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Magalu e Mercado Livre: como funciona o acordo e o que muda para MGLU3

Magalu e Mercado Livre: como funciona o acordo e o que muda para MGLU3

Parceria coloca cerca de 27 mil produtos no marketplace; Safra estima até R$ 3 bilhões em vendas anuais, mas mantém recomendação neutra

A parceria entre Magazine Luiza (MGLU3) e Mercado Livre (MELI; MELI34) não envolve fusão, venda da varejista ou mudança na estrutura acionária. Trata-se de um acordo comercial que transforma o Magalu em vendedor dentro do marketplace do Mercado Livre.

Cerca de 27 mil produtos de estoque próprio serão oferecidos na plataforma. O Magazine Luiza continuará responsável pelas mercadorias e pelas entregas, realizadas pela Magalog. Para quem tem MGLU3, o possível efeito é indireto, por meio do aumento das vendas online, das margens e da geração de caixa.

O anúncio levou as ações do Magazine Luiza a dispararem mais de 22% durante o pregão desta quarta-feira (2).

“Nossa estratégia é somar a audiência de nossos canais às de outras plataformas relevantes como o Mercado Livre”, afirmou Frederico Trajano, CEO do Magalu, em comunicado público. Segundo ele, a intenção é acelerar as vendas online no curto prazo e de forma rentável.

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Magalu vira vendedor dentro do Mercado Livre

O acordo abrange produtos das marcas Magazine Luiza, KaBuM! e Época Cosméticos. O catálogo inclui eletroeletrônicos, móveis, games, computadores, celulares, cosméticos e itens de perfumaria.

Os produtos são classificados como 1P, ou estoque próprio. Isso significa que as mercadorias pertencem ao Magalu, diferentemente do modelo 3P, no qual vendedores independentes utilizam o marketplace para comercializar seus produtos.

O cliente encontra e compra os itens dentro do Mercado Livre, enquanto a Magalog realiza as entregas. Segundo o Safra, o financiamento ao consumidor ficará a cargo do Mercado Livre, condição que pode melhorar o capital de giro do Magazine Luiza.

O acordo pode ser ampliado futuramente. As empresas avaliam usar as lojas físicas do Magalu como pontos de retirada e devolução de produtos vendidos no Mercado Livre. A Magalog também poderá transportar itens com mais de 30 quilos, como geladeiras, fogões e móveis. Essas duas frentes ainda estão em negociação.

Quem ganha com a parceria?

Para o Magazine Luiza, o principal benefício é acessar a audiência do Mercado Livre sem depender exclusivamente de investimentos em mídia paga para atrair consumidores. Segundo o Safra, a plataforma concentra aproximadamente 37% do comércio eletrônico brasileiro e 35% das visitas aos marketplaces.

A administração do Magalu afirma que a margem de contribuição negociada é positiva. A rentabilidade deve superar a obtida nas vendas originadas por anúncios pagos, embora permaneça abaixo da margem dos clientes que chegam organicamente aos canais próprios.

“Em nossa visão, essa parceria deve ser um ganha-ganha para ambas as companhias. O MGLU passa a ter acesso a um novo marketplace para vender seus produtos com margem melhor do que a obtida via mídia paga, enquanto MELI ganha acesso a produtos de linha branca e móveis, categorias em que ainda não possui boa penetração”, afirmou a Ativa Investimentos.

Para o Mercado Livre, o acordo amplia o catálogo em categorias nas quais a companhia ainda possui menor presença, especialmente móveis, eletrodomésticos e outros produtos de grande porte. A plataforma também pode aproveitar a estrutura logística que o Magalu já mantém para esse tipo de entrega.

“Com as marcas do grupo Magalu na plataforma, chegamos a mais categorias, mais produtos e mais opções para quem compra online”, afirmou Fernando Yunes, líder do Mercado Livre na América Latina, em declaração divulgada pelas empresas.

Safra estima até R$ 3 bilhões em vendas anuais

O Safra estima que a parceria pode gerar aproximadamente R$ 3 bilhões em GMV anualizado para o Magazine Luiza. GMV é o valor total das mercadorias comercializadas e não corresponde diretamente à receita ou ao lucro obtido pela empresa.

De acordo com o relatório assinado por Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio, esse volume poderia acrescentar cerca de 10 pontos percentuais ao crescimento das vendas de estoque próprio no quarto trimestre de 2026. O cenário-base do banco considerava expansão de 4%.

O Safra também espera baixa canibalização dos canais próprios do Magalu. Isso significa que uma parcela relevante das compras realizadas no Mercado Livre deve vir de consumidores que não comprariam diretamente no aplicativo, no site ou nas lojas da varejista.

A estimativa de R$ 3 bilhões usa como referência o desempenho da parceria do Mercado Livre com a Casas Bahia (BHIA3), cuja relevância pode diminuir após o pedido de recuperação judicial da varejista.

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O que muda para quem tem MGLU3?

O acionista do Magazine Luiza não precisa realizar qualquer procedimento. O acordo não cria novas ações, não altera a quantidade de papéis em circulação e não provoca diluição. O impacto dependerá dos resultados comerciais que a parceria conseguir produzir.

Mesmo com a avaliação positiva, Safra e Ativa mantêm recomendação neutra para MGLU3. O Safra trabalha com preço-alvo de R$ 6, enquanto a Ativa estabelece preço-alvo de R$ 9. Para as ações do Mercado Livre negociadas nos Estados Unidos, a Ativa mantém indicação de compra e preço-alvo de US$ 2.300.

A cautela reflete o ambiente macroeconômico ainda desafiador e as incertezas sobre a execução do acordo. As empresas não revelaram a comissão cobrada pelo Mercado Livre, os valores envolvidos nem projeções financeiras oficiais.

Para medir o resultado da parceria, os principais dados serão o volume efetivamente vendido, a margem de contribuição, o crescimento do e-commerce do Magalu e a evolução do capital de giro. Também será necessário acompanhar se as negociações para usar as lojas físicas e a Magalog em outras operações do Mercado Livre serão concluídas.