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Anbima: debêntures ficam mais concentradas em bancos

Anbima: debêntures ficam mais concentradas em bancos

Cerca de 57% das debêntures emitidas no mês foram adquiridas por intermediários financeiros e participantes ligados às ofertas

Os dados mais recentes da Anbima mostram que os intermediários financeiros tiveram papel cada vez mais relevante na absorção das emissões de debêntures em maio, em um sinal de maior seletividade por parte dos investidores no mercado de crédito privado.

Segundo relatório do banco Safra com base nas estatísticas da associação, 57% das debêntures emitidas no mês foram adquiridas por intermediários financeiros e participantes ligados às ofertas. No caso das debêntures incentivadas, essa participação foi ainda maior, alcançando 80% do volume emitido.

Na avaliação dos analistas, o movimento sugere um ambiente mais cauteloso para a alocação de recursos, em que instituições financeiras assumem maior protagonismo na distribuição dos papéis diante de uma demanda mais seletiva por parte dos investidores finais.

Mercado de capitais movimenta R$ 47 bilhões

Apesar desse cenário, o mercado primário brasileiro manteve um ritmo robusto de captação.

Dados da Anbima apontam que as emissões primárias de renda fixa e variável totalizaram R$ 47 bilhões em maio, superando os R$ 43,7 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

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O desempenho foi impulsionado principalmente pelos fundos imobiliários (FIIs) e pelos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).

As emissões de FIIs cresceram R$ 4,5 bilhões na comparação anual, enquanto os Fiagros avançaram R$ 1,8 bilhão. Juntos com os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), esses instrumentos ampliaram sua participação no mercado de capitais.

Os FIDCs e os FIIs responderam, individualmente, por 11% de todas as emissões realizadas em maio.

Crédito privado desacelera

No segmento de renda fixa, as emissões de crédito privado somaram R$ 39,9 bilhões no mês, abaixo dos R$ 49 bilhões registrados em abril. Na comparação com maio de 2025, quando foram emitidos R$ 42,5 bilhões, também houve retração.

As debêntures continuaram liderando as captações, mas com comportamentos distintos entre os diferentes tipos de papéis.

As debêntures incentivadas movimentaram R$ 6,5 bilhões em maio, uma queda de 27% em relação ao mesmo período do ano passado. Já as debêntures corporativas tradicionais, não incentivadas, alcançaram R$ 20,1 bilhões, crescimento de 2% na mesma base de comparação.

Com isso, as debêntures corporativas responderam por 43% de todas as emissões realizadas no mercado de capitais durante o mês, enquanto as incentivadas representaram 14%.

CDI segue dominante

O levantamento da Anbima também mostra que o CDI continua sendo o principal indexador das debêntures emitidas no país.

Em abril, último dado disponível para o perfil dos papéis, 61% das emissões estavam atreladas ao CDI, enquanto 12% utilizavam o IPCA como referência. Outros indexadores representaram 24% do mercado.

Em relação às garantias, 63% das debêntures emitidas eram quirografárias, sem garantias reais específicas, enquanto 37% contavam com garantias reais.

Os recursos captados pelas empresas foram destinados principalmente à gestão ordinária dos negócios, que respondeu por 36% das emissões. O pagamento de dívidas representou 18% do volume, enquanto projetos de infraestrutura ficaram com apenas 1%.

Emissões externas somam R$ 3 bilhões

No mercado internacional, as emissões externas de empresas brasileiras alcançaram cerca de R$ 3 bilhões em maio.

O volume foi concentrado em uma única operação: uma emissão de dívida de US$ 625 milhões realizada pela Oceânica Engenharia no início do mês.

Para o Safra, os números da Anbima indicam um mercado de capitais ainda ativo, mas marcado por maior seletividade dos investidores, especialmente no segmento de crédito privado, ao mesmo tempo em que veículos como FIIs, Fiagros e FIDCs seguem ganhando espaço nas captações corporativas.

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