O Bitcoin hoje (2) opera em alta e voltou a superar a região dos US$ 60 mil, em meio ao alívio na leitura sobre inflação e juros nos Estados Unidos. A fala de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, e a queda de um componente importante do PMI industrial americano ajudaram a melhorar o apetite por risco no mercado cripto.
Por volta das 13h36, o Bitcoin subia 2,11%, cotado a US$ 61.229,88, segundo dados do Google Finance. Ao longo do dia, a criptomoeda chegou a se aproximar dos US$ 62 mil, após ter negociado perto de US$ 59,7 mil na madrugada.
Para Fabricio Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, a retomada dos US$ 60 mil é positiva, mas ainda exige confirmação técnica. A média móvel de 200 semanas, próxima de US$ 62,4 mil, segue como uma referência importante para o mercado.
“A recuperação do Bitcoin nas últimas 24 horas mostra como o mercado segue extremamente sensível à narrativa de inflação e juros. Nos últimos dias, o BTC caiu pressionado pela expectativa de um FED mais duro. Agora, com Warsh sinalizando menor risco inflacionário, queda forte no componente de preços pagos do ISM e petróleo no menor nível em 125 dias, o mercado voltou a reduzir parte dessa pressão”, afirma Tota.
Inflação menor dá fôlego ao Bitcoin
O principal gatilho positivo veio do exterior. Durante o Fórum Anual do Banco Central Europeu, em Sintra, Kevin Warsh afirmou que os riscos de inflação diminuíram, embora tenha reforçado o compromisso do Fed com a meta de 2%.
A declaração veio após semanas de pressão sobre ativos de risco, em meio à percepção de que o banco central americano poderia manter juros elevados por mais tempo ou até voltar a subir a taxa básica.
Além disso, o PMI industrial ISM dos Estados Unidos trouxe um sinal relevante. O índice cheio veio em 53,3, levemente abaixo da expectativa de 53,8, mas o componente de preços pagos caiu de 82,1 para 73 pontos em junho. A leitura sugeriu menor pressão de custos na indústria.
Esse dado ganhou peso porque se combina à queda do petróleo. Com a normalização parcial do fluxo pelo Estreito de Ormuz e o recuo da commodity, o mercado passou a enxergar menor risco de uma nova rodada de pressão inflacionária global.
US$ 60 mil volta a ser suporte?
Apesar da alta, a leitura técnica ainda é cautelosa. O Bitcoin recuperou a região dos US$ 60 mil, mas precisa sustentar fechamentos acima desse patamar para reduzir o risco de nova pressão vendedora.
André Franco, CEO da Boost Research, avalia que o curto prazo ficou menos negativo após a fala de Warsh, mas ainda depende da confirmação acima da faixa entre US$ 61 mil e US$ 62 mil.
“O ativo retomou o patamar psicológico de US$ 60.000 pela primeira vez em mais de uma semana, depois de rondar os US$ 58.000 na virada do semestre. A faixa provável de oscilação de curtíssimo prazo fica entre US$ 58.000 e US$ 62.000, com rompimento sustentado acima de US$ 61.000 a US$ 62.000 abrindo caminho para US$ 65.000”, afirma Franco.
O ponto de atenção segue nos ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos. Segundo a Boost Research, os produtos ainda registraram saída líquida de aproximadamente US$ 296 milhões no dia 1º de julho. Para Franco, isso sugere que a alta pode ter mais relação com fechamento de posições vendidas do que com uma retomada firme do fluxo institucional.
Solana avança com ativos tokenizados
Entre os principais criptoativos, o destaque positivo foi a Solana. O ativo subia cerca de 9,4% nas últimas 24 horas, negociado perto de US$ 82, segundo o Mercado Bitcoin.
A força da Solana está ligada ao avanço dos ativos do mundo real tokenizados, conhecidos como RWAs, dentro da rede. O valor distribuído desses ativos chegou a US$ 3,4 bilhões, ante cerca de US$ 400 milhões há um ano.
O crescimento reforça uma das narrativas mais acompanhadas do setor cripto em 2026: a tokenização de ativos tradicionais e sua integração com redes públicas de blockchain.
Stablecoins e M2 reforçam tese estrutural
Além da recuperação do Bitcoin, o Mercado Bitcoin destacou o avanço dos cartões cripto e das stablecoins. Os depósitos totais em cartões cripto passaram de US$ 10 bilhões pela primeira vez, com alta de 82% no ano e de quase 250% em 12 meses.
Outro ponto relevante veio da oferta monetária americana. O M2 dos Estados Unidos cresceu US$ 247,8 bilhões em maio, alcançando o recorde de US$ 23,1 trilhões. Foi o maior aumento mensal desde maio de 2021.
Para o mercado cripto, a expansão da liquidez reforça a tese de longo prazo do Bitcoin como reserva de valor, especialmente se o Fed adotar uma postura menos dura do que a precificada após a última reunião.
Leia também:
Metaplanet amplia reserva em Bitcoin
A demanda corporativa também voltou ao radar. A Metaplanet, empresa japonesa de tesouraria em Bitcoin, anunciou a compra de mais 2.823 BTC, em uma operação de aproximadamente US$ 170 milhões.
Com isso, a companhia passou a deter 43 mil BTC, avaliados em cerca de US$ 2,58 bilhões. A compra reforça a leitura de que parte da demanda estrutural segue ativa, mesmo após semanas de queda nos preços e saídas relevantes dos ETFs.






