O Bitcoin hoje (3) opera em alta e voltou a superar a região dos US$ 62 mil, em uma reação após encerrar junho com a maior queda mensal desde 2022. Por volta das 14h09, a criptomoeda subia 1,19%, cotada a US$ 62.215,40, segundo dados do Google Finance.
A recuperação ganha força depois de o ativo ter testado a faixa dos US$ 58 mil na virada do mês, pressionado por juros elevados nos Estados Unidos, saídas recordes dos ETFs à vista de Bitcoin, mudança na dinâmica de compras da Strategy e migração de capital para empresas ligadas à inteligência artificial.
Apesar do alívio, o mercado ainda acompanha se o Bitcoin conseguirá transformar a região entre US$ 61 mil e US$ 62 mil em suporte. Segundo análises recebidas pelo mercado, a consolidação acima desse patamar é vista como condição importante para que o repique ganhe tração.
Bitcoin hoje: correção recoloca ativo em faixa estratégica
Apesar da queda recente, um estudo do Mercado Bitcoin aponta que o recuo levou o ativo de volta a uma região que, em ciclos anteriores, marcou períodos de retomada gradual das compras por investidores institucionais e de longo prazo.
O Bitcoin chegou a cair cerca de 21% no mês, voltando para baixo dos US$ 60 mil, patamar que não era visto desde setembro de 2024. Para o MB, a leitura de curto prazo segue cautelosa, mas a região atual voltou a chamar atenção de investidores com horizonte mais longo.
“O mercado costuma interpretar movimentos como esse apenas pela ótica da volatilidade. Mas quem acompanha os ciclos do Bitcoin sabe que grandes correções também costumam abrir oportunidades importantes para investidores que possuem estratégia e visão de longo prazo”, afirma Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin.
Segundo o estudo, o Bitcoin voltou a testar regiões próximas às médias móveis de 233 e 305 semanas, indicadores acompanhados por investidores para identificar zonas relevantes de suporte em ciclos anteriores.
Juros, ETFs e Strategy explicam queda
A principal pressão sobre o Bitcoin veio da economia americana. Com a inflação ainda acima da meta do Federal Reserve, o mercado passou a precificar juros elevados por mais tempo e até a possibilidade de novas altas.
Outro fator foi o fluxo dos ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos. Os fundos acumularam mais de US$ 7,7 bilhões em resgates ao longo de sete semanas consecutivas de saídas líquidas, a pior sequência desde o lançamento desses produtos, em janeiro de 2024.
A Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, também entrou no radar. A empresa, que possui mais de 843 mil bitcoins em caixa, reduziu o ritmo de compras e anunciou uma nova estrutura de gestão de capital, que pode permitir a venda de parte dos BTCs dependendo das condições de mercado.
Além disso, parte da liquidez global migrou para empresas ligadas à inteligência artificial, que seguem concentrando fluxos de investidores em busca de crescimento.
US$ 62 mil vira teste para recuperação
Para André Franco, CEO da Boost Research, a reação recente ainda precisa ser confirmada. O Bitcoin chegou a tocar a região dos US$ 58 mil, o menor nível em cerca de 650 dias, antes de voltar para perto dos US$ 60 mil e, agora, superar os US$ 62 mil.
O alívio veio depois de uma fala de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, no Fórum do Banco Central Europeu, em Sintra. Warsh afirmou que os riscos de inflação diminuíram, o que ajudou a reativar o apetite por risco. Ainda assim, ele não deu sinal claro sobre a próxima decisão de juros, marcada para julho.
“A região dos US$ 58 mil é o suporte a observar, e o Bitcoin precisa se firmar acima dos US$ 61 mil para transformar o repique em algo mais consistente”, afirma Franco.
Com a cotação acima desse patamar, o próximo ponto será observar se a criptomoeda conseguirá manter a recuperação nos próximos pregões. Se o Bitcoin voltar a perder força, os suportes monitorados ficam entre US$ 54 mil e US$ 55 mil. Em um cenário mais adverso, a região dos US$ 50 mil volta ao radar.
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Investidor de longo prazo olha para DCA
O estudo do MB também destaca que investidores de longo prazo não precisam necessariamente acertar o fundo do mercado para construir posição. Uma das estratégias mais usadas nesses momentos é o Dollar Cost Averaging, conhecido como DCA, baseado em aportes recorrentes.
“O investidor não precisa acertar exatamente o fundo do mercado para construir patrimônio. O mais importante é desenvolver uma estratégia consistente de longo prazo. Em momentos de maior volatilidade, muitos investidores recorrem justamente a aportes recorrentes, reduzindo o risco de concentrar toda a aplicação em um único momento de mercado”, afirma Pedro Fontes.
A avaliação é que esse tipo de estratégia ganha relevância justamente em períodos de queda forte, quando o pessimismo aumenta e o ativo volta para regiões historicamente acompanhadas por investidores institucionais.
Regulação segue no radar
Além do preço, o mercado acompanha a agenda regulatória. Na Europa, a entrada em vigor da MiCA provocou uma reorganização entre exchanges, após a Binance suspender parte relevante dos serviços no bloco por não ter obtido licença dentro do prazo.
Nos Estados Unidos, o CLARITY Act, principal projeto para definir regras de mercado para criptoativos, chegou ao recesso do Congresso sem votação. Já as regras finais do GENIUS Act, voltado às stablecoins, têm prazo até 18 de julho para publicação pelas agências reguladoras.
Para os próximos pregões, o ponto central será a capacidade do Bitcoin de sustentar a região dos US$ 62 mil e confirmar a recuperação após a forte queda de junho. Enquanto isso não ocorrer, a alta tende a ser tratada como repique dentro de um mercado ainda pressionado por juros, fluxo dos ETFs e cautela institucional.






