A Pátria Investimentos ($PAX) encerrou o 1S26 com captação de US$ 4,5 bilhões. No 2T26, o lucro distribuível recorrente foi de US$ 50,7 milhões, 10% acima do consenso e 14% acima da estimativa do BTG Pactual (BPAC11).
O resultado foi impulsionado pelo avanço das receitas de taxas, enquanto a integração de aquisições e custos de transação seguiram pressionando margens.
“O trimestre reforça a resiliência do modelo de negócios da Pátria, que continua conseguindo crescer mesmo em um ambiente mais desafiador para alocação de capital. Vemos uma combinação saudável entre expansão de receitas de taxas e disciplina na geração de lucro distribuível, o que ajuda a sustentar a previsibilidade do fluxo de caixa. Ainda assim, a pressão de curto prazo em margens, causada principalmente por integrações recentes e custos não recorrentes, deve permanecer no radar dos investidores ao longo dos próximos trimestres”, afirma o BTG.
O banco mantém recomendação neutra para PAX, com preço-alvo de US$ 15.
Captação forte e acima da meta
A gestora captou US$ 2,3 bilhões no trimestre, elevando o total do ano para US$ 4,5 bilhões. O BTG vê chance de a Pátria superar a meta de US$ 7 bilhões em 2026 e até o recorde de US$ 7,7 bilhões de 2025.
“O ritmo de captação segue acima do esperado, com diversificação relevante entre estratégias e forte demanda de investidores institucionais. Esse desempenho aumenta a probabilidade de não apenas atingir, mas potencialmente superar a meta anual, o que poderia consolidar mais um ano recorde para a gestora”, destaca o BTG.
O destaque foi a expansão de US$ 970 milhões em conta multiestratégia de um fundo soberano. Crédito captou US$ 657 milhões, GPMS US$ 413 milhões e o fundo SOF V encerrou captação com US$ 676 milhões, acima da meta.
Receitas e ativos em expansão
Os ativos geradores de taxas (FEAUM) chegaram a US$ 48,9 bilhões, alta de 7% no trimestre.
“O crescimento de FEAUM continua sendo um dos principais pilares da tese de investimento, pois amplia a base de receitas recorrentes e reduz a volatilidade dos resultados. Esse avanço também reforça a capacidade da gestora de escalar suas estratégias sem comprometer a qualidade da originação, o que é um diferencial importante no setor de alternativos”, diz o BTG.
O FRE somou US$ 57,1 milhões, +13% no trimestre e 7% acima do esperado. Já a receita líquida atingiu US$ 111 milhões, alta de 15% no trimestre e 40% no ano.
Margem e custos seguem no radar
A margem do FRE caiu para 54%, pressionada por aquisições e investimentos.
“A compressão de margem no curto prazo já era amplamente esperada pelo mercado, dado o ciclo recente de aquisições e o aumento de investimentos em integração. Ainda assim, acreditamos que esses efeitos são temporários e que a companhia deve retomar gradualmente níveis mais próximos do histórico à medida que sinergias sejam capturadas e os custos extraordinários diminuam”, avalia o BTG.
Os custos de transação somaram US$ 11 milhões (+95% no ano), mas devem recuar gradualmente.
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BTG mantém visão neutra
O BTG segue com recomendação neutra e preço-alvo de US$ 15, com potencial de alta de 36,7%.
“Mesmo reconhecendo o valuation atrativo e a qualidade estrutural da gestora, ainda enxergamos um cenário de execução que exige cautela, especialmente no que diz respeito à integração de aquisições recentes e à evolução do segmento de private equity. Esses fatores podem gerar volatilidade nos resultados no curto prazo, o que justifica nossa postura mais conservadora no momento”, conclui o banco.
As ações acumulam queda de cerca de 30% em 2026 e negociam a 8,2x o lucro distribuível estimado.






