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Aluguel de veículos: entenda como dados de julho podem impactar empresas

Aluguel de veículos: entenda como dados de julho podem impactar empresas

Os dados fazem parte do monitoramento Data Vault, ferramenta do Bradesco BBI

O mercado de aluguel de veículos iniciou o segundo semestre sob maior pressão no segmento de seminovos. Levantamento divulgado pelo Bradesco BBI aponta que julho registrou um desempenho mais fraco para os preços anunciados por Localiza (RENT3) e Movida (MOVI3), reforçando preocupações sobre a trajetória da depreciação das frotas e seus reflexos nos resultados das empresas nos próximos trimestres.

Os dados fazem parte do monitoramento Data Vault, ferramenta do Bradesco BBI que acompanha mensalmente os preços anunciados de veículos vendidos pelas locadoras e compara esses valores com a Tabela Fipe. Segundo o banco, a Fipe costuma apresentar uma defasagem de um a dois meses em relação aos preços efetivamente praticados pelas companhias.

No caso da Localiza, os preços anunciados dos seminovos caíram 1,3% em julho na comparação com o mês anterior, marcando o pior desempenho do ano. Após quedas mais moderadas em maio e junho, a média móvel de três meses passou para uma retração de 0,8% ao mês, também o nível mais fraco de 2026 e o pior resultado desde julho de 2025.

A pressão foi observada em praticamente todas as categorias de veículos, mas foi mais intensa nos modelos de médio porte e de luxo, que registraram recuos de 1,7% e 2,0%, respectivamente. Os carros de entrada apresentaram queda de 1,2%. Além disso, o spread entre os preços praticados pela Localiza e a Tabela Fipe recuou 0,46 ponto percentual, ficando em 3,2%.

Na Movida, o cenário também foi negativo. Os preços anunciados caíram 1,9% em julho, após uma retração ainda maior de 2,5% registrada em junho. A média móvel de três meses atingiu queda de 1,0% ao mês, um dos níveis mais baixos desde dezembro de 2025.

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No acumulado dos sete primeiros meses do ano, tanto Localiza quanto Movida registraram correção média de aproximadamente 0,7% ao mês nos preços dos seminovos. Segundo o Bradesco BBI, esse ritmo supera o patamar considerado normal para o atual ambiente de mercado, estimado em cerca de 0,5% ao mês.

O que explica a pressão sobre o aluguel de veículos

Na avaliação dos analistas do Bradesco BBI, ainda não há evidências suficientes para determinar se o desempenho mais fraco de julho representa um movimento pontual ou uma tendência mais estrutural para o setor de aluguel de veículos.

Entre os fatores monitorados estão o aumento da concorrência, a chegada de novos veículos de fabricantes chinesas ao mercado brasileiro, um ambiente macroeconômico mais desafiador e a necessidade de ajustes de preços em categorias menos afetadas diretamente pela nova concorrência.

O relatório também observa que a Localiza ampliou o número de veículos anunciados para venda, especialmente nos segmentos de médio porte, luxo e comerciais leves. Para o banco, esse movimento pode estar relacionado à estratégia de acelerar a renovação da frota e reduzir a exposição de modelos sujeitos a maior depreciação.

Já na Movida, o spread entre os preços anunciados e a Tabela Fipe praticamente desapareceu. Embora parte desse movimento possa ser explicada pela defasagem da própria Fipe, os analistas avaliam que o comportamento merece acompanhamento nos próximos meses.

Bradesco BBI mantém recomendação de compra

Apesar da leitura negativa para julho, o Bradesco BBI manteve recomendação de compra para as duas principais empresas do segmento de aluguel de veículos. O banco reiterou preço-alvo de R$ 61 para as ações da Localiza e de R$ 18 para os papéis da Movida.

Segundo a instituição, ambas continuam negociando a múltiplos considerados atrativos. A Localiza é negociada a cerca de 9,5 vezes o lucro projetado para 2026, enquanto a Movida apresenta múltiplo de aproximadamente 5,5 vezes.

Ainda assim, dentro do setor de locação, a preferência dos analistas permanece com a Vamos (VAMO3). O Bradesco BBI manteve recomendação de compra para a companhia, com preço-alvo de R$ 6 por ação, avaliando que a empresa oferece a melhor relação entre risco e potencial de retorno no segmento.

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