O Bitcoin hoje (27) opera em queda e voltou a perder a região dos US$ 65 mil, enquanto os investidores reduzem posições antes da reunião de política monetária do Federal Reserve. A piora dos fluxos dos ETFs e as preocupações com a inflação nos Estados Unidos também pressionam a criptomoeda.
Por volta das 12h27, o Bitcoin recuava 1,24%, cotado a US$ 64.533,85. Ao longo do dia, o ativo chegou a negociar próximo de US$ 65,6 mil, mas perdeu força durante a tarde e tocou a faixa de US$ 64,5 mil.
Bitcoin hoje perde os US$ 65 mil
O Bitcoin começou o dia tentando preservar a recuperação observada durante a manhã, mas não conseguiu sustentar a região dos US$ 65 mil.
Segundo Jorge de Almeida, CEO da Brasil Bitcoin, o mercado continua preso em uma faixa lateral que, em reais, se estende aproximadamente de R$ 323 mil a R$ 342 mil.
“A recuperação desta manhã mostra que os compradores continuam defendendo a região de R$ 329 mil a R$ 330 mil. Para que o movimento ganhe maior consistência, o Bitcoin precisaria superar e sustentar preços acima de R$ 335 mil a R$ 336 mil”, afirma.
Caso o rompimento seja confirmado, a região dos R$ 342 mil voltaria a representar o principal ponto de resistência. No sentido contrário, uma perda dos R$ 329 mil poderia levar o ativo novamente às faixas de R$ 325 mil e R$ 323 mil.
Em dólares, a Bitfinex aponta uma resistência mais ampla entre US$ 68 mil e US$ 68,5 mil. A superação desse intervalo exigiria uma nova entrada de demanda, especialmente de investidores institucionais.
ETFs registram US$ 465 milhões em saídas
O ambiente institucional ficou mais cauteloso no fim da semana passada. Depois de sete sessões consecutivas de entradas, os ETFs à vista de Bitcoin dos Estados Unidos registraram aproximadamente US$ 465 milhões em saídas líquidas nos dias 23 e 24 de julho.
Os resgates interromperam a sequência positiva e contribuíram para reduzir a sustentação do preço no curto prazo.
Apesar das retiradas recentes, a Bitfinex destaca que os ETFs ainda acumulam três semanas consecutivas de entradas líquidas. Parte desse fluxo, porém, foi devolvida nos últimos pregões.
“As entradas foram parcialmente revertidas ao longo da semana, enquanto o mercado passou a apresentar uma oferta mais relevante de Bitcoin na faixa atual de preços”, aponta a Bitfinex.
O interesse institucional também permanece reduzido nos mercados de derivativos. Tanto o volume de contratos futuros em aberto quanto o de opções de Bitcoin negociadas na CME recuaram para mínimas de vários anos, segundo a corretora.
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Investidores de curto prazo voltam a vender
A pressão também vem dos investidores que compraram Bitcoin recentemente. Na segunda metade da semana passada, a criptomoeda acumulou queda de 4,87%, após detentores de curto prazo venderem suas posições ao recuperar o capital investido ou obter pequenos ganhos.
Esse comportamento aumentou a oferta justamente na principal região de resistência do mercado.
Ao longo do último mês, o preço médio de compra dos investidores de curto prazo vinha recuando, à medida que novos compradores entravam em níveis mais baixos. Esse processo foi interrompido próximo de US$ 68,5 mil, faixa em que surgiram novos vendedores.
Para a Bitfinex, os recursos direcionados aos ETFs e às empresas que mantêm Bitcoin em tesouraria ainda não são suficientes, isoladamente, para levar o ativo acima dessa resistência.
“Superar a faixa entre US$ 68 mil e US$ 68,5 mil exigirá uma nova onda de demanda”, destaca o relatório.
Mercado aguarda decisão do Federal Reserve
A reunião do Federal Reserve, marcada para os dias 28 e 29 de julho, deve concentrar as atenções do mercado nos próximos pregões.
A manutenção dos juros continua sendo o cenário mais provável, mas os contratos futuros passaram a incorporar uma possibilidade maior de nova alta da taxa básica americana.
Segundo a Bitfinex, o mercado atribui aproximadamente uma chance em três para uma elevação dos juros na reunião de julho.
A mudança nas expectativas ocorre após a retomada das pressões sobre os preços de energia e as sinalizações mais rígidas do banco central americano em relação à inflação.
Um aumento de juros tende a fortalecer os rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos e reduzir a liquidez disponível para ativos de risco, como Bitcoin, Ethereum e ações de tecnologia.
Alta do diesel aumenta risco para a inflação
Além do comportamento do petróleo bruto, o mercado acompanha o encarecimento do diesel nos Estados Unidos. Na segunda semana de julho, o preço médio do combustível chegou a aproximadamente US$ 5,13 por galão.
O valor permanece abaixo do pico de US$ 5,64 registrado em abril, mas continua elevado e pode pressionar os custos de transporte, produção agrícola e distribuição de mercadorias.
O diesel tem impacto relevante porque é utilizado por caminhões, máquinas agrícolas, embarcações, veículos refrigerados e diferentes segmentos da cadeia logística.
Quando o preço do combustível sobe, transportadoras tendem a repassar parte do custo para atacadistas e varejistas, mantendo a inflação de alimentos e outros produtos em patamares mais elevados.
“Esse choque já deixou de ser apenas uma questão ligada às cadeias de suprimentos e passou a influenciar também o mercado de juros”, afirma a Bitfinex.
Mesmo com a forte queda do petróleo nesta segunda-feira, a transmissão dos preços de energia para o diesel e para os demais custos da economia pode ocorrer com defasagem.
Consolidação exige cautela
Para Jorge de Almeida, o Bitcoin apresenta uma recuperação dentro de um cenário lateral, mas ainda não confirmou o rompimento de uma resistência relevante.
“A faixa entre R$ 329 mil e R$ 336 mil deve concentrar as atenções no curto prazo, enquanto o mercado aguarda novos sinais institucionais e a decisão de juros nos Estados Unidos”, afirma.
Períodos de lateralização podem permitir aportes graduais e uma distribuição maior do preço de entrada para investidores de médio e longo prazo. A consolidação, entretanto, não representa garantia de valorização futura.






