O BTG Pactual (BPAC11) manteve inalterada a composição de sua carteira conservadora de criptoativos para julho, após um mês de forte correção no mercado digital. Segundo o banco, a queda de junho foi explicada principalmente por fatores macroeconômicos e pela piora dos fluxos, sem sinais de deterioração estrutural nas principais teses da carteira.
A alocação segue concentrada em Bitcoin (BTC), com 69,5% do portfólio. O restante está distribuído entre Ethereum (ETH), com 14,5%, Hyperliquid (HYPE), com 10,5%, e Solana (SOL), com 5,5%.
De acordo com o relatório do BTG Pactual Digital Assets, o mercado de criptoativos encerrou junho em forte queda, com desvalorização disseminada entre os principais ativos. O Bitcoin voltou a ser negociado abaixo da região de US$ 60 mil e acumulou baixa de cerca de 20% no mês, no pior desempenho mensal desde junho de 2022.
A pressão veio de duas frentes. Nos Estados Unidos, os indicadores de inflação ficaram acima do dobro da meta do Federal Reserve, impulsionados pela alta do petróleo. Esse cenário levou investidores a recalcular a trajetória dos juros americanos, o que pressionou ativos de risco, especialmente os que não geram fluxo de caixa, como as criptomoedas.
Além disso, os ETFs de Bitcoin listados nos EUA registraram resgates de US$ 4,51 bilhões em junho, o maior volume mensal desde o lançamento desses produtos, segundo o BTG. Para o banco, a saída de recursos reforçou a percepção de demanda institucional mais fraca no curto prazo.
“Junho foi marcado por forte correção, pressionada por fluxos negativos e reprecificação da curva de juros. Mantemos disciplina de alocação, preservando exposição às teses estruturais enquanto aguardamos melhora nos fluxos e no ambiente macroeconômico”, afirma o BTG no relatório.
Carteira cripto do BTG segue concentrada em Bitcoin
Mesmo após a correção, o BTG optou por não realizar entradas, saídas ou rebalanceamentos na carteira conservadora de criptoativos em julho. A decisão, segundo o banco, reflete a avaliação de que a queda foi provocada por vetores externos, e não por piora nas teses dos ativos selecionados.
A maior posição segue em Bitcoin, tratado pela casa como uma reserva de valor digital. O ativo é descrito no relatório como a principal criptomoeda do mercado, com destaque para segurança, descentralização e adoção institucional.
Ethereum, Hyperliquid e Solana completam a carteira na tese de redes de contratos inteligentes. O Ethereum é citado como a principal blockchain para contratos inteligentes e aplicações descentralizadas. A Solana aparece pela escalabilidade, velocidade e baixo custo de transação. Já a Hyperliquid é descrita como uma blockchain voltada especificamente para trading, funcionando como uma bolsa de derivativos global e 24/7.
A composição da carteira ficou assim:
| Ativo | Peso | Tese |
|---|---|---|
| Bitcoin (BTC) | 69,5% | Reserva de valor |
| Ethereum (ETH) | 14,5% | Contratos inteligentes |
| Hyperliquid (HYPE) | 10,5% | Contratos inteligentes |
| Solana (SOL) | 5,5% | Contratos inteligentes |
Desempenho da carteira caiu menos que benchmarks
A carteira conservadora de criptoativos do BTG recuou 14,25% em junho, em dólar. Apesar da queda expressiva, o desempenho foi menos negativo que o dos benchmarks acompanhados pelo banco: o NCI caiu 15,10% no mês, enquanto o COIN50 recuou 15,69%.
No acumulado de 2026, a carteira registra queda de 38,65%. O resultado também supera, em termos relativos, o NCI, que cai 41,21%, e o COIN50, que perde 44,70% no ano.
O relatório mostra ainda que os criptoativos tiveram desempenho pior que outras classes de ativos em junho, ficando atrás de Nasdaq, S&P 500, Ibovespa e ouro no comparativo mensal em dólar.
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Inflação, juros e ETFs devem ditar o mês de julho
Para julho, o BTG avalia que o mercado cripto deve seguir sensível aos próximos dados de inflação, à trajetória dos juros nos Estados Unidos e ao comportamento dos fluxos dos ETFs de Bitcoin.
Uma melhora nesses fatores pode sustentar a recuperação dos preços e abrir espaço para maior participação das altcoins. Por outro lado, uma nova piora no ambiente macroeconômico ou nos fluxos institucionais tende a reforçar a necessidade de seletividade na alocação.
O banco destaca que, em períodos de estresse, a disciplina pode ser tão importante quanto fazer ajustes na carteira. Por isso, a casa decidiu preservar a exposição às principais teses, com foco em liquidez, adoção e qualidade dos ativos.






