O Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) divulgou nesta quarta-feira (5) a última ata do Fomc, seu comitê de política monetária, referente à reunião dos dias 13 e 14 de junho, que manteve a taxa de juros do país no intervalo entre 5% e 5,25% ao ano, depois de uma série de altas consecutivas.
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O texto reforça a impressão deixada pelo comunicado emitido no dia, que aponta para possíveis novas altas até o fim do ano, e revela que alguns dos diretores poderiam ter votado a favor de uma alta naquela reunião, se tivesse sido essa a proposta do presidente, Jerome Powell.
“Alguns participantes indicaram que eram a favor de aumentar a faixa-alvo em 25 pontos-base nesta reunião, observando que o mercado de trabalho permaneceu muito apertado, o ímpeto da atividade econômica havia sido mais forte do que o previsto anteriormente, e havia poucos sinais claros de que a inflação estava a caminho de retornar ao objetivo de 2% do Comitê ao longo do tempo”, diz o texto.
Ao fim, prevaleceu a decisão unânime de manter a taxa, mas deixando bem claro, tanto no comunicado como agora na ata, que a tendência até o fim do ano é de permanência do aperto monetário.
“Todos os participantes continuaram antecipando que, com a inflação ainda bem acima da meta de 2% e o mercado de trabalho permanecendo muito apertado, manter uma postura restritiva para a política monetária seria apropriado para alcançar os objetivos do Comitê”, diz o texto.
A ala relata que os participantes notaram uma inflação mais resiliente, assim como os indicadores de atividade econômica, como o PIB do primeiro trimestre, que teve alta de 2,1% em relação ao quarto trimestre de 2022, o mercado de trabalho, que segue registrando aumento no saldo de contratações, especialmente no setor de serviços – que vem compensando nos últimos meses o desempenho fraco da indústria.
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Ata do Fomc: sem medo de recessão permanente
A palavra “recessão” aparece em quatro ocasiões no texto, mas sempre considerada como uma hipótese de menor risco diante justamente da resiliência dos indicadores. Até mesmo o setor bancário se mostrou em condições melhores, depois da falência de três bancos nos primeiros meses do ano.
“Os participantes observaram que a atividade econômica continuou a se expandir em um ritmo modesto. No entanto, os ganhos de emprego foram robustos nos últimos meses e a taxa de desemprego permaneceu baixa. A inflação manteve-se elevada. Os participantes concordaram que o sistema bancário dos EUA era sólido e resiliente. Eles comentaram que as condições de crédito mais apertadas para famílias e empresas provavelmente pesariam na atividade econômica, nas contratações e na inflação, mas concordaram que a extensão desses efeitos permaneceu incerta e que seguirão muito atentos aos riscos”, diz a ata.
O texto também mostra a resignação dos diretores do Fed a respeito da demora para que os resultados do aperto monetário apareçam.
“Os participantes também reconheceram a incerteza sobre as defasagens com que a política monetária afeta a economia e discutiram até que ponto os efeitos totais do aperto monetário na economia foram percebidos. Embora a inflação total tenha moderado ao longo do ano passado, o núcleo da inflação não mostrou uma redução sustentada desde o início do ano”, diz o texto.
Numa menção indireta à crise bancária de março, quando três bancos entraram em liquidação, os diretores do Fed observaram que o setor financeiro está mais resistente. “As tensões bancárias diminuíram e as condições no setor bancário melhoraram muito desde o início de março. Os participantes em geral continuaram a julgar que um aperto nas condições de crédito estimulado pelo estresse do setor bancário no início do ano provavelmente pesaria ainda mais na atividade econômica, mas a extensão permaneceu incerta. Vários participantes mencionaram que as condições de crédito não pareceram ter endurecido significativamente além do que seria esperado em resposta às ações de política monetária tomadas desde o início do ano passado”, afirma a ata.
O economista-chefe da EQI Asset, Stephan Kautz, acredita que, mesmo sem trazer grandes novidades, a ata reforça as projeções de que pode haver mais duas altas na taxa de juros dos EUA até o fim do ano, especialmente pela presença de diretores preocupados com o risco inflacionário que já defendiam nova alta na última reunião.
“Eles fizeram um acordo de esperar para ver os próximos indicadores, porque a inflação está demorando mais que o esperado para ceder. O Fomc vai então verificar se foi apenas uma demora para que a contração fizesse efeito ou se é alguma questão mais estrutural que precisa ser modificada, mas a tendência mesmo é que venham mais duas altas de 0,25 p.p. até o fim do ano”, acredita Kautz.
O analista destaca que sua projeção, até então, era de manutenção das taxas. “A nossa impressão é que a inflação já está em processo de desaceleração, mas o comunicado deixa mais claro que novas altas devem mesmo acontecer.”
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