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Embraer surpreende mercado com pedidos do 2º trimestre

Embraer surpreende mercado com pedidos do 2º trimestre

Pedidos do Farnborough Airshow ainda não estão refletidos no backlog e devem impulsionar terceiro trimestre de 2026 na aviação comercial

A Embraer (EMBJ3) divulgou nesta semana sua carteira de pedidos do segundo trimestre de 2026, atingindo US$ 34,5 bilhões — alta de 16% na comparação anual e de 7% em relação ao primeiro trimestre de 2026.

É o sétimo recorde consecutivo do backlog da companhia, sustentado por crescimento em todas as divisões e pela crescente demanda internacional pelo avião de transporte militar C-390.

O backlog continuou crescendo apesar da incerteza geopolítica e da volatilidade dos preços de combustíveis, com o book-to-bill acima de 1,0 vez em todas as divisões“, destacam Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, analistas da XP Investimentos.

Defesa lidera o crescimento no trimestre

O segmento de Defesa e Segurança foi o principal destaque do segundo trimestre de 2026. A carteira saltou de US$ 4,4 bilhões para US$ 6,1 bilhões, alta de 42% na comparação anual e de 39% em relação ao trimestre anterior, com book-to-bill de 2,6 vezes. O principal motor foi o pedido das Forças Aéreas dos Emirados Árabes Unidos por 10 aeronaves C-390 Millennium em caráter firme.

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Com base no aumento do backlog, o contrato implica valor de aproximadamente US$ 180 a US$ 190 milhões por aeronave.

“Esse nível de precificação reforça a crescente tração internacional e o posicionamento competitivo do C-390, além de sugerir um nível sólido de rentabilidade para esses pedidos”, afirmam Laghi, Urbano e Nippes.

Vale destacar que o backlog ainda não incorpora as seleções do KC-390 pela Eslováquia e pela Lituânia, cujos contratos ainda não estão efetivados.

O segmento de Serviços e Suporte também se destacou, atingindo recorde de US$ 5,5 bilhões — alta de 12% anual e de 8% sequencial. Durante o trimestre, a Embraer assinou acordo de suporte de longo prazo com a Jazz Aviation e um novo contrato cobrindo a frota atual e futura de KC-390 da Força Aérea Brasileira.

Aviação comercial e executiva mantêm momentum

Na aviação comercial, o backlog alcançou US$ 15,1 bilhões, alta de 15% anual, com book-to-bill de 1,8 vez nos últimos 12 meses. O avanço sequencial foi modesto — de apenas 1% —, mas os analistas avaliam o desempenho como positivo, especialmente diante do ambiente mais desafiador para as companhias aéreas, pressionadas pelo custo dos combustíveis.

“Vemos como positivo o crescimento contínuo na aviação comercial e nos jatos executivos, que mantiveram forte momentum apesar dos níveis já elevados de backlog e de um ambiente operacional mais desafiador”, ressaltam Luiza Mussi e Lucas Melotti, analistas do Safra.

Na aviação executiva, o backlog somou US$ 7,8 bilhões, com potencial total de US$ 13,2 bilhões incluindo opções, e book-to-bill de 1,1 vez.

Terceiro trimestre de 2026 promete ser ainda mais forte

Um ponto relevante destacado pelos três bancos é que os pedidos anunciados no Farnborough Airshow — mais de 50 aeronaves — ainda não estão refletidos no backlog do segundo trimestre de 2026 e devem aparecer nos números do terceiro trimestre de 2026.

“Esse backlog ainda não incorpora a forte onda de pedidos anunciados no Farnborough Airshow na semana passada, deixando espaço para um terceiro trimestre de 2026 ainda mais forte, especialmente impulsionado pelo segmento de aviação comercial”, afirmam Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, do BTG Pactual.

Os três bancos mantêm recomendação de compra para a Embraer, que negocia a 12 vezes EV/Ebitda 2026 — desconto em relação aos pares globais.

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