Investir no exterior é, cada vez mais, uma decisão estratégica essencial para quem busca diversificação, proteção patrimonial e exposição a oportunidades globais. Em um cenário econômico global marcado por incertezas e transformações, essa estratégia ganha ainda mais relevância. Especialistas como Daniel Haddad, CIO da corretora Avenue, destacam que a dolarização dos investimentos não apenas mitiga riscos locais, mas também preserva o poder de compra no longo prazo.
Investir no exterior: a diversificação como pilar da segurança patrimonial
Investir fora do Brasil é mais do que uma escolha de diversificação; é um verdadeiro seguro contra instabilidades econômicas locais. Daniel Haddad compara essa prática a um seguro de carro: algo que você espera não usar, mas que é imprescindível para evitar perdas significativas.
O raciocínio é simples: o Brasil, apesar de seus avanços, continua sujeito a flutuações políticas e econômicas. Desde a mudança constante de moedas até eventos como “canetadas de juízes” e crises políticas, a imprevisibilidade é uma constante no mercado local.
Enquanto isso, o dólar se mantém como um porto seguro em momentos de turbulência. Nas últimas sete recessões globais, a moeda americana valorizou-se consistentemente, protegendo investidores contra perdas. Essa estabilidade faz do dólar um dos ativos mais recomendados para quem busca segurança e consistência no longo prazo.
Cenário econômico global: lições pós-pandemia
A análise do cenário global também reforça a necessidade de investir no exterior. A pandemia trouxe desafios únicos para a economia mundial, como o aumento da inflação e mudanças no comércio global.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (o banco central americano) tem trabalhado para equilibrar a economia com taxas de juros altas, mas em ciclo de queda, enquanto o mercado de trabalho segue resiliente. Esses fatores contribuem para um ambiente macroeconômico relativamente estável nos EUA, tornando-o um destino atrativo para investimentos.
Além disso, a tendência global de reduzir a dependência de cadeias de produção amplamente globalizadas cria oportunidades em setores estratégicos, como tecnologia e energia renovável. Investir fora permite acessar essas tendências e aproveitar o potencial de crescimento em mercados mais diversificados.
Vantagens financeiras e tributárias
Haddad também destaca a simplicidade de investir no exterior atualmente. Corretoras internacionais, como a Avenue, oferecem acesso facilitado a ativos globais, permitindo que investidores brasileiros diversifiquem suas carteiras com poucos cliques.
As condições tributárias também são competitivas. Por exemplo, a alíquota de 15% sobre ganhos de capital nos EUA é mais atrativa que muitas alternativas locais, e a estruturação de investimentos por meio de empresas offshore pode otimizar ainda mais a gestão patrimonial.
Descorrelação e redução da volatilidade
Outro benefício de investir no exterior é a descorrelação dos ativos. Enquanto ativos no Brasil tendem a se mover na mesma direção, ativos globais operam de forma independente, reduzindo a volatilidade geral da carteira. Isso funciona como um hedge (proteção) natural: quando o real se desvaloriza, o dólar se valoriza, protegendo o patrimônio.
Essa estratégia também envolve uma mudança de mentalidade. Como observa o estrategista da EQI Investimentos, Denys Wiese, muitos brasileiros ainda calculam seu patrimônio exclusivamente em reais, uma perspectiva que pode ser enganosa. Pensar em dólares e alinhar a carteira com padrões globais são passos fundamentais para preservar e aumentar a riqueza no longo prazo.
Quanto da carteira ter no exterior?
A EQI Research, em sua carteira de alocação recomendada de dezembro, indica que 15% do portfólio deve estar alocado no exterior. E isso para qualquer perfil de investidor – conservador, moderado ou arrojado. Até novembro, a recomendação era de alocação de 10% do portfólio.
No que ficar atento ao investir no exterior em 2025
Rodrigo Samaia, do time de private da EQI Investimentos, aponta que para 2025, são três os principais pontos para ficar atento ao investir no exterior:
- Diversificação global: Aproveitar as assimetrias entre mercados desenvolvidos e emergentes.
- Exposição a setores inovadores: Tecnologia, energia limpa e ativos ligados à descarbonização são os mais promissores.
- Proteção contra volatilidade: Utilização de ativos reais e estratégias descorrelacionadas, como ouro, Bitcoin e crédito privado, é uma boa pedida na carteira.
Investir no exterior: uma estratégia atemporal
A conclusão é que investir no exterior em 2025 não é apenas uma oportunidade, mas uma necessidade para quem deseja construir um patrimônio resiliente e diversificado.
A dolarização dos investimentos oferece proteção contra riscos locais, acesso a mercados globais e um hedge natural contra a volatilidade cambial. Em um mundo cada vez mais interconectado, não faz sentido ser um consumidor global e investidor limitado ao Brasil.
Para o investidor inteligente, a questão não deve ser “se” investir no exterior, mas “quanto” do patrimônio alocar em ativos globais. Afinal, a diversificação geográfica é a chave para enfrentar qualquer cenário econômico com confiança e segurança.