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Troca de ativos gera valor de R$ 1,5 bi para a Eneva, calcula BBI

Troca de ativos gera valor de R$ 1,5 bi para a Eneva, calcula BBI

Empresa vendeu a térmica a carvão de Itaqui por R$ 400 milhões e, em troca, ficou com 100% do projeto Hub LRCAP Ceará

A Eneva (ENEV3) zerou sua exposição a ativos de carvão e passou a deter 100% do projeto Hub LRCAP Ceará. A companhia vendeu a termelétrica a carvão de Itaqui para a Diamante Energia por R$ 400 milhões, e em contrapartida a compradora abriu mão da opção de adquirir 30% do projeto cearense.

“Avaliamos a transação como bastante positiva, gerando um valor presente líquido de aproximadamente R$ 1,5 bilhão para a Eneva, cerca de 3% do valor de mercado da companhia”, apontam Francisco Navarrete e Ricardo França, analistas do Bradesco BBI.

Além do ganho financeiro, a saída completa da geração a carvão tende a fortalecer o perfil ambiental, social e de governança da empresa diante de investidores internacionais, na avaliação do banco.

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“No curto prazo, o mercado deve monitorar a possível consolidação de 100% do Hub LRCAP Sudeste pela Eneva, que hoje detém 51%, e a decisão regulatória sobre o repasse de 800 MW de projetos cancelados do último leilão para a companhia, o que poderia expandir ainda mais o portfólio”, observam Navarrete e França.

Pecém II: caixa que não fica no balanço

Em 31 de agosto, a companhia concluiu outra saída do carvão, a venda de 100% das ações da Pecém II Geração de Energia para a Diamante Geração de Energia. O ativo é uma térmica de 365 MW no Ceará, com contratos regulados vencendo em setembro de 2028. O valor ficou em R$ 839,2 milhões, dos quais R$ 748,4 milhões foram pagos à vista no fechamento, além de uma parcela contingente de até R$ 149,0 milhões.

“A venda não desalavanca a Eneva. Ela compra tempo no ciclo de capex. Os R$ 748,4 milhões equivalem a 3,8% da dívida líquida de R$ 19,800 bilhões de junho e a 20% do capex de R$ 3,700 bilhões do primeiro semestre, que cresceu 55,2% na comparação anual”, calculam Yuri Machado e Roberto Pasqualini, analistas do Safra.

Desalavancagem virá da receita contratada

Os números do trimestre mostram por que o alívio é limitado. A receita somou R$ 4,000 bilhões, alta de 13,1% em um ano, com Ebitda de R$ 1,200 bilhão, queda de 26%. Ajustado pela baixa contábil de Pecém II e por contratos, o Ebitda sobe 14% na base comparável, para R$ 1,400 bilhão.

O resultado antes de juros e impostos, de R$ 752 milhões, não cobriu a despesa financeira de R$ 875 milhões, uma cobertura de 0,86 vez ante 1,38 vez um ano antes. A alavancagem reportada está em 3,18 vezes, contra um limite contratual de 4,5 vezes.

“A perspectiva de desalavancagem existe, mas vem da receita contratada, não de venda de ativo. Entram até julho de 2027 cerca de R$ 3,000 bilhões por ano de receita fixa nova, e a queda do indicador só deve aparecer quando a UTE Azulão II tiver o contrato de venda de energia em vigor por 12 meses, provavelmente a partir de 2028”, projetam Machado e Pasqualini.

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