Home
Notícias
Spreads voltam a cair: onde a EQI Research ainda vê oportunidades em FI-Infras?

Spreads voltam a cair: onde a EQI Research ainda vê oportunidades em FI-Infras?

Fundos ligados ao IPCA podem se beneficiar da queda dos juros, apesar dos spreads historicamente baixos

Os spreads de crédito privado voltaram a se comprimir em junho, favorecendo o desempenho das cotas patrimoniais dos FI-Infras (Fundos de Infraestrutura). A EQI Research destaca que o cenário, entretanto, reforça a necessidade de seletividade na classe.

O spread médio medido pelo índice IDEX Infra registrou uma ligeira queda no período. Quanto menor o spread, menor é a remuneração adicional oferecida pelo título privado em relação a um título público de referência.

“O mês de junho foi marcado por uma ligeira queda nos spreads de crédito privado. Essa compressão impactou positivamente o retorno das cotas patrimoniais dos fundos listados de debêntures incentivadas”, afirma João Zanott, analista da EQI Research responsável pela análise.

Embora a compressão possa gerar ganhos de marcação a mercado no curto prazo, os spreads historicamente baixos também reduzem a margem de segurança para novas alocações.

Publicidade
Publicidade

Mudança tributária pode ter antecipado demanda

Uma das possíveis explicações para a queda dos spreads é a discussão sobre uma eventual mudança na tributação de investimentos atualmente isentos, como as debêntures incentivadas.

A expectativa de preservação da isenção para os ativos já adquiridos pode ter levado parte dos investidores a antecipar suas aplicações. O aumento da demanda pelos títulos tende a elevar os preços e, consequentemente, pressionar os spreads para baixo.

“Entendemos que uma eventual mudança nas regras de tributação desses ativos poderia levar os investidores a anteciparem a formação de estoques de títulos isentos em seus portfólios”, explica Zanott.

Segundo a EQI Research, é possível que parte dessa expectativa já esteja incorporada aos preços de mercado. A casa ressalta, porém, que a discussão tributária ainda envolve elevado grau de incerteza e não deve, isoladamente, orientar uma decisão de investimento.

A oferta mais limitada de novas debêntures incentivadas também contribuiu para o cenário. Levantamento da gestora Sparta citado no relatório mostra que o segundo trimestre de 2026 teve o menor volume de ofertas primárias desde 2023.

Com menos títulos disponíveis e uma demanda elevada, o desequilíbrio entre oferta e procura ajudou a reforçar a compressão dos spreads.

Leia também:

Onde ainda existem oportunidades em FI-Infras?

Mesmo diante do nível reduzido dos spreads, a EQI Research identifica oportunidades específicas dentro da classe, principalmente entre fundos ligados à inflação.

“Como mencionamos anteriormente, mantemos uma postura cautelosa em relação à classe de ativos de debêntures incentivadas, diante do nível historicamente baixo dos spreads de crédito. Ainda assim, reconhecemos a existência de oportunidades pontuais, especialmente em fundos indexados ao IPCA expostos à marcação a mercado.”

Esses fundos podem se beneficiar de uma eventual queda das taxas de juros, que tende a valorizar os títulos já presentes nas carteiras. Uma possível abertura dos spreads ainda poderia pressionar as cotas no curto prazo, mas a EQI Research considera que esse efeito pode ser compensado pela assimetria favorável da marcação a mercado para investidores com horizonte mais longo.

A análise também considera fatores como qualidade de crédito, diversificação, desconto em relação ao valor patrimonial e benefício fiscal. Em contrapartida, a casa mantém uma visão menos favorável sobre fundos indexados ao CDI que estejam negociando com ágio.

Quer conhecer os FI-Infras acompanhados pela EQI Research, as projeções de rendimentos e os respectivos preços-teto? Acesse o relatório mensal completo no aplicativo EQI+ e confira a avaliação de cada fundo.