o efeito desse choque vai se dissipar sozinho ao longo dos 24 meses, o que pode ser preocupante”, aponta.
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