O Bitcoin hoje (6) opera em queda, mas ainda sustenta a região dos US$ 62 mil após uma semana de recuperação. Por volta das 12h21, a criptomoeda caía 1,94%, cotada a US$ 62.355,50, segundo dados do Google Finance.
A queda desta segunda-feira ocorre depois de o ativo ter retomado a faixa dos US$ 60 mil nos últimos pregões, apoiado por dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos. A leitura reduziu parte da pressão sobre os juros americanos e ajudou ativos sensíveis à liquidez, como Bitcoin e Ethereum.
Apesar da baixa no intradiário, analistas ainda monitoram se o BTC conseguirá sustentar a recuperação acima dos US$ 60 mil e voltar a superar de forma consistente a média móvel de 200 semanas, próxima de US$ 62,8 mil.
Bitcoin hoje: média de 200 semanas entra no radar
Segundo Fabricio Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, o ponto mais importante para o Bitcoin foi o retorno dos fechamentos diários acima dos US$ 60 mil. A leitura reduziu parte da pressão técnica observada nas últimas semanas.
Agora, o ativo volta a testar a média móvel simples de 200 semanas, próxima de US$ 62,8 mil. Esse nível costuma ser acompanhado pelo mercado como uma referência histórica de regiões de fundo e retomada.
Se o Bitcoin conseguir sustentar fechamentos diários acima dessa média, a próxima zona técnica fica entre US$ 65 mil e US$ 67 mil. Caso falhe, a região dos US$ 60 mil volta a ser o principal suporte de curto prazo.
“Para cripto, esse ajuste é positivo. Menos pressão por juros altos significa mais espaço para ativos sensíveis à liquidez, como Bitcoin, Ethereum e demais criptoativos”, afirma Tota.
Payroll fraco reduz pressão sobre juros
O principal fator de alívio veio dos Estados Unidos. Na quinta-feira (2), antes do feriado prolongado de Independência, o payroll de junho mostrou a criação de 57 mil vagas, abaixo da expectativa de 110 mil.
O dado anterior também foi revisado para baixo, de 139 mil para 129 mil vagas. No setor privado, foram criados apenas 49 mil postos, cerca de metade do esperado para o mês.
À primeira vista, a queda da taxa de desemprego de 4,3% para 4,2% poderia indicar força do mercado de trabalho. Mas a taxa de participação caiu de 61,8% para 61,5%, sinalizando que menos pessoas estavam procurando emprego.
Segundo Tota, a leitura foi de um mercado de trabalho mais fraco. Com isso, os rendimentos dos Treasuries e o dólar global recuaram, reduzindo parte da pressão sobre ativos de risco.
Para André Franco, CEO da Boost Research, o payroll mais fraco facilitou a leitura de um Federal Reserve menos pressionado a subir juros na reunião de julho.
“Com os mercados americanos reabrindo nesta segunda-feira após o feriado de 4 de julho, a leitura dominante é de que um mercado de trabalho mais frio facilita a vida do Fed na decisão de juros de 28 e 29 de julho”, afirma Franco.
ETFs ainda pressionam, mas fluxo diário melhora
Apesar da melhora no pano de fundo macroeconômico, os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos seguem como ponto de atenção. Segundo o Mercado Bitcoin, os produtos completaram a oitava semana consecutiva de fluxo líquido semanal negativo.
As saídas acumuladas já superam US$ 8,25 bilhões, na pior sequência desde o lançamento desses fundos. Esse dado ainda pesa sobre o mercado, porque mostra que o fluxo institucional segue fraco no agregado.
Por outro lado, houve um sinal positivo antes do feriado nos Estados Unidos. Na quinta-feira (2), os ETFs registraram entrada líquida de cerca de US$ 221 milhões, interrompendo uma sequência de dez dias consecutivos de saídas diárias.
Ainda é cedo para tratar o dado como reversão. Mas, se os fluxos positivos se repetirem nos próximos pregões, os ETFs podem voltar a ajudar na sustentação do preço.
Segundo Franco, a faixa provável de oscilação no curtíssimo prazo fica entre US$ 61 mil e US$ 64,5 mil. Para consolidar uma recuperação mais forte, o Bitcoin precisaria romper a região entre US$ 65,5 mil e US$ 67 mil. Já a perda dos US$ 60 mil reabriria espaço para retorno à faixa dos US$ 58 mil.
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Ethereum ganha força com Lean Ethereum
Entre as maiores altcoins, o destaque recente ficou com o Ethereum. O ativo acumula alta superior a 12% nos últimos sete dias e negocia perto de US$ 1.760, segundo o Mercado Bitcoin.
Além da melhora do ambiente macro, o ETH foi impulsionado por notícias ligadas ao roadmap de longo prazo da rede. Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum, detalhou a proposta conhecida como Lean Ethereum.
A proposta foi descrita como uma reconstrução ampla da rede ao longo dos próximos três a quatro anos. Segundo Vitalik, a iniciativa pode ser entendida como uma “terceira grande fase” do Ethereum, comparável em escala ao The Merge, que marcou a transição para o proof of stake.
Entre os pontos previstos estão mudanças na validação de transações, melhorias na estrutura de armazenamento de dados, foco maior em segurança contra computadores quânticos e possível redução de taxas para alguns tokens.
Regulação cripto avança no Brasil
No Brasil, a agenda regulatória também entrou no radar. O Banco Central publicou a Resolução BCB nº 580, que incorpora prestadoras de serviços de ativos virtuais ao arcabouço prudencial do sistema financeiro nacional.
As corretoras de cripto passam a ser classificadas como instituições Tipo 3, com tratamento semelhante ao de corretoras e distribuidoras de títulos. As exigências de capital, gerenciamento de riscos e divulgação de informações passam a valer a partir de 1º de janeiro de 2027.
A CVM também reforçou que a licença do Banco Central para corretoras de criptoativos não autoriza automaticamente a oferta de ações tokenizadas, futuros ou derivativos. Esses produtos seguem exigindo autorização própria da autarquia.






